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Seleção Hypeness: dez projetos em andamento lembram que a tragédia no Rio Doce ainda não acabou

por: Vitor Paiva

Passados quase quatro meses do rompimento da barragem do Fundão, na região de Mariana (MG), por responsabilidade da empresa Samarco, o processo de recuperação do Rio Doce mal começou. Diversas iniciativas, porém, seguem lutando, nos lembrando que a tragédia em Mariana não acabou.

Se medidas em sua maioria paliativas e emergenciais foram tomadas pelo estado e pelas empresas responsáveis pela tragédia, entre multas, burocracias e acordos, o Rio Doce agoniza junto com a região. A união dessas iniciativas é fundamental para que contornemos ao máximo os impactos do maior desastre ambiental da história do Brasil. E você também pode ajudar.

1. Rio Doce Help

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O projeto Rio Doce Help funciona como uma espécie de ponte entre quem precisa de ajuda e quem quer ajudar. Trabalhando com diversas ONGs, empresas e pessoas dispostas a lutar pelo Rio Doce e sua população, o dinheiro arrecadado é passado para coletivos e associações próximas aos afetados pela tragédia. Você pode acompanhar tudo pela página no Facebook, cadastrar seu projeto pelo site, ou doar pela campanha de financiamento coletivo, que segue no ar.

2. Edital Fapemig

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Criado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), esse edital visa financiar projetos para a recuperação das áreas afetadas em Minas Gerais pelo desastre. Dentre as linhas temáticas estão a recuperação do solo, recuperação da água, da biodiversidade e tecnologias sociais. O edital oferece um total de quase 7 milhões de reais, e os projetos devem ser apresentados até o dia 7 de março. Para maiores informações, leia o regulamento do edital.

3. Grupo Independente para avaliação do impacto ambiental (GIAIA)

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Iniciativa do biólogo Dante Pavan, da USP, e coordenada por Viviane Schuch, bióloga e pesquisadora da Unifesp, 0 GIAIA trabalha para levantar um relatório independente e isento, com o objetivo de reunir informações para impedir que a tragédia de Mariana se repita. O projeto arrecadou R$ 90 mil em financiamento coletivo, para cobrir gastos de deslocamento, coleta de amostras e análise de dados e, em breve, publicará um relatório completo com o que levantou.

4. Gabriel O Pensador e Falamansa – “Cacimba de Mágoa”

Com apoio dos institutos Últimos Refúgios e O Canal, o rapper Gabriel, O Pensador e a banda de forró Falamansa lançaram o clipe “Cacimba de Mágoa”, retratando em canção a tragédia em Mariana. O vídeo conta com a participação de diversas celebridades, e é ilustrado por imagens da tragédia. O mais importante: cada visualização se transformará em doações para as famílias ribeirinhas, para a promoção de obras sociais comunitárias.

5. Documentário “Rastro de Lama”

Acompanhando a história de dois moradores de Bento Rodrigues (MG) que perderam tudo na tragédia, o documentário Rastro de Lama pretende investigar as transformações nas vidas diretamente atingidas, assim como o impacto da mineração e principalmente as responsabilidades que a Samarco e o governo precisam cumprir. Uma campanha de financiamento coletivo está no ar, a fim de arrecadar o valor necessário para a produção do documentário. Doações podem ser feitas até dia 18 de março.

6. União com Rio Doce

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Conforme mostrado pelo Hypeness, o projeto União com Rio Doce visa a instalação de cisternas na região, como uma alternativa sustentável para coleta de água potável. Trata-se de um projeto de baixo custo e tecnologia simples, realizado com esforço comunitários, que pode ser replicado em diversas áreas da região atingida. A primeira cisterna foi entregue recentemente, e o prefeito de Belo Oriente garantiu que ao menos mais duas cisternas serão construídas na região.

7. Projeto Polifonia – Coletivo MICA

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Fundando por ex-alunos do curso de jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto (MG), o coletivo MICA e seu projeto Polifonia visam, através da comunicação, garantir e promover os direitos da população de Mariana (MG). A ideia é trabalhar com 100 alunos das 9 escolas públicas da região, para elaborar material didático, audiovisual e impresso, a fim de que eles possam refletir e comunicar suas necessidades e direitos enquanto cidadãos.

8. Projeto Douradinho – Instituto Pelo Bem do Planeta

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Diante da alta intoxicação das águas da região, o projeto Douradinho, voltado para gestão ambiental em comunidades vulneráveis, procura incentivar alunos e professores da região à valorização dos recursos hídricos. Realizado pelo Instituto Pelo bem do Planeta, a iniciativa procura ensinar boas práticas ambientais, promovendo debates sobre a preservação dos rios, e oferecer reflexão sobre a tragédia que vitimou o Rio Doce.

9. AEDAS – Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social

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A ação da AEDAS na região de Mariana se dá pela auto-organização das vítimas da tragédia, para a articulação de uma negociação coletiva de reparos de perdas e danos. Com isso, a associação busca executar um diagnóstico justo dessas perdas e danos, acompanhar as famílias ribeirinhas a fim de garantir-lhes esse direito à plena reparação, e formar coletivos fundamentais em todo esse levantamento e no processo de reparação.

10. Cáritas Diocesana de Governador Valadares

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Trabalhando há 60 anos com economia solidária e atividades emergenciais, a Cárita Brasileira pretende, com esse projeto, contribuir para a recuperação humana, social e ambiental dos 7 municípios da região do Meio Rio Doce. Articular e fortalecer a rede de movimentos e lideranças locais, especialmente mulheres com capacitação, para ações de denúncia e elaboração de propostas, além de acompanhar as ações do Ministério Público é o objetivo dessa ação.

Para quem quer seguir as atividades gerais que acontecem na região, a página Não Esqueça Mariana, no Facebook, informa diariamente novidades, dados, informações e desdobramentos sobre a tragédia. É possível seguir pela página, ou baixar o plugin do projeto para se manter informado.

Já escolheu qual(is) dela(s) vai apoiar?! 🙂

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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