Desafio Hypeness

O que aconteceu comigo quando fui em uma sessão de hipnose pela primeira vez

por: Bruna Rasmussen

Pode se sentar confortavelmente na poltrona. Mantenha os pés tocando o chão. Isso. Agora sustente os braços esticados na altura dos ombros. Deixe a palma da mão esquerda para cima e feche a direita como se fosse segurar um fio. Ótimo. Feche os olhos. Agora eu vou colocar na sua mão esquerda uma melancia bem grande e pesada. Na mão esquerda, vou amarrar dez daqueles balões de festa, de hélio. Concentre-se na melancia, grande e pesada…

E foi assim que eu senti um dos músculos do meu braço esquerdo ceder. A melancia, criada por parte do meu cérebro, não existia no mundo real, mas meu membro afundava com seu peso. E a outra parte do cérebro, que questionava ceticamente tudo aquilo, já começava a se perguntar se há diferença entre o real e o imaginário.

Minha única experiência com hipnose até então havia sido quando balancei avidamente um colarzinho de metal em frente a uma fila de amiguinhos da escola e tentei fazer com que eles dormissem – sem sucesso. Eu tinha uns seis anos de idade, mas até um mês atrás, meu conhecimento sobre o assunto era o mesmo: resumia-se aos mitos ensinados em desenhos animados e filmes da Sessão da Tarde – hipnose é controle de mente, é coisa de charlatão, obviamente não funciona. Mas, felizmente, isso mudou.

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David Bitterman, do Hipnose Curitiba, usa a técnica de hipnose principalmente para tratar casos de Depressão. Foto © Hypeness

Uma das melhores coisas de trabalhar escrevendo para o Hypeness é poder aprender coisas e ter a chance de refletir sobre conceitos diariamente. Há algumas semanas, recebi uma pauta sobre hipnose. Sem saber muito bem por onde começar, acabei conseguindo o contato do David Bitterman, um hipnoterapeuta que há quase 10 anos atua aqui em Curitiba e que dá cursos sobre hipnose.

Preciso dizer que o ceticismo foi grande durante toda a pesquisa sobre o assunto e nas conversas que tive com o David. Contudo, aprendi coisas incríveis sobre a hipnose e desfiz todos os mitos relacionados à prática que estavam enraizados em mim. A semana de “imersão” no tema foi intensa e teve como resultado a matéria que você pode (e, modéstia à parte, recomendo!) ler aqui.

A hora da verdade

Com a lição de casa feita e a base teórica compreendida, o David me fez uma proposta irrecusável: “e aí, quer experimentar?” Depois de tanto ler depoimentos e conversar com pessoas que já haviam sido hipnotizadas, eu tinha a chance de sentir na mente o tal do transe hipnótico – além de, claro, saber de uma vez por todas se funcionava mesmo ou não.

Aceitei a experiência, sentindo-me segura com o aprendizado teórico que tive acerca do tema. A caminho do consultório do hipnoterapeuta é claro que eu estava um pouco nervosa, mas mentalizava o que havia aprendido sobre hipnose:

  1. Hipnose não é sono, mas um estado de consciência alterado;
  2. Você pode sair do transe a qualquer momento;
  3. Ninguém pode te obrigar a fazer o que você não quer;
  4. A proposta da hipnose é trabalhar com sugestões no inconsciente;
  5. Não dói, não muda sua personalidade, não é para sempre.

Confesso que me decepcionei um pouco quando vi o David pela primeira vez e ele não estava usando uma cartola, uma roupa excêntrica nem portava um relógio de bolso. Brincadeiras à parte, David é um cara normal que começou a se interessar pela hipnose após ver resultado no tratamento que sua esposa fez contra Síndrome do Pânico. Encantado com a resposta dela à hipnose, ele se aprofundou no assunto, começou a estudar e hoje atende em seu consultório e dá cursos. Para hipnotizar alguém, você não precisa de poderes mágicos ou equipamentos caros, mas de uma poltrona confortável e de técnicas – que ele mostrou ter de sobra!

Enquanto eu mantinha os dois braços estendidos perpendicularmente ao corpo e sentia aquela grande e imaginária melancia fazendo com que meus músculos cedessem, minha mente estava dividida. Eu estava relaxada e concentrada nas palavras de David, mas ao mesmo tempo uma voz incrédula dentro da minha cabeça contestava o que acontecia e dizia ser absurdo um músculo se render a uma simples ideia. O fato é que até o fim da sessão, eu descobri que não existe “uma simples ideia”.

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Pedi ao David que me clicasse em estado de transe. O relaxamento do corpo e dos músculos da face é visível. Foto © Hypeness

Pensando na melancia e focada no que David me dizia, com voz suave e ritmada, fui enfim abaixando o braço. “Quando seu braço esquerdo tocar o seu joelho, você vai relaxar” repetia ele, à medida que o membro se aproximava do joelho, como um ímã, e a voz do ceticismo, que digladiava com a concentração, esmorecia.

Relaxei. Desliguei o corpo da mente. Relaxei como há tempos não fazia. Sentia minhas mãos feito pedra, apoiadas nos joelhos. Tentei mexer os dedos dos pés – em vão. Sabia que eles estavam lá, sabia que o hipnoterapeuta caminhava pela sala enquanto repetia seus gentis comandos, sabia que a situação toda era um tanto quanto cômica, mas era tudo tão bom. Eu não queria deixar aquele transe. Eu não queria sentir meus dedos.

Então David me fez viajar. Com palavras, conduziu-me a um lugar seguro, longe de tudo e todos, onde eu me sentia feliz e, sobretudo, protegida. Por algum tempo ele me ajudou a mentalizar esse espaço e a me concentrar nele. E quando eu estava relaxada e com um foco apurado nesse ambiente imaginário, David começou a sugerir pensamentos. Vale lembrar que este foi um experimento isolado.

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Foto © Hypeness

O hipnoterapeuta não tinha uma questão específica para abordar e não sabia nada da minha vida ou dos meus problemas. Sendo assim, ele optou por sugerir pensamentos positivos, que me dariam mais motivação e que fariam com que eu me sentisse bem. Em uma conversa que tivemos antes, ele explicou que o tratamento com a hipnose dura no mínimo seis sessões e busca trabalhar dificuldades específicas, como casos de depressão e compulsão. Como eu só queria experimentar o transe, ele se limitou a sugerir ideias positivas.

Não sabia dizer quanto tempo fiquei em transe. Quando eu saí do meu lugar mágico e imaginário e abri os olhos para aquela sala, não pude conter um sonoro “uau!”, que foi seguido por uma risada de David. Então, ser hipnotizado era isso. Não imitei uma galinha e não mordi uma cebola, mas aprendi que a mente é deveras poderosa e me sentia como se tivesse dormido por longas horas. Estava bem disposta, apesar do longo dia, e impressionada com a experiência.

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David iniciando uma auto-hipnose e, depois, já em transe. Foto © Hypeness

Sim, eu havia relaxado, mas estava me sentindo muito ativa. Poderia trabalhar por horas ou correr por quilômetros. Aliás, foi o que fiz. Saindo do consultório, passei em casa trocar de roupa e fui para minha corrida diária, em que tive um rendimento muito bom. Qual é a diferença, então, entre a meditação e a hipnose? “A meditação é feita para você não pensar, a hipnose é feita para você pensar muito”, disse David, convencendo-me de uma vez por todas de que a prática da hipnose vai muito além dos mitos estabelecidos em torno dela. Mas como disse o hipnólogo norte-americano William Blank, “a hipnose é, na pior das hipóteses, o melhor placebo do mundo.

Obrigada, David, pela experiência!

E você, já tentou? Conta pra gente como foi a sua experiência com a hipnose.

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Bruna Rasmussen
Bruna escreve para a internet desde 2008 e tem paixão por consumir informação e descobrir coisas. Adora gatos, inovação e é curitibana – fala “duas vinas”, mas dá “bom dia” no elevador.

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