Viagem

Alunos de colégio brasileiro trocam viagem de formatura por volunturismo

por: Brunella Nunes

Há muitos anos, escolas organizam viagens de formatura para alunos do 9° ano do ensino fundamental e do 3° ano do ensino médio. Ansiosos, eles já pensam em curtição, piscina, praia e tudo o que tiver direito na hora de se divertir com os amigos. Mas o colégio particular brasileiro Sidarta inovou e propôs que os alunos experimentassem o volunturismo, neologismo que mistura turismo e trabalho voluntário. E foi assim que eles foram parar em Florianópolis.

Localizado em Cotia, na grande São Paulo, o instituto já tem em suas raízes uma filosofia de ensino regida por três princípios: teorias não substituem a experiência de vida; sabedoria é reconhecer a unidade que existe na diversidade; é essencial estimular a consciência do serviço à sociedade. Com isso em mente, uma agência parceira em conjunto com a equipe pedagógica dedicou-se a elaborar um roteiro cujo objetivo não visa o lazer, mas a iniciativa de auxiliar determinadas comunidades e projetos, enquanto explora um lugar novo e descobre outras culturas.

A turma optou por ir a Florianópolis, onde durante uma semana do mês de setembro tiveram uma rotina intensa de trabalho voluntário de cunho sócio-educacional e contato com a natureza dentro do Revolução dos Baldinhos, projeto instaurado na comunidade Chico Mendes, que sofria com um problema de acumulo de lixo. A viagem de formatura, como é proposta nas escolas, é uma experiência que é de lazer e diversão mas não agrega tanto valor. O que a gente procurou trazer para os meninos foi uma experiência nova, diferente, que pudesse trazer descobertas e autoconhecimento. A gente pode perceber o envolvimento deles, a dedicação, o interesse…”, contou a diretora da escola Maria Aparecida Scheiler ao Hypeness.

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Mas é claro que, de início, houve estranhamento por parte dos alunos, que a princípio queriam mais é se divertir com a viagem de formatura. “Eu fiquei decepcionada no início, mas quando a gente chegou, com tudo que a gente fez na Revolução dos Baldinhos e no Parque Estadual do Rio Vermelho, a gente veio fazer muito mais do que só trabalho voluntário. A palavra chave para o volunturismo é redescobrimento. Fazendo uma viagem dessas você vai redescobrir você mesmo, seus colegas, o seu país… As relações que você vê no mundo você vai ver com outros olhos., disse a aluna Natalia Gisela Prates de Oliveira. O colega Luca Moreno Louzada concorda e se sentiu bem ao fazer parte do processo transformador. “Eu acho que é importante desmistificar o que é fazer trabalho voluntário – parece chato, difícil e distante, mas na verdade pode ser muito divertido se você está fazendo algo que você gosta, com os seus amigos, conhecendo outros lugares e pessoas diferentes… é tudo novo e interessante”.

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A gestão comunitária dos resíduos orgânicos é sincronizada à prática de Agricultura Urbana em parceria com o CEPAGRO (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo). Voluntários recolhem e fazem a compostagem de mais de dez toneladas de resíduos orgânicos por mês. Os alunos conheceram de perto a vida e o cotidiano dos moradores, vivenciando todo o processo de coleta, transporte, armazenamento e o até o lixo orgânico se tornar adubo. Fizeram ainda visitas domiciliares para distribuição deste adubo e de mudas de plantas para a comunidade, como parte de um projeto de horta vertical. A ONG Casa da Criança também esteve no roteiro, recebendo uma visita do Sidarta

A experiência foi um sucesso, mas a diretora Cláudia Siqueira dá um alerta, para, quem sabe, conseguir reverter este cenário. “Nós tivemos uma grande dificuldade em encontrar um parceiro que fizesse esse tipo de viagem com menores de 18 anos, o que é uma pena – nosso país ainda não está preparado pra isso, o que dificulta o nosso trabalho”, explicou, mas ainda assim ressaltando a importância de tais iniciativas. “O volunturismo deveria fazer parte da agenda de qualquer lugar que se propõe a educar pessoas. Esse tipo de interação nesse circulo de amigos, com os colegas de classe, humaniza relações.” Assim se constrói novas formas de se educar, ajudar e expandir o conhecimento de pessoas ainda tão jovens, com um mundo de possibilidades pela frente. A primeira porta das grandes descobertas já foi aberta e isso é o mais importante.

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Volunturismo pra mim é quebra de barreiras e um modo novo de ver a vida – antes não tinha noção do que queria fazer no meu futuro, e agora sei que tem a ver com  ajudar as pessoas. Significou muito pra mim ver cada sorriso.”Ana Senf Fernandes

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“Essa vivencia de aprender na prática trouxe pra mim um entendimento melhor, entrou mais em mim e é uma experiência que nenhum livro vai conseguir me dar.”Ana Carolina Nuzzi Fernandes

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“A primeira impressão que eu tive foi irritação por ter que ir pra outro lugar, plantar, trabalhar com criança… Eu nunca achei que fosse gostar disso, sempre tive na minha cabeça que  não combina comigo, mas na verdade quando eu cheguei aqui eu redescobri… eu mesma. Minha visão de mundo mudou completamente.” – Sofia Barbuzza

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“Achei estranho – era muito diferente do que a gente fazia antes, mas estou aprendendo muito, sobre coisas que nem esperava aprender. Estou me sentindo muito diferente do que eu sou em São Paulo. Eu nunca faço essas coisas e é especial. Sinto uma liberdade. É tanta coisa que a gente está fazendo…Luana Goes Forin

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Todas as fotos: Divulgação

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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