Arte

Há um corpo mumificado de um monge dentro desta estátua de mil anos

por: Redação Hypeness

No Brasil colonial, chamavam-se de “santo do pau oco” as imagens utilizadas como esconderijo para dinheiro e pedras preciosas. No Japão, a “surpresa” escondida em estátuas costuma ser outra. Em uma escultura tradicional de um Buddha sentado, o museu holandês Drents Museum descobriu, por meio de uma ressonância magnética, nada menos que o corpo de um monge mumificado. A estátua data do século XI ou XII.

Para o especialista Erik Bruijn, o monge é um mestre Liuquan que pertencia a uma escola de meditação chinesa há mais de mil anos. Embora a morte pareça óbvia para todos nós, muitos monges acreditam que ele não esteja morto, mas em um profundo estado de meditação. Até o século XVIII era comum a prática da automumificação entre os monges. Isso quer dizer que eles adotavam hábitos em vida que faziam o corpo atingir um estado semimorto.

O projeto de automumificação, muito mais complexo que qualquer projeto verão, pode apostar, envolvia mil dias de uma rigorosa dieta baseada em frutas e castanhas e a prática intensa de exercícios físicos com o objetivo de queimar toda a gordura do corpo. Feito isso, os monges ingeriam raízes e um chá desintoxicante que expelia parasitas e preservava o corpo. Cinco anos e meio depois e com um corpo livre de gordura e toxinas, o monge se recolhia para uma tumba de pedra, onde respirava por meio de um tubo e passava o restante de seus dias meditando. Para avisar que ainda estava vivo, batia um sino e, quando isso deixava de acontecer, os demais monges abriam a tumba para verificar seu estado. Os monges em estado de graça completa (vulgo, mortos) eram então expostos em templos.

Apenas 24 casos de automumificação foram descobertos e no caso desta estátua, é pouco provável que isso tenha acontecido, embora tenha esta sido a primeira hipótese dos historiadores. Em um exame complexo de endoscopia, foi constatado que em vez de órgãos o monge possuía folhas de textos budistas. A estátua ficará exposta no Museu de História Natural da Hungria até maio.

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Fotos © Drents Museum

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Foto © MMC/Jan van Esch

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Redação Hypeness
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