Fotografia

Série de fotos registra a vida de um intersexual que é pai, avô e prostituta

por: Brunella Nunes

Esta é uma daquelas histórias que deixa qualquer um chocado. A fotógrafa Malika Gaudin Delrieu registrou imagens de Claudette, um  intersexual que, além de ter ambos os sexos, é marido, pai, avô, prostituta e ciclista premiado, e que posou para a série de fotos “La Vie en Rose”, mostrando alguns detalhes de seu cotidiano.

Casado há 52 anos com Andrée, que é mãe de seus três filhos, Claudette foi registrada em 1937, na Suíça, sob gênero masculino. Ainda sem definição exata sobre seu gênero, o que está em constante debate atualmente, ele – ou ela – afirma que nunca se sentiu mal por sua condição de intersexual, e que quem tem problema com isso são os outros.

Com isso, virou prostituta exatamente para entender as possibilidades e ramificações dos sexos, assunto tratado com orgulho e alegria, ou seja, mais um tabu superado por Claudette. Mesmo sendo nem um pouco convencional, ela se diz satisfeita com sua vida.

Pela profissão, aliás, ela tem uma luta a mais – e faz campanha para isso – contra o que é estabelecido pela sociedade: o preconceito. Embora muitas prostitutas vivam como vítimas, já que sexo vende, sendo parte do tráfico de pessoas, outras são por opção, são o oposto disso e têm em mãos uma profissão como qualquer outra.

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Tendo ambas as situações em vista, é extremamente necessário leis que protejam e sejam à favor essas pessoas, quando tudo o que a legislação quer fazer é escondê-las. E é exatamente o que este trabalho tão ousado da fotógrafa e de Claudette quer, mostrar que profissionais do sexo também são gente, também têm liberdade de escolha e total direito sobre o que fazem de seu corpo e suas vidas. Será que é tão difícil reconhecer uma profissão que é tida como a mais antiga do mundo? Já estamos em 2014 e isso ainda não aconteceu em muitos países.

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No Brasil transita, há 10 anos, o projeto de lei Gabriela Leite, nome em homenagem à mulher que virou símbolo da luta dos profissionais do sexo por direitos e respeito, criado por Fernando Gabeira e levado à diante pelo deputado Jean Willys, visa regulamentar a profissão com todos os direitos de trabalhadores comuns. 

Enquanto isso, a França aprovou ano passado uma lei que pune os clientes das prostitutas em 1.500 euros sob flagrante. No Reino Unido a atividade não é crime, ao menos que seja pega sendo feita na rua, sem a famosa discrição. Já na Alemanha, a situação é outra. A profissão é garantida por lei desde 2001, dando direito a benefícios sociais como aposentadoria. Mas a escravidão sexual se tornou um sério problema por lá, em bordéis não legalizados.

Fotos: reprodução Huffington Post/Malika Gaudin

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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