Entrevista Hypeness

Entrevista Hypeness: a mulher que quer acabar com “a loucura da beleza”

por: João Diogo Correia

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“Stop the beauty madness” (“Pare com a loucura da beleza”) é a campanha lançada pela escritora Robin Rice, que quer desafiar as pessoas a pensar sobre o padrão que aceitamos como belo e a influência que ele tem na nossa vida. Em 25 imagens, acompanhadas por pequenos textos crus, Rice mostra como há vida além do branca, alta, magra e sem curvas.

A autora é também criadora das produções “Be Who You Are” (“Seja quem você é”), onde se dedica a lançar o debate sobre as questões da aparência e da beleza irreal, trabalhada digitalmente e longe do que a natureza oferece à esmagadora maioria das mulheres.

No Brasil o cenário não é diferente e, por isso, o Hypeness foi falar com Robin Rice, que diz não querer culpar ninguém, mas apontar um caminho.

Hypeness (H) – Como é que a forma como uma mulher vê o próprio corpo influencia todas as esferas da sua vida?

Robin Rice (RR) – Em uma cultura onde o corpo e a beleza são saudados como o “sucesso” mais importante para uma mulher, não há nada que não toque a sua auto-imagem e imagem corporal. Está lá quando ela acorda e sai pela porta para ir trabalhar, e lá quando ela volta para casa para se despir e descontrair. Está em suas escolhas alimentares, suas opções de trabalho, seus relacionamentos com outras mulheres e com os homens. Afeta seu orçamento e posição social. Está em toda a parte.

H – Quais são os principais padrões impostos pela sociedade? Como chegamos neste ponto?

RR – Culturas diferentes funcionam de forma diferente, mas existe um “tipo” considerado bonito, e se você se desvia muito dele, terá de aceitar que você não se encaixa, e nunca irá se encaixar, ou trabalhar duro para “chegar lá” e ficar lá. As mulheres que se encaixam nos padrões estão tão presas como as que não, porque elas têm muito a perder com a idade ou com uma mudança de peso, etc…

Eu acredito que chegamos neste ponto porque tudo o que é vendido é colocado num cenário de “antes” e “depois”. Antes ela está cansada, mal vestida, triste… e depois de comprar o produto, a vida dela fica boa, perfeita. Isto está profundamente enraizado e está presente em cada anúncio que vemos por aí. Nós todos passamos a aceitar que os padrões são “verdadeiros” e “corretos”, mesmo que sejam culturalmente fabricados.

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“O que é que eu quero ser quando crescer? Bonita”.

H – O marketing e a publicidade são os únicos culpados?

RR – Talvez a gente tenha começado por aí, mas mesmo que eles sejam, isso não vai nos ajudar em nada. Culpar não nos ajuda. Está agora no poder de cada mulher decidir que não quer seguir essas ideias. Ela pode reconhecer a loucura e dizer “Basta” e “Eu não vou fazer mais isso”. Depois ela pode alertar as amigas, as irmãs, as filhas, etc… que não vai mais tolerar que elas se rebaixem também.

H – Alguns cartazes da campanha se dirigem também a quem critica a magreza. As pessoas estão criticando tudo? Estamos fechados em tantos padrões que já não é possível existir sem julgamento? Como nos livramos disso?

RR – Existe preconceito contra qualquer coisa que não seja perfeita. No mercado, as maçãs têm de ser perfeitas. Nas revistas, as modelos têm de ser perfeitas. Os carros têm de ser perfeitos. A educação tem de ser perfeita para oferecer uma aprendizagem de “nível superior”.

Quando estamos inseguros, nós julgamos. Essa é a forma de descobrir se estamos realmente em perigo ou não. É natural. Para travar isso, temos de permitir mais segurança, aceitando a beleza em todas as idades, tamanhos e cores de pele.

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“Inteligente o suficiente. Talentosa o suficiente. Não branca o suficiente. #nãoconseguiuotrabalho”.

H – Mesmo sabendo que as pessoas estão mais conscientes do problema, o conceito de beleza continua a determinar o sucesso e o insucesso das mulheres?

RR – Se elas se permitirem ser derrotadas pelos padrões impossíveis – coisa que a maioria faz -, então sim. Mulheres preocupadas com a sua beleza não aproveitam toda a beleza que as rodeia. Elas não estão arriscando ser vistas e ouvidas, coisa que é muito necessária para um mundo bonito.

H – A imposição de beleza nas mulheres é ainda muito diferente da que é feita com os homens?

RR – Não posso falar por dentro, mas eu diria que as mulheres sofrem muito mais. Os homens com quem falei entendem, mas não os atinge da mesma forma que às mulheres. Quando vêem estes anúncios, as mulheres não só entendem, como se sentem entendidas pela primeira vez.

Mas repito, os homens não são o problema. Os homens são maravilhosos e nós os amamos e esperamos pelo seu apoio. Mas terão de ser as mulheres a fazer essa mudança.

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“Meu namorado diz que eu ganhei uns quilos. Eu simplesmente amo a forma como ele sempre cuida de mim”.

H – Você acha que é realmente possível mudar aquilo que aceitamos como belo? Como fazer isso? O que cada pessoa pode fazer?

RR – Acho que é possível e acho que quanto mais falamos nisso, mais os padrões vão de uma “verdade” não falada para uma óbvia mentira. Mulheres de verdade vêm em todos os tamanhos e formas, todas as idades têm beleza, e o nosso valor tem a ver com muito mais do que nossa aparência.

Quando mais mulheres disserem isto, quando mais apoiarem isto, as coisas mudarão. Isso já está acontecendo, estamos vendo essas mudanças, por isso é só uma questão de tempo. As velhas regras do jogo já foram vistas por demasiadas pessoas para que possam continuar.

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“O que eu aprendi na escola hoje? Gorda. Porca. Leitão. Subumana. Nojenta. Por que não simplesmente se matar?”

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“Eu estou com uma p*ta fome”.

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“Ainda estamos lá?”

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“O que está errado com essa foto? Absolutamente nada”.

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“Então se eu esticar meu cabelo vou chegar mais longe na vida? Certo, mas quão livre é isso?”

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“Aquele estranho momento em que você tenta decidir se eu sou bonita”.

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“Estou supondo que você não espera que eu seja médica quando crescer?”

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“Eu ainda nem gosto de garotos”.

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“Oh meu… Pareço gorda nessa?”

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“Claro que eu tenho um relacionamento. Com o meu tamanho”.

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“Meus trunfos? Você está olhando para eles”.

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“Bonita: uma prisão para chamar de minha”.

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“Não um homem. Não uma besta. Não uma louca. Não tentando provar alguma coisa. Apenas fazendo uma escolha”.

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“Deixa ver se eu entendi. Você acha que eu sou inútil, mas se eu tirar minhas roupas você me dirá que eu sou bonita? Ok, está bom”.

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Como não podia deixar de ser, o movimento já tem hashtag: #stopthebeautymadness. Para saber mais, siga o link.

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Todas as fotos © Stop the Beauty Madness

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João Diogo Correia
É português, viveu no Brasil, Itália e Espanha. Fez a melhor viagem da sua vida pela África e agora está de volta a Portugal. Há mais de três anos, começou a trabalhar remotamente, a partir de casa ou em qualquer lugar com wi-fi, e por isso agradece todos os dias à internet.

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