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Fomos entender as obras abstratas de Joan Miró em exposição em SP

por: Brunella Nunes

“Isso aqui qualquer criança faz melhor”. Essa foi a primeira frase que ouvi quando adentramos no mundo abstrato do artista catalão Joan Miró, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, até o dia 16 de agosto. Com entrada grátis às terças-feiras, a maior mostra já feita dedicada a este grande nome artístico reúne 112 obras vindas de coleções particulares e da Fundação Joan Miró, de Barcelona. 

Pode ser realmente difícil compreender as pinturas, gravuras e esculturas do surrealista Miró, conterrâneo de Salvador Dalí. Aliás, a dupla explorava o surrealismo, sendo o primeiro de modo abstrato e o segundo, figurativo, e o dadaísmo. Mas o grande barato da exposição “Joan Miró: a Força da Matéria” é se atentar aos detalhes, e não deixar de ler os informativos e títulos ao lado das obras. Isso não só agrega informação, mas também ajuda a entender o que está diante de nossos olhos.

De coração aberto, eu realmente estava disposta a me aprofundar em suas obras ao invés de só admirá-las, como aconteceu ano passado numa mostra menor na Caixa Cultural. A primeira coisa que notei foi que em 1942, Miró desenhava alguns monstrinhos em suas telas, mas isso, claro, vem da minha cabeça. Certamente, o artista abre espaço para o imaginário, assim como muitas pessoas acreditam que seus desenhos sejam infantis, rabiscos e etc.

Ao visitar a mostra, vale observar algumas de suas características e a evolução de sua obra:

1. Obsessões

Em seus esboços preparatórios, era obcecado em anotar os passos de suas experimentações, como por exemplo: “limpar os pincéis com óleo sobre o papel; uma vez que seca a cor, passar lixa de papel e pedra-pomes”. Ao olhar os títulos, sempre objetivos, nota-se que há outra obsessão, a de sempre retratar mulheres, pássaros, estrelas, luas e a presença da noite, representada pela cor preta. Este era, sempre, o primeiro traço que Miró fazia em suas telas, aplicando as cores só depois.

Os pássaros eram, para ele, mediadores entre o céu e a terra.

2. Cultura oriental

Miró era fascinado pelo Extremo Oriente, em especial pela forma japonesa de pintura Ukyo-e,  e em 1962 utilizou elementos do gênero, pequenos toques de cor e signos para formar suas pinturas. Abaixo podemos ver uma alusão aos Kakemonos, tipicamente encontrados em casas de chá do Japão.

3. Traços livres

Prezando pela liberdade e entregue à experimentação, Miró aflorava seu lado mais criativo, espiritual e até primitivo, para compor seus desenhos, gravuras e pinturas. Aliava a espontaneidade à técnica. Abaixo, o retrato de um cachorro.

4. Sucatas

Para compor as esculturas, Miró utilizava objetos recolhidos por onde passava, revelando que a sucata também fazia parte de suas criações, assim como a madeira e o bronze. Coisas descartadas e esquecidas, como a cabeça de uma boneca, ganhavam nova vida, unificadas através de sua obra.

5. Simplicidade

O fato das obras de Miró serem simples e compostas por materiais singelos não excluem seu talento clássico e que transcende padrões. Seu legado revela um lado poético, cru e sensível sobre sua maneira de observar o mundo e o cotidiano, endeusando a figura da mulher, esta representada propositalmente sem traços específicos, e fazendo com que elementos da natureza estivessem sempre presentes, criando uma ligação direta com os céus. Tais fatores uniam seu lado espiritual ao material, daí a força da matéria.

Encontrei o estilista Dudu Bertholini na exposição, buscando inspiração para criar ainda mais. Obrigada pelo clique, Dudu!

Joan Miró: a Força da Matéria @ Instituto Tomie Ohtake | Até 16.08.15 Rua Coropés, 88 – Pinheiros – SP

Terça à domingo, das 11h às 20h. Entrada grátis às terças-feiras; demais dias: R$ 10,00 (inteira); R$ 5,00 (meia)

A partir de 02 de setembro, a mostra chega em Florianópolis, SC.

Todas as fotos © Brunella Nunes

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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