Arte

20 anos sem Brad, do Sublime: relembre amizade com o cachorro mais amado da música

por: Gabo Vieira

Quando Bradley Nowell morreu, no dia 25 de maio de 1996, deixou muitos amores para trás: o Sublime, banda formada oito anos antes, com um disco novinho no forno; sua esposa, Tory, com quem havia se casado na semana anterior; seu filho, Jakob, prestes a completar um ano de vida; e seu cachorro, Lou Dog, que choramingava aos pés de seu corpo inerte naquela linda e trágica manhã californiana.

Pouco depois seria lançado o disco “Sublime”, carregando o nome da banda até então conhecida apenas na cena alternativa local. Faixas como “Santeria“, “What I Got” e “Wrong Way” se tornariam clássicos instantâneos, levando o grupo ao sucesso internacional.

Foi quando o mundo conheceu Lou Dog, um dálmata carismático cujo nome de batismo era Louie. Além de ser a estrela dos clipes que estouraram na MTV, o mascote era constantemente citado nas letras de Brad e até emprestava sua voz aqui e ali. O Sublime tinha quatro membros: Bradley, voz e guitarra; Eric, baixo; Bud, bateria; e Louie, cachorro.

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Era fevereiro de 1990 quando Bradley Nowell avistou num jardim um filhote de dálmata maltratado, amarrado a um vaso sanitário. De coração partido, juntou suas economias para comprar o bichinho que viria a se tornar seu melhor amigo. Dali em diante, o cantor jamais seria visto sem Louie (nome dado em homenagem ao avô de Brad) ao seu lado. Uma coisa meio John e Yoko.

“Definitivamente, ele era um membro da banda. Onde quer que eles fossem, lá estava Louie Dog. Ele cantava sobre Louie Dog. Era uma parte muito importante de sua vida”, contou a amiga Gwen Stefani, ex-No Doubt, à VH1.

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A popularidade do Sublime crescia e os fãs logo se acostumavam com o fato de que aquela banda vinha com um cachorro. O primeiro disco do grupo, 40oz. to Freedom, por exemplo, já começava com os latidos de Louie. O bicho participava da turnê e assistia aos shows do palco, zanzando em meio às rodinhas punk e fazendo alguns inimigos.

“O Lou Dog amava o Bradley, mas até a Gwen (Stefani) foi mordida! Eu também fui mordido por ele quando eu estava anunciando o Sublime no Phoenix Theater. Eu fiz uma ótima apresentação para eles e estava dando uma corridinha para fora do palco quando vi o cachorro se aproximando. “Que fofo! O Lou Dog está me acompanhando para a saída”, pensei. Mas ele me alcançou e me mordeu na coxa, arrancando um pedaço do meu jeans. Sorte que eu estava na cortina e a plateia não viu o pulão que eu dei!”, lembrou Tazy Phillips, da Ska Parade, em conversa com a OC Weekly.

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Como em qualquer história de amor, Brad e Louie tiveram seus contratempos. O maior deles foi quando o cão fugiu sem deixar pistas, levando o cantor ao desespero. Deprimido, Brad chegou a compor “Lou Dog Went to the Moon” (“Lou Dog Foi à Lua”), baseada em música da banda Camper Van Beethoven. Felizmente, o dálmata não havia ido tão longe e estaria de volta ao lar uma semana depois.

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Escrever sobre Louie, aliás, era um dos trabalhos preferidos de Brad. Ele imortalizou o companheiro em letras como What I Got (“Livin’ with Lou Dog is the only way to stay sane“/ “Viver com Lou Dog é o único jeito de manter a sanidade“), Doin’ Time (“Me and Louie, we all run to the party…“/ “Eu e Louie, todos corremos para a festa…“) e Garden Grove (“We took this trip to Garden Grove, smelt like Lou Dog inside the van“/ “Nós fizemos uma viagem até Garden Grove, a van estava com cheiro de Lou Dog“). Além, é claro, de “I Love My Dog”, uma declaração de amor baseada em “I Luv I Jah“, da Bad Brains.

Aquele 25 de maio foi o capítulo derradeiro de uma longa luta entre Brad e seu vício em heroína. Mesmo cheio de vontade de viver e ciente dos riscos da droga, o cantor de 28 anos acabou sucumbindo às suas fraquezas por uma última vez, conforme havia previsto em “Badfish” e “Pool Shark“. Louie passou os anos seguintes sob os cuidados do produtor Miguel Happoldt, sempre de olho na janela, esperando o retorno do velho amigo. Morreu de causas naturais em setembro de 2001, tendo suas cinzas espalhadas junto às de Brad. Companheiros inseparáveis, do início ao fim.

“Life is too short/ So love the one you’ve got”
“A vida é muito curta/ Então ame a que você tem”
Descansem em paz, Bradley Nowell e Lou Dog!

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Todas as imagens © Reprodução/Divulgação Sublime.

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