Arte

Banksy lança novas obras de protesto em campo de refugiados na França

Gabriela Alberti - 14/12/2015 às 08:09 | Atualizada em 14/12/2015 às 12:34

E lá vem ele de novo – Banksy, o famoso e polêmico artista britânico, com seus grafites carregados de críticas políticas e sociais. Desta vez, o alvo da sua obra foi o drama dos migrantes do Oriente Médio.

Mais especificamente dos que vivem num antigo depósito de lixo em Calais, cidade francesa que fica perto da fronteira com o Reino Unido, e é atualmente um dos maiores e mais perigosos campos de refugiados na Europa, também conhecido como “A Selva”.

Em um dos quatro grafites, que foi pintado logo na entrada de Calais e é provavelmente o mais emblemático da série, Banksy retrata Steve Jobs com um Macintosh antigo em uma das mãos e uma sacola preta na outra. A ideia do artista é lembrar que Jobs foi filho de um imigrante sírio, que se mudou com a família para os Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial.

Somos muitas vezes levados a acreditar que a migração drena os recursos de um país, mas Steve Jobs era filho de um sírio. A Apple é a empresa mais rentável do mundo, paga mais de 7 bilhões de euros em impostos todos os ano – e isso é só porque deixaram um jovem vindo de Homs entrar”, disse Banksy em uma das raríssimas explicações às suas obras.

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Em outra obra, o artista faz uma interpretação própria de Le Radeau de la Méduse, famosa pintura de Theodore Gericault (1791-1824), onde grafitou a mesma cena do naufrágio mas acrescentando ao fundo um iate luxuoso, retratando uma cena bem comum nos mares do Mediterrâneo e Egeu, principais rotas de fuga dos migrantes.

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Não estamos todos no mesmo barco”, escreveu o artista em seu site.

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As outras duas obras que completam a série em Calais:

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“Maybe this whole situation will just sort itself out.

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O olhar à tão desejada Inglaterra, que fica apenas a 30km do campo dos refugiados.

Não é a primeira vez que Banksy intervém na causa dos migrantes. Após encerrar as atividades de Dismaland, seu próprio parque temático criado no interior da Inglaterra, o artista enviou todas as madeiras utilizadas nas obras e mais alguns materiais para a construção de abrigos de emergência e de um playground improvisado na Selva.

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Dismaland virou Dismal Aid.

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Todas as imagens: Divulgação.

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Gabriela Alberti
Aquariana, curitibana, canhota e (só um pouco) teimosa. Curiosa desde o berço, tô sempre em busca de novidades, da senha do wi-fi, de novas séries para virar o fim de semana e de passagens promocionais para, quem sabe um dia, dar a volta ao mundo.

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