Cobertura Hypeness

Acompanhamos uma oficina de graffiti pra idosos na Virada Sustentável de SP

por: Brunella Nunes

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A arte de rua começa a cair nas graças da melhor idade, que tem pouco a pouco despertado interesse pelo graffiti, mesmo que ainda com receio de algo novo. Durante a Virada Sustentável de São Paulo, um grupo de pessoas entre 55 e 75 anos revelou sua veia artística durante uma oficina de graffiti para a terceira idade.

Quem contou um pouco sobre essa modalidade e ensinou as técnicas foi Mari Pavanelli, artista que espalha flores e rostos femininos pelos muros da capital. Explicações feitas, é hora de por a mão na massa e começar a se expressar. Os alunos, empolgados com a ideia, treinaram desenhos livres numa tábua de madeira, junto com algumas crianças que também quiseram participar.

Enquanto eu observava tudo lá do alto, uma senhora parou do meu lado e comecei a incentiva-la a ir para a aula. “Ah não, hoje eu só vim olhar mesmo…minha neta que tinha comentado comigo”, e mesmo bem curiosa, ela realmente não foi.É legal aprender algo novo. Eu sempre costurei, mas a gente tem medo de tentar coisas novas também, continuou. Ela foi embora enquanto eu estava tirando fotos e não consegui perguntar seu nome.

Mas o fato é que numa idade já avançada, é preciso ter coragem pra encarar novidades. Um tanto de ousadia também, como se via no graffiti do radialista Leonid Jordan, 59 anos, que foi o único que escreveu frases em seu mural, como “sociedade alternativa”. “Dá pra sentir aquela adrenalina, é tão gostoso. Quando for perto da época de eleição vou escrever o nome de alguns políticos que eu não gosto, que são ladrões. A arte também serve para protestar, contou, acompanhado do filho de 11 anos.

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Ao lado dele estava Leonilda Freire, 75 anos, acompanhada da filha e super empolgada com seu novo aprendizado. Nossa, eu estou adorando, é muito bom. Nunca tinha feito nada assim. A gente vê na rua e é tão bonito. Só não gosto de pichação, disse ela enquanto se preparava para usar o spray mais algumas vezes. Depois de treinar, chegou a hora de levar a arte a outro patamar e pintar uma mesa de ping pong que estava no pátio do Centro Cultural São Paulo. Mari desenhou algumas flores e a missão era pinta-las, o que exigia precisão para não sair do traço.

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Concentrados, todos fizeram um trabalho cauteloso e caprichado, finalizado pela artista com alguns retoques. A mesa, colocada ali para uso comunitário, ficou não só colorida mas a cara da Primavera que vem por aí, repleta de belas flores que trarão novos ares para o local e para a vida dos participantes.

É, parece que a máquina de costura vai se aposentar logo logo, porque aí vem uma turma, que não aparenta mesmo a idade que tem, pronta para rabiscar os muros tristonhos da cidade. “Mas tudo autorizado, né”, indagou Leonilda enquanto eu tentei colocar um sementinha de rebeldia na cabeça dela. Tá bom, pode ser.

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mesapronta Foto: Conexão Cultural

A ideia, inspirada no projeto português Lata 65, que há alguns anos insere idosos na arte de rua, foi promovida pelo Conexão Cultural. Acompanhe a agenda para saber as próximas datas das oficinas e convença seus pais e seus avós.

Todas as fotos © Brunella Nunes | Hypeness

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.


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