Fotografia

Série de fotos retrata as expressões dos excluídos da sociedade

por: João Diogo Correia

Dependentes de drogas, sem-teto ou pobres. Em muitos casos, as três coisas de uma só vez. O fotógrafo Lee Jeffries mergulhou na vida do bairro de Overtown, em Miami, Estados Unidos, para descobrir as histórias e registrar as expressões de todos os que, não tendo perdido a humanidade, parecem esquecidos por ela.

“Ela é um ser humano, ela se preocupa com as outras pessoas. Ela é muito mais do que os rótulos”. Jeffries se refere a Margo Stevens, uma das mulheres fotografadas no projeto. Estrela pornô da década de 90, Margo foi também acompanhante de luxo e stripper. Fez bom dinheiro, mas hoje vive numa pequena garagem abandonada, que se esforça por dividir com cinco mulheres. Quase todas são viciadas e cada uma delas vive do dinheiro que ganha como profissional do sexo.

“Ela foi explorada toda a sua vida, mas, ainda assim, ela continua incrivelmente humana”, diz o fotógrafo, para quem registrar histórias como as de Margo se tornou bem mais do que um emprego.

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Margo (à direita) com uma das mulheres (algumas são quase meninas) com quem vive na garagem e que trocam o corpo por dinheiro, a maioria para alimentar o vício.

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Lee Jeffries tomou como sua a missão de revelar a face humana do vício, da pobreza e da falta de um teto onde se lavar, comer, dormir. Os rostos que encontrou estarão infinitamente marcados pelas linhas profundas que a vida deixou. Os retratos, feitos em preto e branco, captando cada expressão, cada ruga, a textura da pele ou a força do olhar, colocam estas pessoas, não raras vezes marginalizadas, num novo lugar, de respeito, de exaltação da individualidade, da beleza e da dignidade de cada um.

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Na foto, Smoke. Ao longo de anos conturbados, ele foi baleado por três vezes, uma delas no rosto.

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John, sem-teto, é muitas vezes visto em Lincoln, South Beach, fazendo flores de folhas de palmeira para turistas.

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O fotógrafo diz ter ficado marcado pelo projeto e por histórias de abuso por parte da indústria do sexo, como a de Margo. No entanto, histórias como essas se multiplicam nas ruas. Nas fotos acima, mais um exemplo de pobreza extrema, Latoria.

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Um leilão de imagens como a de cima, em Paris, rendeu 20 mil euros para uma instituição de caridade e apoio a sem-tetos.

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Ainda que não solucione a maioria dos problemas, Jeffries usa a iniciativa como forma de mostrar que existem pequenas coisas que todos podemos fazer.

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Cowboy é mais um dos nomes que circula e dorme no piso irregular das ruas de Overtown.

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Rotuladas de “crack whores” (Prostitutas do crack), mulheres como Margo chegam a vender o corpo por 10 dólares, o suficiente para alimentar o vício por mais um tempo. São mal-tratadas pelos homens e têm consciência das suas escolhas. O fotógrafo, mais uma vez acerca de Margo: “ela opta por não se ajudar a si mesma e, talvez, o aperto de sua dependência é tal que ela nem pode [se ajudar]. Ela entende o que ela está fazendo, a vida que está vivendo. Ela entende as escolhas que faz, ela simplesmente não consegue ver uma saída”.

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Como em todas as outras situações da vida, as crianças são influenciadas pelo ambiente em que vivem os pais, mesmo que por vezes nem os conheçam.

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Britanny

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Trish é prostituta e na foto acima é retratada sem a peruca que usa habitualmente, quando assume o alter-ego Snow.

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Acima Snow. Ou Trish.

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Lee Jeffries tem outros trabalhos sobre o tema, que podem ser vistos na página pessoal que mantém no Facebook. O mais recente livro do fotógrafo, Lost Angels, pode ser encomendado aqui.

Todas as fotos © Lee Jeffries

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João Diogo Correia
É português, viveu no Brasil, Itália e Espanha. Fez a melhor viagem da sua vida pela África e agora está de volta a Portugal. Há mais de três anos, começou a trabalhar remotamente, a partir de casa ou em qualquer lugar com wi-fi, e por isso agradece todos os dias à internet.

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