Inspiração

Ele resolveu oferecer sua casa para pessoas trans ou LGBT expulsas pelos pais e mulheres que sofreram abuso

por: Mari Dutra

Na comunidade LGBT é comum encontrar pessoas que sofreram preconceito dentro das próprias famílias. Na hora de “sair do armário”, muita gente acaba sendo obrigada a sair também de casa. Por conta disso, ainda há quem tenha medo de assumir sua sexualidade para a família, esperando a pior das reações… Mas esse jovem de São Paulo acaba de mostrar que, quando a família falha, ainda é possível contar com a boa vontade de um desconhecido. <3

Antes de mais nada, Iran Giusti avisa: “A minha ideia não é mirabolante, ela não é sagrada, não é um ato de bondade gigantesco. É só o reflexo das minhas crenças, do que eu quero pra mim e pro mundo”. Foi através de uma publicação no Facebook que ele resolveu mostrar que sua casa estava aberta para pessoas da comunidade LGBT que tivessem sido expulsas de casa ou tivessem medo de se assumir e perder o lar e também para mulher vítimas de relacionamentos abusivos.

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Como diz na postagem, Iran é militante da causa LGBT há muitos anos e conta que, para ele, a militância se divide em duas frentes: “o que a gente pode fazer em grande escala para conscientizar, pra avançar em direitos. E outra frente é trabalhar em pequena escala: o que posso fazer no meu cotidiano para tornar as coisas menos piores?”. Por isso mesmo, ele não vê nada de revolucionário no que faz. “É só uma coisa a mais, sabe?”.

Mas Iran conta que o processo de disponibilizar um espaço em sua casa para acolhimento de pessoas aconteceu de forma natural. “Eu sempre usei o Airbnb e desde que comecei a morar sozinho coloquei meu sofá para quem quisesse alugar. Um dia olhei pro sofá e pensei: super dá pra disponibilizar ele pra quem precisa, né? E aí fiz o post no Face”, conta ele.

O que ele não poderia imaginar era a enorme repercussão da iniciativa: a mensagem gerou mais de 6,3 mil reações na rede social, além de ter sido compartilhada mais de 600 vezes. “Minha primeira reação foi de pensar ‘bacana, a informação tá se espalhando, vai chegar em alguém que precisa’. Depois com os comentários vieram os questionamentos. Como 80% dos comentários vieram de completos estranhos e diziam coisas como ‘que lindo, o mundo precisa de mais pessoas como você’, ou ‘Deus vai te devolver em dobro’ e até ‘maravilhosa atitude, você é um ser iluminado’ eu percebi que as pessoas estão absurdamente carentes de coisas muito básicas como humanidade e bom senso“.

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Fora isso, ele conta que também recebeu muitas mensagens diretas lembrando que deveria tomar cuidado ao colocar estranhos em sua casa, o que não havia acontecido quando colocou seu sofá para alugar no Airbnb. “Quando não existe dinheiro envolvido automaticamente as pessoas pensam o pior, ou me taxam como louco ou inconsequente“, diz. Sobre o assunto, ele lembra que vive em um edifício, que oferece toda a segurança do condomínio, com câmeras, além de ter amigos que sabem que pretende receber pessoas em casa. “De alguma forma existe uma rede de segurança, que serve tanto para mim quanto para o hóspede“, diz.

Após a publicação ganhar a web, algumas pessoas entraram em contato com ele, mas ainda ninguém precisou usufruir do espaço. Entre os contatos recebidos, dois eram de rapazes com medo de serem expulsos de casa ao contarem para a família que são gays; outra era a família de uma mulher trans com a qual ele ainda não conseguiu contato. Houve ainda um transexual homem que está na casa de uma amiga atualmente, mas se comunicou com ele pois talvez precise do espaço em breve. Muitas pessoas só querem conversar para encontrar solução para os seus problemas, conta Iran.

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Sobre projetos similares?Sei que um pessoal chegou a pensar em um projeto de acolhimento só pra LGBTs chamado Ninho há alguns anos atrás, mas acabou que [a ideia] não foi pra frente. Mais recentemente lançaram o Mona Migs, um app que tinha esse propósito, mas acho que também não vingou. Em relação a mulheres e trans, só conheço os projetos públicos mesmo“, diz ele.

Os anos de militância também permitiram que Iran conhecesse melhor os limites da ação, lembrando que não pode ajudar menores de idade e que é preciso oferecer uma ambiente que passe o máximo de segurança, principalmente no acolhimento a vítimas de abuso e violência domésticae também a necessidade de existir uma denuncia, o acompanhamento de profissionais“, lembra.

Por mais que a ação seja apenas uma forma de aplicar seus ideais no dia-a-dia, a gente aposta que a ideia pode ir além da ajuda em pequena escala e inspirar outras pessoas a abrir suas casas e o coração também! ♥

Todas as fotos: Reprodução Facebook

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Mari Dutra
Criadora do Quase Nômade, contadora de histórias, minimalista e confusa por natureza, com os dois pés (e um pet) no mundo. Chega mais perto no Instagram.


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