Inspiração

Mulher negra faz história ao se colocar a frente de 330 nazistas em manifestação na Suécia

05 • 05 • 2016 às 11:35
Atualizada em 05 • 05 • 2016 às 14:36
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Com pouco mais de 1,60m e 50kg, a ativista Tess Asplud, de 42 nos, diante de 330 nazistas suecos em Borlänge, centro da Suécia, se fez gigante. De punho cerrado e levantado, Tess se colocou com a firmeza de uma barreira intransponível diante dos manifestantes de extrema direita que marchavam, no último 1o de maio pela cidade, para lembrar que nazistas não passarão jamais.

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Em um momento de ascensão da ignorância e da loucura extremista por todo mundo, a imagem de Tess já se sobressai como histórica, pela coragem de seu gesto e pelo contraste, de sua pele negra contra a brancura dos idiotas em uma Suécia hoje multicultural, e do calor de seu rosto contra o transe robótico – e idiótico – dos que ainda marcham, seja na Suécia, seja em qualquer outro lugar do mundo, em nome de preconceitos vazios e destruidores.

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Tess garante que agiu por impulso, frustrada pela tranquilidade com que os nazistas, membros do partido Movimento de Resistência Nórdica, marchavam. Ainda que tenha sido retirada pela polícia, a ativista resistiu, e se manteve impávida feito uma lembrança de que o mundo é maior e melhor do que pensam os imbecís. Para Tess, na Suécia o racismo vem se tornando algo normalizado. “Espero que algo de positivo saia da foto. Talvez o que eu fiz possa ser um símbolo de que podemos fazer algo – se uma pessoa pode, todos podem”, ela diz.

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Em um país como o Brasil, em que o racismo é instituído e normalizado em qualquer camada social e profissional, uma imagem como a de Tess deve nos lembrar que é preciso lutar contra o racismo por aqui diariamente, a cada passo, ou seguiremos sendo o país da barbárie onde o mínimo de igualdade será sempre sinônimo de utopia.

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Todas as fotos © David Lagerlöf

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