Inspiração

Como um movimento de conscientização na Internet impactou toda a cidade do RJ

por: Paulo Moura

Publicidade Anuncie

Maria Uchoa é advogada, Guilherme Wenzel é publicitário e Ana Lycia se formou em Relações Internacionais. Ao terminarem a faculdade, os três queriam muito mais do que a rotina corporativa de um escritório ou de uma agência e tinham em comum o desejo de participar de uma causa que promovesse de fato transformações sociais na cidade em que nasceram e moravam.

Pesquisaram, meteram as caras em várias iniciativas, até encontrarem na Rio Eu Amo Eu Cuido um sentido para as suas vidas.

rio4

2010

O Rio estava na crista da onda: virava moda no mundo e havia um resgate do amor pela cidade – grande vitrine do Brasil. Como fazer então para que esse sentimento deixasse um significado, uma relevância maior para a cidade?

O modo de vida carioca era admirado, havia um entusiasmo geral, um clima de mudança na esfera pública e um certo louvor à cidade. Mas o cuidado e a preservação estavam longe de ser prioridade”, comenta Ana Lycia. Ela foi a primeira que se juntou à Move Rio, entidade sem fins lucrativos que coordena os trabalhos da Rio Eu Amo Eu Cuido, seguida por Maria em 2012 e depois por Guilherme em 2014.

rio1

rio2

Os três atualmente se dedicam em tempo integral ao movimento, que visa conscientizar os moradores e visitantes da cidade que ser mais gentil, jogar lixo na lixeira e manter os cruzamentos livres, por exemplo, são pequenos gestos que estão ao alcance de todos e que podem sim transformar uma cidade. “É muito fácil bater palma para o pôr do sol e continuar deixando o pacotinho de biscoito Globo e o copinho de mate vazios na pedra do Arpoador.

Publicidade

rio3

rio7

Segundo Maria, a Rio Eu Amo Eu Cuido é uma espécie de catalizadora de forças em prol da cidade. “Queremos que o carioca perceba que ele pode fazer as coisas pelas próprias mãos.”

Na verdade, passados um pouco mais de 5 anos da criação do movimento, o carioca não só percebeu como aderiu significativamente à proposta. Atualmente, 5 mil voluntários cadastrados se encarregam de colocar em prática as ideias e sugestões que surgem na página do movimento no Facebook, que reúne hoje 85 mil pessoas, e continua sendo a porta de entrada para divulgação, interação e engajamento para as ações de conscientização.

rio8

Um exemplo bastante impactante do trabalho realizado pelo movimento foi a criação do projeto Galeria Urbana, na comunidade Cerro-Corá, na região do Cosme Velho. Em parceria com os moradores, um grupo de 25 artistas e coletivos criou uma galeria urbana — uma exposição permanente que utiliza fachadas de casas e muros de encostas como molduras e telas de pinturas. “Nosso objetivo principal era revitalizar a região e tornar o ambiente agradável, tanto para os moradores quanto para os turistas. Temos convicção que a ambiência é um fator preponderante para incentivar o comportamento das pessoas”, comenta Guilherme.

A ação, aliás, é o pano de fundo de um documentário lançado no final do ano passado e que acaba de receber uma menção honrosa da SIMA (Social Impact Media Awards) na categoria Vídeo de Impacto. Dá uma olhada:

Outra ação bastante popular foi a Torcida do Lixo (Limpeza Urbana Clube), que consistia em uma arquibancada itinerante, onde voluntários trajados tal qual torcedores em um estádio de futebol entoavam versões de hinos clássicos dos clubes cariocas e chamavam a atenção com cornetas, cartazes a bandeirinhas para a importância de se jogar o lixo no lixo.

Fernando de Noronha e Florianópolis são algumas das regiões do país que já entraram em contato com o movimento a fim de replicar suas ações localmente. “Somos uma plataforma aberta. Compartilhamos todos os nossos processos e tudo aquilo que aprendemos e, embora nosso objetivo seja concentrar nossas ações no Rio de Janeiro, ficamos felizes com a possibilidade de inspirar pessoas em outros lugares”, diz Ana Lycia.

rio5

rio6

Os próximos projetos programados para esse primeiro semestre incluem a revitalização da praça do Teatro Ziembinski, na Tijuca, e a exposição itinerante ‘É pequeno, mas incomoda’, que visa chamar a atenção da população para os pequenos dejetos deixados nas ruas, sobretudo guimbas de cigarro.

São coisas pontuais que demostram a nossa ideia de mudar a cidade. É parar de achar que o público não é de ninguém. É meu”, arremata Guilherme.

Publicidade Anuncie


Paulo Moura
Jornalista paulistano que adotou o Rio de Janeiro como casa. Possui mais de 15 anos de experiência em comunicação corporativa e é sócio-diretor da Agência VIRTA. Apreciador de cerveja, comida ogra, mar e tudo aquilo que combina ou remete a ele.


X
Próxima notícia Hypeness:
A história inspiradora do avô que pintou sua aldeia inteira para impedir que ela fosse derrubada