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Fomos conhecer uma fábrica de sabonetes sustentável em plena Amazônia

por: Daniel Boa Nova

Ninguém em sã consciência se diz contra o desenvolvimento sustentável. Todos concordamos que é preciso respeitar o planeta para termos condições de seguir vivendo aqui. Mas nem sempre consumimos produtos seguindo esse princípio. E nem toda empresa faz o máximo que pode para reduzir seu impacto ambiental.

Ser sustentável custa caro. Para as pessoas, exige mudanças no comportamento de consumo. Para as empresas, exige mudanças organizacionais profundas que no curto prazo refletem nos custos.

Mas esse é um caro que pode sair barato se o desenvolvimento sustentável for prioridade na missão, visão e valores da empresa. Para quem já entendeu que produzir sem esgotar a fonte é obrigação e não uma opção, trata-se de um custo necessário. Foi isso o que o Hypeness constatou ao visitar o Eco Parque Natura, na região de Belém do Pará. Ali a sustentabilidade é um princípio que se aplica em cada relação da cadeia produtiva, e não apenas um termo bonito utilizado em ações de marketing.

Inaugurado recentemente, o Eco Parque ocupa cerca de 6% de uma área de 172 hectares onde antes ficava uma fazenda. Por essa razão, nenhuma árvore nativa foi derrubada na construção da unidade. Lá são produzidos sabonetes da linha Natura Ekos, mas o condomínio foi planejado para também receber outras empresas parceiras e gerar sinergia entre produtos e resíduos. Como diz Mauro Costa, gerente de relacionamento e abastecimento da sociobiodiversidade da Natura, “o que é resíduo para um pode ser matéria-prima para outro”. Os primeiros vizinhos já chegaram: a Symrise, empresa alemã fornecedora de fragrâncias e óleos, se instalou logo atrás da saboaria.

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A água das chuvas amazônicas que caem constantemente na região é captada para reuso no Eco Parque. Um dos recipientes de coleta é essa estrutura, que também serve como área de descanso para os funcionários. Na hora do almoço, não é raro ver um ou outro tirando um cochilo por ali depois de bater aquele pratão de açaí típico do Pará.

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O pátio da unidade conta com jardins filtrantes, técnica natural de processamento de resíduos através de raízes (também conhecida como phytorestore). Todo esgoto sanitário e industrial gerado pela fábrica é tratado nessas lagoas floridas abaixo, sem qualquer adição de componentes químicos ou consumo de energia no processo. Vale ressaltar como essa medida sustentável trouxe mais benefícios do que custos financeiros. Segundo José Mattos Neto, responsável pelas relações com o entorno do parque industrial, “a economia gerada com os jardins filtrantes já pagou o investimento feito neles”.

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A economia no uso de recursos naturais também foi pensada para o ambiente interno. No subsolo da fábrica foram cavados buracos que trazem para dentro o ar fresco já primariamente resfriado pela terra. Com isso, diminui o consumo de ar condicionado na instalação. Outra medida que contribuiu nesse sentido foi a construção de paredes duplas. Pelo vão o ar quente passa, esfria e só depois entra em circulação.

E a iluminação natural é quase onipresente. O espaço onde fica a linha de montagem tem pés direitos altos e claraboias no topo, que contribuem para reduzir o uso de energia elétrica.

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Quem já visitou uma fábrica de sabonetes tradicional ou mora perto de alguma sabe o quanto o aroma exalado por ela pode ser desagradável. Isso por conta do uso de gordura animal no processo, o famoso sebo. Não é o caso aqui. A empresa inovou ao desenvolver uma base para sabonetes com gordura 100% vegetal. São óleos extraídos de plantas da própria floresta amazônica. Se foto tivesse cheiro, essas a seguir seriam muito perfumadas.

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Mas essa inovação verde toda não seria possível sem a colaboração das comunidades nativas do local: os ribeirinhas da Amazônia.

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Morando entre a floresta e o rio, essas famílias agroextrativistas têm um papel estratégico na cadeia de produção. São elas as responsáveis por coletar as sementes de andiroba, o cacau, o cupuaçu, o açaí e as castanhas que são utilizadas na formulação dos sabonetes.

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Pode ter certeza: para extrair ativos da Amazônia ainda não inventaram tecnologia mais sofisticada e sustentável do que a deles.

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O Hypeness visitou a sede da Associação Jauari , que representa os ribeirinhas da região do Baixo Rio Moju e, desde 2008, fornece matéria-prima para a Natura. Mas, no Brasil inteiro, a empresa trabalha com mais de 30 comunidades, que envolvem cerca de 3 mil famílias. Até 2020, a meta é chegar a pelo menos 10 mil famílias envolvidas.

O princípio da relação é sempre o mesmo: respeitar as pessoas e extrair ativos da natureza mantendo a floresta em pé. Para isso, é feito um trabalho minucioso de capacitação técnica, regularização fiscal e os benefícios do negócio são repartidos com essas populações.

Sim, ser sustentável custa muito trabalho. E, até que a fonte seque, muitos não estão dispostos a pagar o preço. Mas qual a outra opção? Detonar a natureza até o planeta se transformar num deserto? Começar a se preocupar com a questão somente quando o produto estiver em falta no supermercado?

Enquanto a Natura vai semeando um modelo de produzir e gerar lucros sem comprometer o futuro do planeta, aquela velha forma que você já conhece se mantém presente na Amazônia. Está lá para quem quiser ver, a qualquer hora do dia.

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Aqui no Hypeness a gente tem certeza de que uma inovação só é boa quando traz benefícios aos consumidores e lucros para as empresas sem desrespeitar pessoas ou esgotar recursos naturais. Que mais e mais iniciativas sustentáveis como a do Eco Parque se proliferem e que mais e mais consumidores levem essas questões em consideração no ato da compra. É um cenário onde todos ganham.

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Todas as fotos © Daniel Boa Nova para o Hypeness

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Daniel Boa Nova
Redator / Roteirista / Produtor de conteúdo

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