Desafio Hypeness

Desafio Hypeness: como me saí prestando o mesmo vestibular, 13 anos depois

por: Redação Hypeness

Acabo de chegar em casa. Foi um dia atípico, cheio de nostalgia e que termina com uma história pra contar e umas coisas pra estudar.

Há duas semanas, mais ou menos, estava almoçando em frente a um colégio e fiquei pensando naquelas coisas que a gente estuda a vida toda e nunca mais usa, lembrando da fase de cursinho, de ENEM, em como o ensino mudou desde que terminei a faculdade e o colégio. Eu já tinha tido vontade de prestar vestibular de novo pra ver como eu me sairia, só que dessa vez surgiu a chance de eu fazer um desafio aqui pro Hypeness e levar a vontade a sério. Pensei um pouco. “E por que não? Já tenho esse diploma… ah, vou fazer.”

Dia 30 de maio a pauta foi aprovada. É aí que a história fica sangrenta (pro meu orgulho).

Vestibular1
Cronograma apertado

Eu tinha 8 dias. Iria prestar vestibular para o mesmo curso e na mesma faculdade que 13 anos atrás: Publicidade e Propaganda no Mackenzie, em junho. Tempo de estudar pra passar não dava, né. O que dava pra fazer, só pra calcular o calibre desse tiro no pé, era uma prova antiga. Fiz e tirei 25 de 60. E foi corrigindo essa prova que, na segunda-feira da semana passada, eu me dei conta que depois ia ter que contar o resultado em público. Na porra da internet, essa terrinha sem perdão. Mas, “pelo bem da Ciência” (risos), era a minha vez de me expor.

Vamos a alguns números

Eu era nerd na escola, mas não me dei tão bem assim na FUVEST e fiquei a dois pontos de passar em Arquitetura em 2002. Já com outra vibe profissional, em 2003 me interessei por Propaganda e lá fui prestar só Mackenzie. Eu queria lá. Diziam que pra trabalhar em Criação era ali mesmo que tinha que fazer. Pimba! Passei em 6º lugar. O que consta dos meus autos aqui é que eu acertei 67 de 120 questões. Devo ter ido muito bem na redação porque nem fui tão bem assim nas objetivas, convenhamos. 67 de 120 são 56%. O que ajudou também foi a nota do ENEM.

Vestibular2
Resultado do ENEM 2002

Fiz 61,90 pontos de 100 na parte objetiva do ENEM e tirei 92,50 de 100 na redação. Hoje as notas vão até 1000 e acho que mudou todo o processo de avaliação e até o conteúdo cobrado.

Vestibular3
Gabarito da prova A, que fiz em 26/06/2003

Vestibular4
Gabarito da prova B, que fiz em 27/06/2003. Na época eram 2 provas. Hoje é uma só.

Vestibular5
Papel da matrícula. Não sei como eles chegavam a esses números aí em cima, mas sei que o ENEM tinha alguma coisa a ver com isso. Na real, a classificação foi a única coisa que eu entendi.

Voltando aos fatos, os 8 dias passaram voando e eu decidi que a proposta era mesmo prestar sem me preparar, pra testar de verdade.

Hoje acordei uma pilha. Como há anos (talvez 13) não me acontecia, acordei com duas espinhas no queixo e dor de garganta, toda escalafobética. Era a adolescência me chamando de volta pra realidade – surreal – do dia de hoje. Então tomei um banho, coloquei uma roupa confortável, me entupi de café e fui… trabalhar, claro, porque a vida não gira mais em torno do vestibular (que bom).

Meio-dia saí do trabalho, 13 anos depois. Dessa vez de carro, dessa vez na chuva, dessa vez sabendo onde ficava o banheiro e as passagens secretas do Mack, dessa vez com um nervosismo diferente.

Vestibular6
#partiuvestibular

Vestibular7
Trânsito e chuva. Ainda bem que aprendi a sair mais cedo pra compromissos

Chegando lá, ai, que delícia! Consegui reviver um pouquinho daquela atmosfera gostosa dos meus 17, 18, 19 e 20 aninhos. Gravei um vídeo na hora do almoço e tirei várias fotos que mandei no grupo da galera da facul. Ainda somos muitos e muito amigos. Hoje em dia tá quase todo mundo casado, uns são inclusive padrinhos e madrinhas de casamento dos outros e todo mundo ainda se lembra dos JUCAs (jogos universitários) e das histórias que a faculdade deixou nas nossas vidas.

Quando eu contei o que estava fazendo lá, precisei convencer a galera que eu ia mesmo prestar vestibular pra PP no Mackenzie e espero que eles estejam lendo isso agora porque me acharam meio louca.

Vídeo que enviei pros meus amigos que são ex-colegas de Mackenzie

Vestibular8
Um dos cantinhos que eu mais visitei na época da faculdade

Vestibular9
Nosso diretório

Vestibular10
Galera tensa esperando a prova

Batia 14h, a hora H. Todo mundo sentadinho. Lápis, borracha e caneta preta em cima da mesa. Lanchinho separado ao lado da carteira. Eu pensando se ainda sabia escrever com letra cursiva. Abro a prova.

Português

Expectativa: “Vamos lá, eu sou redatora. Essa parte é minha responsa.”

Realidade: 8 de 11 sendo que duas das erradas eram sobre Romantismo, meu movimento favorito, droga.

Inglês

Expectativa: “Sempre tirei de letra. Vai dar tudo certo!

Realidade: 5 de 7. Primeira vez que não gabaritei uma prova de inglês.

15h30. Me dei conta que tinha perdido UMA HORA E MEIA fazendo essas 18 questões. Ainda faltavam 42 e eu também esqueci de começar pela redação. Péééé! Choque número 1: falta de timing.

Matemática

Não sei”, “não sei”, “opa, essa eu lembro do que se trata… perco tempo tentando? Perco”.
Resultado: 2 de 7.

Geografia

Uma das minha matérias preferidas. Conversei esses dias com a minha mãe sobre as diferenças entre projeções cartográficas e isso me ajudou em uma questão, embora eu tenha errado. Tinha também uma questão sobre o atentado em Bruxelas e outra sobre o desastre de Mariana, que me fizeram lembrar das catástrofes que devem ter caído nas provas ao longo dos anos. Então perdi uns 5 minutos só lembrando do tsunami, enchentes e furacões.
Resultado: 3 de 7. Shatiada.

Química

Ainda lembro de vários conceitos. Meu professor do cursinho era ótimo e o do colegial também. Mas química é sempre química, né. Acertei 1 de 7.

Biologia

Sempre foi a matéria que mais decorei e menos usei. Não preciso nem comentar que não lembrava de absolutamente nada. 1 de 7 também.

Física

tu-tu-tu-tu…

“O QUÊ?! 17H?” Corri pra fazer a redação. Escreve, escreve, escreve… Aliás, achei o tema BEM vago. Mas bem vago mesmo. E, por sinal, não lembro de ter ficado sabendo o resultado final da redação que fiz da última vez, então no fim não ia servir pra eu comentar aqui, mas claro que eu tinha que fazer, né. Aí constatei que com calma, com prazo, com briefing, com insumo, com amor pela profissão, dói menos. O que quero dizer é que, “na vida real”, redigir parece mais fácil que no vestibular. Mas fiz o que tinha que ser feito.

Só que aí o pior aconteceu: esqueci que tinha História. Minha disciplina favorita, História. Sempre foi. E eu tinha TRÊS minutos. Três. Quase chorando de chateada eu coloquei “B” nas 7 questões e entreguei. FODA. Mais tarde, em casa, me dei uma segunda chance de 25 minutos e refiz. Aceitei 3 de 7. Mas não conta pro resultado real, claro.

Depois conferi o gabarito, que já tinha saído online. 21 de 60. 35% de acerto versus meus antigos 56%. Na verdade fiquei com mais vergonha da nota antiga que dessa. Difícil admitir isso, viu.

Quem quiser ver com se sairia, a prova que eu fiz tá aqui e o gabarito tá aqui.

Vestibular11
Resultado da prova dessa vez

E é isso.

O que pude aprender com o vestibular para o qual eu não estudei? Pra começar, notei que era mesmo verdade que tem coisas que a gente estuda e nunca mais usa. Também confirmei que realmente entender a língua que falamos e saber interpretar texto ajuda em tudo. E percebi que estudar é essencial e treinar ajuda muito no timing na hora de realmente prestar vestibular.

Fiquei feliz em lembrar que o mundo é feito de pessoas diferentes, com especialidades e interesses diferentes, e que a gente pode contratar ou consultar sempre que quiser. Coisa boa.

Mas, além disso, parecia que essa prova não mudaria nada, mas mudou muita coisa do que eu penso sobre a Tati de hoje, sobre a de ontem e (juro que não era pra sair esse cliché) e sobre a Tati de daqui 13 anos.

Isso porque essa experiência também me deixou bastante sensível em relação ao meu comportamento a semana toda. Foi bastante terapêutico. Me fez encontrar ainda mais defeitos em mim, mas também me fez ver como eu evoluí em diversos sentidos.

Explico. Me comparei o tempo todo com a Tati de 17 aninhos, desde o peso que ganhei até a forma de ver o mundo e buscar meus objetivos. Meditei sobre as coisas o que aprendi da vida, sobre como tenho me saído na profissão que escolhi e como pretendo evoluir nela, sobre o que absorvi das pessoas que me rodeiam, sobre quem ainda está ao meu lado depois de todos esses anos e porquê, sobre os cursos que fiz e os lugares que conheci.

Vi que muita coisa mudou. Muita coisa ainda precisa mudar. E muita coisa vai mudar, mesmo que eu não queira. Aliás, muita coisa continua igualzinha (como os malditos logaritmos que eu jamais dominei).

E, o mais importante, pude ver que, no fim das contas, o resultado de tudo isso não teve nada a ver com o vestibular, nem com faculdade. Teve a ver com eu enfrentar o medo de me sentir burra, o medo de me expor num blog que todo mundo que eu conheço lê e também tem a ver com eu acabar descobrindo mil outras facetas da nostalgia.

Pra resumir, eu esqueci umas coisas mas aprendi muitas que a Tati de 17 ia adorar saber naquela época. ¯\_(ツ)_/¯

E eu tenho certeza que se outra pessoa fizer o mesmo desafio, vai ver de outro prisma completamente diferente. Talvez não fique assim tão sensível e foque em estudar. Talvez vá superbem no vestibular e nem pense muito sobre a vida. Talvez passe a ver a galera de 17 anos com outros olhos ou talvez pare, como eu, pra “olhar pra dentro”, vai saber.

Pra mim foi importante “botar a cara no sol”, e debruçar sobre essa frustração, me olhar de forma bem crítica e tirar umas conclusões.

E pra você, como seria?

ass_tatijacob

 

faixa-desafio-hypeness

Publicidade


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Aos19 anos, brasileiro se torna mais jovem do mundo a iniciar mestrado em Harvard