Inovação

Você nunca poderia imaginar que os selfies pudessem dizer tanto sobre a cultura dos países

Vicente Carvalho - 26/02/2014

Se uma imagem vale mais que mil palavras, então quanto valem (e quanto significam) os famigerados selfies nas redes sociais? É isso que o projeto de visualização de dados SelfieCity quer descobrir, por meio da análise de mais de 3 mil fotos tiradas nas cidades de Banguecoque, Berlim, Moscou, Nova York e São Paulo.

A pesquisa foi coordenada por Lev Manovich, Doutor em Cultura e Arte Digital, junto com uma equipe igualmente qualificada, com várias perguntas em mente, como: o selfie era uma moda passageira ou ele representa uma nova tendência substancial de como criar e compartilhar fotos? É um meio de auto-expressão, uma ferramenta de auto-promoção ou um grito de atenção? E há alguma diferença cultural na forma como as pessoas em diferentes países produzem seus selfies?

Alguns parâmetros de estudo foram: idade, gênero, posição da foto, inclinação da cabeça, se está de olho ou boca abertos ou fechados, usando óculos, ou expressando calma, raiva ou felicidade.

Veja o painel (se você clicar em alguns desse parâmetros, as imagens mudam de acordo com sua escolha):

parametro

As fotos estão em constante fase de análise, pois há sempre novas sendo cadastradas. Mas já foi possível algumas conclusões interessantes:

As pessoas tiram menos selfies do que você pensa. De acordo com dados da SelfieCity, apenas 3 % a 5 % das 300 mil coletadas são tidas como selfies.

Mulheres tiram mais selfies que os homens, em todas as cidades estudadas. A discrepância foi maior em Moscou, porém, em todos os locais estudados, os homens que fazem selfie, em média, têm mais de 30 anos.

Mulheres fazem poses mais expressivas, especialmente em São Paulo, incluindo poses sensuais. Em média, a inclinação da cabeça no selfie de uma mulher é 150% maior que a dos homens (média de 12,8° de inclinação, contra 8,2° nos homens). Isso significa que as mulheres, em sua maioria, tiram as fotos segurando a câmera acima de sua cabeça. Em São Paulo, a inclinação é de 16,9°!

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– No geral, as pessoas que fazem selfie são mais jovens, com idade média de 23,7 anos de idade.

As pessoas são mais felizes em São Paulo e Banguecoque e mais miseráveis em Moscou. Na análise, fotos de sorriso aparecem em grande quantidade em Baguecoque e SP, já em Moscou esse número foi mais baixo.

sorriso

Como foi coletado os dados:

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Veja alguns selfies:

São Paulo

selfie_sp2 

Moscou

moscou_sp

Nova York

ny

Berlim

berlim

Banguecoque

bankkok

O mais interessante é você mesmo entrar na SelfieCity e navegar pelos dados e informações apresentados. Com certeza, encontrará outras dezenas de conclusões. O que fica muito claro é que o selfie ainda vai durar muito tempo e, enquanto ele ocorre, acaba externando desejos, anseios, pedidos de atenção, auto-promoção ou tudo isso junto.

Análise original feita por John Brownlee no site FastCoDesign e complementada pela equipe do Hypeness.

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Vicente Carvalho
Em busca da terra do nunca.