Desafio Hypeness

O que aconteceu quando passei uma semana tentando não produzir lixo

por: Redação Hypeness

Quando chegou essa sugestão de pauta para mim, sinceramente eu duvidei que fosse conseguir limar metade do lixo que produzo.  Parece que somente quando nos vemos diante de um desafio como esse, passamos a notar a quantidade absurda de lixo que produzimos sem perceber.

Uma das primeiras coisas que você saca quando decide reduzir o lixo é que eliminar as pequenas atitudes já embutidas no nosso dia-a-dia, como a segunda via da compra, são as que mais fazem diferença no fim das contas. Pense em quantos papeizinhos são poupados de saírem da maquininha, entrarem na sua carteira e destinarem-se ao lixo, assim que você chega em casa. Colocar o melão no saco plástico no mercado é realmente necessário? E aquela bandejinha de isopor que vem nos frios, precisa mesmo? A revista que você comprou na banca de jornal precisa vir num saquinho plástico ou você poderia colocá-la direto na bolsa? E a cópia da sua conta de telefone, precisa mesmo vir pelo correio ou você pode conferir tudo pela internet? São questões que eu não me perguntava antes de topar entrar de cabeça nesse desafio. Vou contar um pouco das dificuldades e facilidades de evitar o lixo e na escolha do “melhor” lixo para se escolher quando não há solução. Espero que minha semana gere algumas reflexões também no seu dia-a-dia:

Dia 1

Acordei super empolgada, mas já me deparando com o cocô dos meus 3 cachorros e a caixinha de areia da minha gata. Não vou produzir lixo, não vou produzir lixo, não vou produzir lixo: meu mantra da semana. Antes, eu descartava tudo DIARIAMENTE num saquinho plástico de supermercado. Péssimo, já que o plástico é o pior material que a gente pode escolher pensando no tempo que ele leva para desaparecer do mundo (mais de 100 anos) e na sua atuação nos lixões (criam camadas impermeáveis, prejudicando a decomposição dos materiais biodegradáveis). Então tentei jogar todo o cocô deles no vaso sanitário. Olha, se a sua descarga não for a mais forte do mundo, esqueça. A minha não é, o vaso entupiu. Minha primeira atitude falhou. Foi triste. Mas aí encontrei uma solução bacana para não usar as sacolinhas de plástico: papel kraft. Forrei todos os lixos de casa com ele, inclusive o lixo dos cachorros. É claro que o papel é bem menos resistente do que o saquinho de lixo, mas por sorte ou rotina mesmo, nada no meu lixo é úmido a ponto de fazer o papel desmanchar. Pelo menos o papel demora beeem menos tempo para se decompor na natureza: dois a três meses. Você pode utilizar jornal também.

lixo8

lixo11

Dia 2

No primeiro dia não fui tão competente, então quis dar uma guinada no segundo. Mas como? Simples. De manhã, na ginástica, uma coisa óbvia pulou na minha cara: o papel para secar rosto e mãos. Ninguém morre por deixar a mão molhada e quem se incomoda, pode levar a própria toalhinha pra academia. Ponto pra mim. Deixei de usar 21 papéis na semana. Eu esqueci a toalhinha todos os dias, então, engajada na missão, secava na roupa mesmo, como mostro na foto. Dá pra ver minha camiseta com marca de dedo?

Chegando em casa pro almoço, outra maneira fácil, fácil de evitar a produção de lixo: trocar o guardanapo de papel pelo guardanapo de tecido e voilà, menos 14 guardanapos no seu lixo. Se pensarmos em um ano, deixamos de produzir cerca de 730 guardanapos de papel.

lixo7

Dia 3

De manhã, gosto de comer banana com aveia e eu sempre tive o maior dó de desperdiçar a casca. Como tenho jardim e vasos aqui em casa, dei um super Google e descobri que a casca da banana faz um bem danado pra terra do jardim, porque ela tem potássio e fósforo (o bacana é picar a casca e distribuir pela terra pertinho da base das plantas). Casca de ovo também faz bem, porque tem cálcio, magnésio e potássio (deixe a casca secar e jogue tudo no liquidificar até fazer um farelo, que você vai colocar na terra dos vasos). O mesmo para a borra de café: você coa e joga um pouquinho na terra. A minha ideia é ter uma composteira pra fabricar meu próprio adubo e usar os alimentos que sobram no dia-a-dia (com exceção de alimentos temperados e frutas cítricas). Dá pra fazer até composteira só com cocô de cachorro, mas aí você não pode usar esse adubo para plantas frutíferas, temperos, vegetais. Fim do dia, estou mais animada, porque consigo perceber que deixar de produzir lixo nem é tão trabalhoso assim.

lixo5

lixo3

Dia 4

Carro sem gasolina, vamos pro posto! Meu momento de dizer que não, não quero a minha via! MAAAAS na hora em que digitei a senha do cartão, apareceu outro funcionário me perguntando se eu queria ver o óleo, aí me distraí e de repente estava lá na minha mão a via idiota, que ia pro meu lixo sem nem ser lida. Deu raiva.

Eu devia estar avoada nesse dia, porque no supermercado, ao finalizar a compra, a caixa me perguntou se eu queria saquinho, consegui responder não e, talvez porque estivesse comemorando internamente, esqueci de dizer não pra segunda via e ela veio pra mim, pela segunda vez no mesmo dia. Estamos muito condicionados a desperdiçar principalmente o papel. Pra que segunda via? Eu tenho app do banco no celular, sei onde e quanto gastei num clique, minha gente. Tenso.

Chego em casa e uma correspondência do banco me informa o extrato do meu cartão de crédito que posso conferir tranquilamente pelo celular. Ligo para esse banco e para o outro em que tenho conta e cancelo todas as correspondências, que costumam me enviar. Aproveito e ligo pra minha operadora de celular e faço o mesmo. Ufa, meu dia não foi perdido e as cartas de banco que já estavam ali foram para o meu lixo de recicláveis. No meu bairro o caminhão da coleta seletiva passa às sextas, pra saber o dia da sua rua (e se existe coleta seletiva no seu bairro) é só fuçar no site da Prefeitura.

Dia 5

Supermercado: frutas em bandejinha, nem pensar, aliás pra quê? O gosto das outras é o mesmo, tá? Não é só porque essa tá na bandeja que ela é mais saborosa e limpa. Vai lá escolher na banquinha, confio no seu olhar. Saquinhos de plástico, daqueles transparentes, para pegar legumes e frutas eu dispensei e levei as ecobags. O grande problema foi na hora de comprar xampu, condicionador, sabonete, amaciante de roupa. Não existe refil pra essas coisas (ou existe e sofro de Alzheimer e desinformação – se alguém souber me avisa) e a gente sempre tem que comprar o conteúdo com a embalagem, que é sempre de plástico, ou seja, mais problema no lixão (não preciso nem dizer que essas coisas não devem ir pro lixão, só pra reciclagem, né? já fez sua parte hoje?) Existem na internet, algumas receitas caseiras para todos esses produtos. Eu testei a do xampu (bicarbonato de sódio, abacate e água) e deu certo, é meio estranho lavar o cabelo sem espuma, mas rola e o melhor é que nada químico desce pelo ralo do seu banheiro. Eu sei que é outro nível de não produção de lixo e exige tempo, mas se você está pensando no mundo e no futuro dele, bora lá!

Produzindo o próprio xampu e condicionador a gente deixa de jogar fora em média 20 embalagens de plástico por ano. O sabonete não deu tempo de fazer, mas como estava faltando em casa, escolhi aquele com a embalagem de papel, pensando no impacto dele no meio ambiente. No caixa, optei pela ecobag, em vez dos saquinhos que o supermercado libera e já me adiantei: quero CPF na nota, não quero saquinho, nem segunda via. Ao finalizar as compras, a mocinha do caixa imprimiu e me deu a P*&$a da segunda via. Fiz a minha cara de desespero e levei bronca dela: joga no lixo já que você não quer. Não respondi nada. Deveria. Sou uma tonta.

lixo10

lixo9

Dia 6

A ração dos cachorros tá quase no fim, então decidi visitar um lugar que vende ração à granel aqui perto. Olhei, pesquisei sobre o assunto na internet, não tive coragem. A ração exposta está sujeita ao contato com ratos que podem até urinar nela e os fungos do local também podem contaminá-la. Dei meia volta e fui ao pet shop em que estou acostumada a comprar os sacos de 20 quilos. Pelo menos não me esqueci de dispensar a segunda via e os saquinhos plásticos, levei 20 quilos na mão até o porta-malas.

Ainda no a granel: parei em um site de comida a granel, que já tinha bisbilhotado há alguns dias, com o mesmo medo que senti na história da ração. Esse tipo de lugar tem que ser muito de confiança, como eu não posso ver, porque é virtual, abortei a missão. (Se alguém quiser escrever aqui nos comentários algo a favor, sinta-se à vontade, eu quero consumir produtos sem embalagens do fundo do meu coração.)

Dia 7

Dia de coleta! Os poucos lixos produzidos vão parar em um saco preto de 100 litros (existem também na versão biodegradável), que só vou colocar pro caminhão recolher quando estiver bem cheio, assim evito também descartar três por semana, que é o número de vezes que o caminhão aparece por aqui.

No final, até que minha semana foi produtiva, ou melhor, não produtiva de lixo. Falhei em alguns momentos, mas tenho certeza que, com um pouco mais de empenho, sou (somos) capaz de evitar o desperdício e repensar minha rotina. Não é difícil. Talvez não precise, neste momento, fabricar o próprio xampu, eu sei que isso é outro nível de força de vontade, mas com simples coisinhas, como a da segunda via, do guardanapo de papel, dos copinhos de plástico que vêm junto com as latinhas de refrigerante que compramos, o mundo ficaria um pouco menos obstruído, não?

Fim do desafio. Pra comemorar, abri cerveja, é claro. Assim que tomar todas, não vou jogar as garrafas no lixo da coleta, porque posso devolver os cascos ao supermercado e ainda ganhar desconto na próxima rodada. Boa semana sem lixo pra vocês.

lixo1

ps: e você, topa entrar nesse desafio também? Publique nas suas redes sociais fotos com a #desafiohypeness14 e #1semanasemlixo. Queremos acompanhar o resultado!

Texto e fotos por Priscila NicolieloHypeness

faixa-desafio-hypeness

Publicidade


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
O Brasil já está se preparando para gerar energia elétrica com a força das marés