Inovação

MDMA poderá ser usado para tratamentos psicológicos no Brasil

por: Redação Hypeness

MDMA, também conhecido com ecstasy, já é aplicado em alguns países na recuperação de pacientes que sofrem com Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). A novidade agora é que, em breve, o Brasil também deve entrar na onda e fazer alguns testes para estudar o impacto da substância, quando usada de maneira complementar ao acompanhamento terapêutico em pacientes com trauma.

MDMA não é ecstasy!

A metilenodioximetanfetamina (MDMApop MD, Molly) é uma droga sintetizada em laboratório, transformada em cristais incolores e inodoros que normalmente são misturados com água e cujo efeito causa euforia, sensação de bem-estar e alterações sensoriais. Utilizado no mundo inteiro, o MD ficou popular entre os jovens, principalmente em festas rave.

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MDMA. Foto: ©Burbuja.

O ecstasy (pop bala, pastilha) também é uma síntese de MDMA, alucinógenos, anfetamina, cafeína, aspirina, ácido (LSD) e até talco e farinha. É comum ser manipulado em pílulas ou pó. Mas a verdade é que se tratando de drogas em países onde o uso é criminalizado, você nunca sabe o que está tomando. Mas em sua essência, ela também é usada em busca de euforia e expansão dos sentidos.

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Ecstasy. Foto: ©Dizaboa.

E se você é fã de Breaking Bad não confunda nada disso com metanfetamina, ok? Essa é ainda mais forte, pois libera ainda mais dopamina!

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©Giphy

Sobre o TEPT

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) se desenvolve em pessoas que viveram ou presenciaram alguma situação de violência extrema. Como por exemplo um estupro. Sabe-se que pacientes com TEPT têm menor ativação cerebral nos campos responsáveis pela memória e aprendizagem. E em compensação, maior funcionamento naqueles lugares que ativam o medo, como a amígdala.

O tratamento

No cérebro, o MDMA diminui a ação da amígdala. Ou seja, a substância diminui sintomas como o medo e a ansiedade de pacientes com TEPT. Além disso a pessoa também se sente mais confiante. Mais fácil de entender agora, né?

A pesquisa é coordenada por psiquiatras e já acontece há pelo menos dez anos em vários países, como Estados Unidos, Canadá, Suíça e Israel. Eles vêm estudando os efeitos em pacientes com TEPT, principalmente em veteranos de guerra.

Segundo os resultados publicados na revista científica Nature, o tratamento com MDMA teve 83% de sucesso. Avaliados quatro anos depois, os pacientes tratados não mostraram retorno do TEPT.

Mas ainda vai demorar…

“Nosso objetivo é trazer o avanço dessa medicina ao Brasil. Se conseguirmos, vamos participar de um grande estudo internacional que será lançado em 2017 e visa a regulamentação do tratamento até 2021”, diz o neurocientista Eduardo Schenberg, diretor do Instituto Plantando Consciência, uma ONG que estuda efeitos de drogas psicoativas como a ibogaína, LSD e ayahuasca no cérebro.

A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) aprovou o estudo no país com a condição de que ele arrecade uma verba de R$ 100 mil para tratar ao menos quatro pacientes. Enquanto isso pesquisadores tentam arrecadar pelo menos R$ 50 mil via financiamento coletivo no Catarse até segunda, 21.

Veja o vídeo da campanha abaixo:

“Despolemizando”

E o dr. Eduardo completa: “O MDMA não vicia, você não vê gente em clínicas de dependentes com vício em MD. O que pode acontecer é as pessoas abusarem do ecstasy. O uso de droga no sistema ilegal é mais perigoso do que no sistema controlado”.

Já o psiquiatra Marcelo Feijó de Mello, coordenador do Prove (Programa de Atendimento de Vítimas da Violência da Unifesp), acredita que o uso da substância deve ser encarado com ressalva. “Eu acho que tem que tomar um certo cuidado. O MDMA pode favorecer a pessoa a ficar menos ansiosa, com menos medo agora, mas pode causar o efeito oposto, fazer com que a memória traumática até fique mais fixa. O funcionamento do cérebro é muito complexo”, afirma ele para o UOL.

E agora você, o que acha disso? Vamos refletir juntos! Deixe a sua opinião aqui nos comentários 😉

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©Giphy

Foto destaque: ©Helga Weber via Visual Hunt / CC BY-ND.

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