Inspiração

Garota que quase foi vendida pela própria família usa o rap pra combater casamento infantil

por: Redação Hypeness

Para além do ritmo ou do estilo, uma das bases mais importantes do rap enquanto discurso são as histórias de resistência, enfrentamento e superação de minorias, normalmente negras e pobres, diante das desigualdades e injustiças do mundo. Ainda que vinda de um contexto diferente do usual dentro desse estilo musical, a história que a rapper afegã Sonita, de 19 anos, tem pra contar encaixa perfeitamente no espírito do que o rap possui de mais contundente.

Imigrante ilegal, vinda do Afeganistão para Teerã, capital do Irã, ao chegar na cidade a mãe de Sonita tentou vende-la por 9 mil dólares como uma noiva adolescente para uma nova família. A partir dessa época, a luta de Sonita, então com 14 anos, para conseguir gravar sua música, fugir da escravidão de ser vendida, e denunciar a abjeta prática de se vender adolescentes para casarem-se contra sua vontade, mistura-se com a história de outras milhões de jovens que enfrentam o mesmo horror.

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Em seu primeiro clipe, lançado no youtube em 2014, ela canta, vestida de noiva: “Eu gostaria que vocês revisassem o Corão (…) Eu gostaria que vocês soubessem que lá não diz que as mulheres estão à venda”.

Quando conheceu a história de Sonita, a diretora Roksareh Ghaemmaghami decidiu realizer um documentário sobre a jovem rapper. Como não poderia deixar de ser, a participação da diretora no futuro de Sonita rapidamente se torna muito maior do que uma mera observadora neutra.

Sonita, o filme de Roksareh, ganhou o festival de Sundance, e permitiu que Sonita se libertasse do duro destino que sua família havia reservado a ela. Hoje Sonita vive e estuda em Utah, nos EUA, e segue como uma importante ativista pelo fim do casamento infantil.

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A rapper, no entanto, não guarda mágoas de sua família, pois entende que o fato de fazerem tal coisa com alguém que amam significa o quanto essas pessoas pensam não possuir outra saída. O que ela procura é justamente mostrar que há outras maneiras para suas filhas e mulheres – e ela tem pressa: já perdeu amigas, não quer perder sua sobrinha; sabe que a luta é dura, mas conhece bem a tradição que combate.

Sonita está disposta a, através da militância e da música, não só falar sobre o mundo de onde veio, mas realmente transformá-lo. Conheça e apoie a campanha de Sonita para acabar com o casamento infantil.

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Recentemente o Hypeness mostrou as grafiteiras afegãs que usam a arte para apagar as marcas da guerra. Relembre.

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