Inspiração

Ele se diz neo-hippie, comunista e está levando a tatuagem para Cuba, onde a arte ainda é proibida

por: Redação Hypeness

O cubano Che Alejandro Pando Napoles começou a fazer tatuagens cerca de 16 anos atrás. Na época, o embargo comercial imposto pelos Estados Unidos impedia a chegada de praticamente tudo à ilha, inclusive de agulhas e tinta. Mas, lentamente, as coisas estão mudando.

No começo, Che, como é conhecido, e seus colegas faziam as próprias agulhas, usando motores de outros equipamentos. As tintas eram feitas para canetas e, segundo ele, “todo tatuador cubano tem pontinhos de tinta porque testávamos na nossa pele antes de usar nos clientes”.

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Hoje, essas coisas podem ser importadas, mas ainda são de difícil acesso. Apesar de “ter tatuagens” não ser proibido, os estúdios não estão entre os 201 tipos de comércio privado permitidos pelo governo. Por isso, Alejandro tatua em casa, mas já precisou pagar “multas” aos fiscais para não ser impedido de trabalhar.

Ele também é skatista, e nos anos 90 ajudou a popularizar a prática construindo shapes e rodas. Até hoje, Che conserta skates de graça para jovens que não podem pagar. Ele define seu jeito de ver a vida como “neo-hippie comunista”. Apesar de lamentar a falta de liberdade vivida em Cuba, considera o ideal de liberdade garantido pelo consumo, visto nos Estados Unidos, uma ilusão.

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Observando as mudanças que vêm acontecendo em Cuba, com a reabertura do país para o mundo, Alejandro lamenta que a distância entre ricos e pobres já esteja aumentando – porém duvida que alcance os níveis de antes da Revolução. Ele considera que o país está muito atrasado, e que vai levar anos para se modernizar, um tempo que a maioria das pessoas não está disposta a esperar.

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Sobre Che Guevara, com quem compartilha o apelido, o Che tatuador se incomoda com o uso de sua imagem por gente que não entende quem ele foi. E faz questão de dizer que é o Che skatista e tatuador, nada a ver com o outro. “Faço a revolução da minha maneira. O que sei é que precisamos de uma sociedade em que os diferentes se toleram, e em que as pessoas possam escolher como querem viver. Não é isso que temos aqui. Mas nosso país tem muitas coisas boas que não quero que percamos com todas essas mudanças”, conclui.

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Confira uma matéria sobre Alejandro, em inglês:

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Todas as fotos: Reprodução/Alex Mallis

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Redação Hypeness
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