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Prefeitura de São Paulo vai pagar salário mínimo para transexuais e travestis estudarem

por: Redação Hypeness

Você já viu uma travesti ou transexual com mais de 60 anos? Elas existem, mas são raras. Não que antes não houvesse transexualidade, mas a expectativa de vida dessas mulheres é de 30 a 40 anos, cerca de metade do restante da população. Isso acontece pois o preconceito e agressões constantes fazem com que elas abandonem a escola na adolescência e acabem recorrendo à prostituição para conseguir sobreviver. Além da violência inerente à profissão, a necessidade por transformar o corpo faz com que recorram a métodos pouco seguros, como o implante de silicone industrial nos seios. Tudo isso implica uma vida de riscos e uma morte precoce.

Quem sabe dentro de alguns anos, as transexuais e travestis da cidade de São Paulo possam ter uma realidade mais humana e segura. O primeiro passo foi dado pelo prefeito Fernando Haddad, que anunciará até o fim de janeiro a criação de uma bolsa de estudo voltada a esse público. A iniciativa, em um primeiro momento, irá contemplar 100 transexuais e travestis, que receberão um salário mínimo (R$ 788) para frequentar aulas em duas escolas municipais da cidade, além de terem a chance de participar de cursos técnicos do Pronatec. O objetivo é que ao fim de dois anos as mulheres saiam deste programa municipal já empregadas.

O programa funciona como o Bolsa Família e, se ampliado, poderá atender as estimadas 4 mil transexuais e travestis que habitam em São Paulo. A Prefeitura também irá garantir os estoques de hormônios femininos em unidades de saúde. A busca por esse tipo de medicamento é grande, mas consegui-lo é tão difícil que, muitas vezes, as mulheres recorrem ao mercado negro, aumentando as chances de estarem consumindo uma substância prejudicial ao organismo. Além dessas medidas, será inaugurado também um albergue público exclusivo para travestis, que muitas vezes precisam vender o corpo para conseguir moradia.

A iniciativa do município não obriga essas mulheres a abandonarem a prostituição, mas proporciona condições para que elas possam optar por saírem dessa atividade. Junto a essas medidas, é preciso que políticas LGBT sejam implementadas e que a luta contra preconceito siga em frente. Assim, essas mulheres poderão ter uma vida digna e segura.

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Foto © Agência O Globo

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Em 2012, Luma Andrade foi a primeira travesti no Brasil a apresentar uma tese de doutorado. Foto © Arquivo Pessoal/Reprodução

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