Inspiração

São Paulo fica mais verde com 1.000 novas árvores da Mata Atlântica – e o Hypeness foi plantar a sua também!

por: Brunella Nunes

Desde que me conheço por gente ouço que São Paulo é a “cidade cinza”, a selva de pedra e nos últimos anos perdeu o título de “terra da garoa” por um motivo óbvio: a seca. A ideia de viver num lugar assim já é um tanto deprimente na teoria, imagine na prática. De fato, a metrópole cresceu tanto que sobrou pouco espaço para as áreas verdes, mas já passou da hora de tomarmos atitudes para recuperar o meio ambiente e essa tarefa é mais fácil do que você pensa.

A cidade foi a primeira no Brasil a aderir uma Política sobre Mudança do Clima, que estabelece princípios, diretrizes e metas para reduzir as emissões de carbono. Apesar de pioneira na ação, ainda está longe de cumprir as metas. Para se ter uma ideia do prejuízo e do quanto o verde está absurdamente em falta, basta não só sair na rua, mas verificar alguns dados. A falta de árvores torna os bairros não só mais feios, e sim mais quentes, chegando a subir as temperaturas em 7ºC nos últimos 70 anos.

Segundo o professor de botânica da Universidade de São Paulo (USP), Marcos Buckeridge, são necessárias pelo menos 150 mil árvores para que se alcance o número ideal. Entre as soluções práticas para este déficit gigantesco está o plantio de árvores por parte da população, que precisa se conscientizar, parar com cortes desnecessários e por a mão na massa.

As subprefeituras ficam responsáveis pela propagação e manutenção de árvores, mas muitas vezes elas não são plantadas com o devido cuidado e sequer chegam a crescer. Ou seja, a compensação ambiental nem sempre é feita de forma responsável ou até mesmo carinhosa, porque plantar é um ato de amor, e sem isso as chances do verde crescer diminuem muito. Por este e outros fatores é tão importante que os moradores se mobilizem e revertam este cenário caótico com as próprias mãos.

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No dia 28 de abril o Hypeness participou do projeto da maior Floresta de Bolso já feita em São Paulo, que está sendo financiado pela Tata Consultancy Services (TCS) – empresa de serviços de TI, consultoria e soluções de negócios. O mutirão, que teve início no dia 25 do mesmo mês, prevê o plantio de 1.000 mudas de 70 espécies diferentes vindas da Mata Atlântica, gerando uma biodiversidade que consegue ser maior do que de muitas florestas próximas a capital.

O canteiro de mil metros quadrados da Ponte Cidade Jardim, na Marginal Pinheiros, foi o local escolhido para recebê-las, tornando um antigo sonho do botânico Ricardo Cardim – conhecido como Dr. Árvore – em realidade. Depois de passar pela área diversas vezes e notar a falta que o verde faz, estabeleceu a meta de colocar 100 árvores e contou com a ajuda da Farah Service para conectar empresa e poder público.

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O número final resultou numa floresta urbana de bastante impacto. As árvores juntas vivem melhor e por mais tempo, além de diminuir o calor, segurar a poluição, aumentar a umidade, espalhar sementes e, com sorte, atrair pássaros como o Tucano de Bico Verde, típico da Mata Atlântica e desaparecido da metrópole.

E lá fui eu plantar a segunda árvore da minha vida, muitos anos depois da primeira, e desta vez foi uma muda de Mangostão, que dá a fruta de mesmo nome. A sensação é de abrir uma pequena fresta para a cidade respirar melhor. O solo seco tornou a abertura de um buraco mais difícil ainda, mas a equipe se empenhou para abri-los. O primeiro passo é forrar o buraco com terra fértil e regar até que se forme uma “piscina”, pois é importante a árvore ter bastante água armazenada.

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Só um ser humano muito urbano mesmo pra ir plantar árvore de sapatilha…não aconselho.
(esqueci o tênis, vida que segue!)

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Depois tem que esperar a água baixar um pouco e coloca hidrogel, que ajuda a reter a água no solo. Feito isso, posicionei o pé de Mangostão em seu devido lugar, cobri a base com terra e muitas folhas secas, que protege as raízes, evita o crescimento de grama e ervas daninhas, assim a árvore cresce mais saudável. A expectativa é de que em seis meses a paisagem da região já mude bastante e no máximo em dois anos já alcancem seis metros de altura.

O lindo do hidrogel: gosma que garante mais umidade para a muda

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A empresa, que adotou a Praça Deputado Dario de Barros, incentiva que os funcionários participem da ação e levem seus familiares, especialmente as crianças. “Elas são o futuro do planeta e esse momento ficará para sempre em suas memórias. Imaginem que, quando crescerem, passarão pelo local e poderão falar que já plantaram uma árvore ali”, diz Parameswaran R., Head de Recursos Humanos da TCS Brasil.

Segundo Cardim, entre as mil mudas plantadas estão outras frutas nativas da Mata Atlântica, como Uvaia, Araçá e Cambuci, mais conhecidas por nossas avós e bisavós do que por nós. “Hoje temos muitas frutas de origem estrangeira e no mercado temos só duas nativas”, explicou. Através de estudos prévios foi descoberto que estas espécies ocupavam a Marginal Pinheiros antes da urbanização.

A primeira minifloresta pública, encabeçada pelo botânico, foi criada numa área abandonada entre a Avenida Hélio Pellegrino e a Rua Clodomiro Amazonas, no bairro Vila Olímpia, com a mobilização dos moradores. Com o projeto Floresta de Bolso, Cardim também já chegou a plantar 500 árvores no jardim suspenso do banco Citibank, localizado na Av. Paulista.

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Não é todo dia que a gente pega na inchada, amigos, mas a gente pega, sim, senhor! 

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Nossa árvore hypada e linda! 

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Existem vários grupos na cidade que promovem plantios, como o Novas Árvores por Aí, que tem um plantio coletivo agendado para o dia 15 de maio. O Muda Mooca ajuda a propagar árvores pela Mooca, que é um dos bairros com menor área verde por habitante na capital paulista. Vale a pena acompanhar também a página Florestas de Bolso na cidade de São Paulo, que propaga notícias e mutirões. O entorno dos rios Pinheiros e Tietê também está ganhando flores com ajuda do projeto Mil Orquídeas Marginais.

Ou seja, São Paulo tem sim salvação, basta a gente arregaçar as mangas e fazer algo pela metrópole. Não há mais motivos ou desculpas para não querer ocupar os espaços públicos, formar hortas comunitárias, espalhar mudas, adotar praças e criar uma série de ações que beneficiam nós mesmos. Conectados com causas ambientais podemos crescer junto com as áreas verdes, aumentar nossa própria qualidade de vida e fortalecer raízes que o tempo não será mais capaz de quebrar.

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Todas as fotos: Reprodução

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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