Arte

Pintor com Alzheimer faz auto-retratos registrando o avanço de sua doença

Vicente Carvalho - 08/01/2014 às 06:48

Escrever sobre algo tão próximo de mim é muito difícil. Meu avô paterno possui a doença de Alzheimer, e é ruim ouvir notícias dele à distância, e saber o quão a doença é cruel, tanto com ele, que hoje em dia age como uma criança (birrento, sem modos ou hábitos higiênicos), e para a nossa família, que além de cuidados tem que lidar com o fato dele não lembrar de nenhum de nós, exatamente como no post que mostramos há uns meses aqui.

Na história que trazemos hoje, o pintor William Utermohlen, que sempre fez autorretratos, resolveu continuar a pintá-los mesmo após ter sido detectado com a doença de Alzheimer, que como sabemos, é a perda de funções cognitivas (orientação, atenção, memória e linguagem) por conta da morte de células cerebrais.

De 1995 a 2000 ele registrou a evolução das impressões que tinha de si mesmo e sua arte, adaptando o seu estilo às limitações crescentes de sua percepção e habilidades motoras e criando imagens que documentam sua vivência da doença de maneira poderosa, o resultado do trabalho serve como um registro artístico, médico, pessoal e único da luta de um homem com demência.

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Blue Skies, 1995, óleo sobre tela, 152x122cm

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Self-Portrait with Easel (Yellow and Green), 1996, óleo sobre tela, 46x35cm

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Self-Portrait (Red), 1996, técnia mista no papel, 46.5x33cm

William Utermohlen Self-Portrait with Saw 1997 Oil on canvas, 35.5x45.5cm

Self-Portrait with Saw, 1997, óleo sobre tela, 35.5×45.5cm

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Self-Portrait (with Easel), 1998, óleo sobre tela, 35.5x25cm

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Erased Self-Portrait, óleo sobre tela, 45.5×35.5cm

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Head I, 2000, lápis no papel, 40.5×33 cm.

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Vicente Carvalho
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