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Artistas ocupam convento abandonado e fazem exposição de apenas um dia em SP

por: Brunella Nunes

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Imagina o tanto de lugares secretos que São Paulo tem. Um deles é um convento abandonado em plena rodovia Raposo Tavares, que fica num canto escondido, tranquilo e ainda assim, sinistro. Com espírito coletivo maior do que aqueles que ali rondam, um grupo de artistas urbanos se uniu para pintar e criar intervenções no local inteiro, que será aberto apenas hoje (29/01) para o público.

Depois de seguir um caminho que passa despercebido facilmente, logo se avista o primeiro graffiti num dos muros do local, que fica num ponto alto e silencioso da região. Abandonado e judiado pelo tempo, o prédio serviu de residência para os artistas durante 10 dias, quando aproveitaram para ver palestras, interagir e se dedicarem às suas obras que ocupam paredes, banheiros, escadas e tudo mais o que vier pela frente.

Chamado de Zona Autônoma Temporária, o projeto ocupa o convento conhecido como Warzone, onde atualmente é um campo de tiro de airsoft. Ao todo, 27 artistas se alojaram por lá: Tinho, Leiga, Marcio Shimabukuro, Roberto Bieto, Andre Coletto, Alexandre Vianna, Vitor Zanini, Felipe Borges, Marcio Ficko, coletivo SHN, Daniel Minchoni, Lincoln Lavado Checo, Helio Marquess, Luis Alexandre Lobot, Michele Micha, Fabiano Nunes, Daniel Caballero, Saulo di Tarso, Jerry Batista, Marcelo Ruggi, Simone Martins, Enivo, Bartolomeu Gelpi, Antonio Dorta, Marcelo Xue e Alexandre Orsetti e Sinhá.

Cada um deles exerceu a criatividade como bem entendia, um sem intervir no espaço do outro. “Eu vou colocando um monte de palavras da minha cabeça, do meu convívio, que quando a pessoa bate o olho, aquela palavra vai dar outros sentidos e lembranças pra ela. Assim há uma liberdade de interpretação”, contou Lobot, que ocupou uma sala e um banheiro inteiro.

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No mesmo andar, Vitor Zanini espalhou tinta vermelha por todos os lados numa sala, e nuances de preto e cinza em outra, ambas ligadas por meio de um buraco. “A primeira sala te leva a um caminho de introspecção. Existe um choque na passagem de um pro outro”. Andando pelos corredores que mais se parecem com o cenário de um hospício encontro a artista Michele Micha encerando um chão perfeito, com todos os tacos no lugar, um ponto definitivamente “fora da curva” neste lugar.

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A ideia de sua instalação é, num primeiro momento, chocar as pessoas com a obra em que pênis cortados estão num saquinho e, atravessando o buraco na parede, se chega até a sala de ar sofisticado onde estarão chocolates perfumados em formatos inusitados de partes do corpo humano. “As pessoas podem comer. A ideia é misturar o visual chocante com o prazer de comer e sentir o sabor do doce numa sala bonita, mesmo que estes chocolates tenham formatos bizarros”, explicou.

Os andares contam com labirintos infinitos, paisagens que só o abandono e a ação do tempo são capazes de oferecer, além de água, uma intervenção promovida pelo acaso da natureza, que também quis dar seu pitaco por ali. O projeto foi feito sem patrocínio, contando somente com a boa vontade dos artistas que se uniram e bancaram a ocupação. Um outro caso parecido foi o antigo Hospital Matarazzo, também ocupado mas com verba privada.

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O ex-convento de freiras se tornou uma zona onde tudo pode acontecer, especialmente o acaso. O anarquismo ali não é utopia, se faz presente na essência de não ser tomado por rédeas nem regras. Um verdadeiro playground para quem não quer viver aprisionado em sua própria caixinha. Quem quiser ver tudo isso de perto tem apenas esta sexta-feira (29), das 10h às 21h, com festa de encerramento.

Como chegar: chegando na estação Butantã do metrô haverá uma van escolar que fará o trajeto de hora em hora até o local, a cerca de 15 minutos de distância. Os interessados devem aguardar pela van na Rua Engenheiro Bianor, em frente à padaria Savana. Quem for de carro pode dirigir até o km 18,5 da rodovia Raposo Tavares. Passando uma passarela de pedestres e avistando um posto policial, pode tentar encontrar uma vaga dentro da propriedade. Mas já aviso que a entrada é bem discreta, portanto, é preciso ter atenção.

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Todas as fotos © Brunella Nunes

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.


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