Fotografia

Fotos sensíveis mostram como vivem os transexuais no sul da Ásia

por: Bruna Rasmussen

Homens que cresceram com vaginas, mulheres que nasceram no corpo errado e homens castrados que se comportam como mulheres compõem a comunidade Hijra em países como Índia, Paquistão e Bangladesh. Vistos como aberração por boa parte da sociedade sul-asiática, essas pessoas têm vontades, medos, necessidades e angústias, como mostra o sensível ensaio “Call Me Heena”, da fotógrafa Shahria Sharmin.

Conhecidos como “o terceiro sexo“, trata-se de transgêneros e enucos que, na maioria das vezes, vivem às margens da sociedade, apesar da combinação homem/mulher ser um tema frequente e relevante no Hinduísmo, religião predominante no sul da Ásia. Algumas dessas pessoas se identificam como mulheres, outras ainda não se abriram às suas famílias. Algumas dessas pessoas sonham em ter filhos, outras sonham em sobreviver o dia seguinte.

A fotógrafa começou a se interessar pelos Hijras ao conhecer Heena, uma mulher trans que trabalhava em uma fábrica de tecidos. Enquanto fotografava um projeto na fábrica, as duas ficaram amigas e Shahria Sharmin compreendeu que todo o preconceito que aprendeu a ter pelos Hijras era fruto da mais pura ignorância.

Encantada pelo mundo do terceiro gênero, a fotógrafa captou com delicadeza e profundidade momentos do dia a dia dessas pessoas. Em preto e branco, as imagens falam por si, mas fragmentos de cada história tornam a vida de cada um desses Hijras ainda mais humana e sensível. Entre os retratos, imagens da natureza completam o universo do terceiro gênero e tornam a série “Call Me Heena” ainda mais incrível. Confira:

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“Eu me sinto como uma sereia. Meu corpo diz que sou homem, minha alma diz que sou mulher” – Heena, 51

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Panna, 52, esperando clientes em uma noite de inverno.

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Shumi, 22, e Priya, 26, não retornarão às suas famílias. Elas vivem com um guru, líder da comunidade Hijra.

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“Eu gosto de ver como os homens se atraem por mim, como qualquer outra mulher” – Jesmin, 24

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“Eu sempre quis ser mãe, então adotei Boishakhi. Mas e se ele me chamar de ‘pai’ um dia?” – Salma, 27

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Pinky Guru, 56, líder da comunidade Hijra, em uma festa.

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Aporupa, 27, costumava vender ovos. Agora ela vende seu corpo durante 10 horas por dia em um pequeno quarto.

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Mãe se banha com seu filho, que não sabe sobre sua mudança de identidade.

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Nayan, 24, trabalha em uma fábrica de roupas. Durante o dia, trabalha na fábrica, o que é tido como forma digna de ganhar a vida. Mas à noite ela volta à sua comunidade Hijra.

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Todas as fotos © Shahria Sharmin

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Bruna Rasmussen
Bruna escreve para a internet desde 2008 e tem paixão por consumir informação e descobrir coisas. Adora gatos, inovação e é curitibana – fala “duas vinas”, mas dá “bom dia” no elevador.

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