Meu Guarda Roupa é Hype

Meu Guarda Roupa é Hype #2: ‘Meu estilo é tal e qual a sociedade dos meus sonhos, livre’

por: Clara Caldeira

Nascida em Blumenau – “a cidade onde são feitas as melhores cucas do mundo” – Vanessa Neuber, 34, é formada em moda e atua como professora, figurinista e agitadora cultural. Depois de morar algum tempo em outras cidades, Vanessa retornou recentemente para a sua terra natal, onde dá continuidade a projetos como o Arte Colagem, que há 7 anos materializa seus delírios em formato de papéis e camisetas feitas sob encomenda.

Agitadora é mesmo um termo bom para definir essa artista, que vive ‘pintando o sete’ entre o Vale do Itajaí e a Ilha da Magia (Florianópolis). Tem uma gatinha preta chamada Sabiá, um ukulele chamado Momoa, e no meio dessa miscelânea toda, ainda sobra um tempinho para dar dicas de como ser efusiva sem perder o charme e para levantar bandeiras como as do feminismo, dos direitos humanos, da diversidade, dos animais, do meio ambiente, do movimento Fashion Revolution e da reforma política. “Me interesso por vida extraterrestre, por vidas passadas e rezo para o meu anjo da guarda. Pratico Reiki, frequento terreiro de Umbanda e acredito em psicomagia.”, conta.

Gostou? Se identificou? Então vem ver que tem muito mais!

Hypeness (H) – É possível se vestir bem gastando pouco? Como?

Vanessa Neuber (VN) – Eu sou o exemplo que gasta pouco. Houve uma época em que eu comprava muito, e por impulso. Às vezes, comprava só porque era muito barato, sem saber da procedência do produto, e ele ficava lá, meses esperando para ser usado. Com a maturidade veio o consumo consciente e, atualmente, eu prefiro comprar, por exemplo, de amigos ou conhecidos, que eu saiba a trajetória do produto, valorizando o trabalho local sem pagar preços exorbitantes.

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Valorizo também os bazares que rolam por aí, tanto físicos quanto virtuais, ou sites como o Enjoei.com, onde sempre surgem pessoas querendo se desfazer de uma peça que é a sua cara. Outra coisa que curto fazer é customizar as peças do armário e dar uma cara nova para uma peça que já foi muito usada. Também gosto muito de comprar em brechós, é a minha paixão, adquirir roupas com história. Outra característica do meu guarda-roupas é o apego a peças muito velhas: tenho peças que já completam 10 anos e não consigo me desfazer! Em contrapartida, sempre que compro algo novo, coloco algo que não uso muito na sacola do desapego. E assim vou misturando, peças novas com as minhas velhinhas, nesse contexto atemporal, onde eu prezo muito mais o meu estilo do que a efemeridade da moda.

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H- De onde vem a inspiração para os seus looks? Tem algum artista como referência?

VN – Inspiração é uma das minhas palavras favoritas. Além da ‘piração’ embutida, o verbo inspirar ainda traz aquela sensação bônus, onde puxamos o ar para dentro do corpo, o que me faz imaginar uma fumaça colorida e vibrante entrar pelas minhas narinas. Trabalho com moda há uns 15 anos, mas minhas inspirações surgem mais de outras vertentes artísticas do que da moda em si. A música, a arte e o cinema invadem meu armário, me acompanham e alimentam meus trabalhos em todas as áreas. Também tenho um lado muito místico. Sou virginiana com ascendente em Peixes, Lua em Capricórnio e Vênus em Libra. Até o retorno de Saturno influencia meu modo de vestir. Acredito muito em energia. Pratico meditação graças ao livro ‘Em Águas Profundas’, de David Lynch. Me interesso por vida extraterrestre, por vidas passadas e rezo para o meu anjo da guarda. Pratico Reiki, frequento terreiro de Umbanda e acredito em psicomagia.

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Quem tem me inspirado muito ultimamente é um ser ilustre chamado Alejandro Jodorowsky. Cineasta, poeta, escritor, roteirista, escritor de história em quadrinhos e psicomago, ele é um artista completo e uma infindável fonte de inspiração. Além de seus filmes, que são diamantes para o cérebro, ele tem vários livros publicados (acabei de ler ‘A dança da realidade’) e com seus projetos de quadrinhos, faz parcerias incríveis, como, por exemplo, Moebius e Manara, artistas ilustradores que estão no topo da cadeia alimentar. Outros nomes que formam o caráter do meu armário: Cibelle Cavalli, Trupe Chá de Boldo, Secos e Molhados, Mutantes, Novos Baianos, Miranda Julie, Greta Gerwig, Wes Anderson, Bowie, Devendra Banhart, Scott Wailand, Jane’s Addiction, Smashing Pumpkins, Jimi Hendrix, The Neutral Milk Hotel, Egon Schiele, Aldemir Martins, Frida Claro (risos) e vai…

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H – Como você enxerga a questão de gênero na moda? Existe roupa de homem ou de mulher?

VN – Eu enxergo um mundo livre! (Risos). Mas é sério. Quanto menos regras, melhor. Já temos tantas regras tolas pra tantas coisas, porque não se permitir vestir-se de forma liberta? Claro, ainda existe fortemente a divisão de gêneros nas coleções, mas eu tenho visto, cada vez mais, marcas que estão partindo para este lado mais unissex. Eu acho ótimo! Por outro lado, convenhamos que a subversão também é linda: homem vestido com “roupas femininas” e vice-versa.

H – Você tem alguma peça de roupa que a indústria diz não ser para o seu gênero? Qual (quais)?

Tenho. Camisa smoking, paletó e gravatas. Mas, desde a adolescência, já não respeitava muito o que a indústria impõe sobre gêneros. Comprava calças masculinas antes de surgir a modinha boyfriend e roubava as camisas de flanela do meu pai.

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H – Na sua opinião, roupa é expressão? Existe um posicionamento político/social na maneira de se vestir?

VN – O modo que nos vestimos pode ser considerado uma extensão da nossa identidade. Se tivermos um olhar desprovido de qualquer preconceito ou clichês, que a sociedade nos impõe, essa história fica ainda mais interessante. Sim, o estilo é uma forma de se expressar, mas é preciso sempre ter em mente que isso é apenas a embalagem da essência da pessoa, a ponta do iceberg.

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Meu estilo é uma verdadeira miscelânea camaleônica. Ele é um reflexo das minhas vivências, da minha mente investigativa e do meu coração aberto. Por isso não curto me rotular. Eu vou do rock ao hippie, do moderninho ao retro. Se fosse pra eu definir meu estilo em uma palavra seria: liberdade. Livre de amarras, livre de preconceito, livre de machismo, livre de energias negativas, livre de regras que favorecem apenas alguns. Exatamente da forma que eu gostaria que a política funcionasse, tal e qual a sociedade dos meus sonhos.

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H – Qual a sua peça de roupa favorita? Porque?

VN – Eu curto muito vestidos, de modo geral, que são peças únicas, práticas de usar e divertidas de compor os looks. Agora se estiver falando de alguma peça específica do meu armário, vou citar uma que tenho verdadeira paixão: camiseta do Jimi Hendrix, toda trabalhada na colagem, e feita por mim. 🙂

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H – Onde você costuma comprar suas roupas? Que dicas daria para quem está em busca de um visual diferente?

VN – Compro principalmente em brechós, em bazares, eventos ou sites de desapego e de marcas próximas, de amigos e conhecidos. A dica é: diversão! Eu me divirto muito quando estou me vestindo! Sabe, se olhar no espelho e dizer: você e essa sua mania… de ser uma delícia (risos).

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Clara Caldeira
Jornalista, comunicóloga, frenética, dona de brechó frustrada, mora no meio do mato e gosta mais de comer que de dormir. Acredita em ET, saci e horóscopo, mas duvida de um monte de outras coisas que se diz por aí. Gosta mais de arte que de lasanha (contradição?) e acredita que a cultura pode salvar o mundo.

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