Inspiração

O impossível não existe: 10 curiosidades sobre a façanha da Islândia na Eurocopa

por: Gabo Vieira

Os que não compartilham da pandêmica paixão pelo futebol adoram repetir a velha máxima com desdém – “enquanto vocês sofrem por uma bola, os caras estão milionários”. Há uma boa dose de verdade aí, é claro. Até que chega uma Islândia. A minúscula Islândia, pela primeira vez na Eurocopa. Um país sem tradição, sem craques, derrubando um a um os gigantes das cifras, topetes e likes. Um time de heróis improváveis e nomes complicados, nos fazendo lembrar porque o futebol conquistou as massas. Ali, nas quatro linhas, o impossível não tem vez.

2016 tem se revelado um terreno fértil para os contos de fadas ludopédicos. Logo em janeiro, o desconhecido Wendell Lira superou Lionel Messi para levar o prêmio FIFA de gol mais bonito do ano anterior, um voleio marcado com a camisa do Goianésia. Sob os aplausos do craque argentino, aceitou o prêmio citando o duelo bíblico entre Davi e Golias. Em maio, o pequeno Leicester City conquistou o Campeonato Inglês pela primeira vez, para espanto dos adversários, das casas de aposta e da própria torcida.

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Veio junho trazendo mais um sonho de azarão. A remota Islândia participaria pela primeira vez da Eurocopa, o campeonato de seleções do Velho Continente. O empate na estreia diante de Cristiano Ronaldo e seus companheiros portugueses já foi festejado como um título. Uma zebra daquelas. Na rodada seguinte, a vitória sobre a Hungria escapou por entre os dedos. Mas nada prepararia os islandeses para o que viria a seguir: 2 a 1 na Áustria, 2 a 1 na Inglaterra, e o time azul estaria entre os oito melhores da Europa.

Confira agora os motivos que fazem da epopeia islandesa da Euro uma história de inspiração para todos – apaixonados por futebol ou não.

1. Itaquaquecetuba na Euro

A população da Islândia é minúscula. 332 mil pessoas vivem na ilha, 20 mil a menos que a estimativa de 2015 para a cidade paulista de Itaquaquecetuba. Imagine formar uma seleção formada apenas por itaquaquecetubenses e colocá-la entre as oito melhores da Europa. Esse é o tamanho da façanha de Sigurdsson e companhia. Mais de 70 municípios brasileiros estão a cima da Islândia no quesito demográfico – Caucaia (CE), Olinda (PE), Montes Claros (MG) e Ananindeua (PA), por exemplo.

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2. Uma terra longínqua

É comum ler a expressão “no meio do nada” em matérias sobre a Islândia. Política e geograficamente mais correto é afirmar que a ilha está situada a noroeste do Reino Unido, entre a Groenlândia e as Ilhas Faroe. “Ou seja, no meio do nada”, maldosos dirão.

3. Eyjafj

Até o início da Eurocopa, a Islândia aparecia nos noticiários por motivos bem distintos. A cantora Björk fez sucesso nos anos 90 com suas performances extravagantes. Em 2008, a economia do país quebrou e tornou-se símbolo da crise financeira global. Dois anos depois, o impronunciável vulcão Eyjafjallajökull entrou em erupção e complicou o tráfego aéreo de toda a Europa.

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4. Saco de pancadas

A seleção islandesa havia jogado 440 partidas oficiais antes da Euro, sempre variando entre amistosos e eliminatórias. Tradicionalmente um “peso morto” nas chaves que disputou, a equipe notabilizou-se por sofrer goleadas impiedosas, como a derrota de 14 a 2 para a Dinamarca em 1967. Formada por amadores até os anos 90, a seleção da Islândia acostumou-se a ocupar posições inglórias no ranking da FIFA. Estava ao lado do número 131 há apenas quatro anos.

5. Técnico dentista

Muito da virada do futebol da Islândia deve-se a Lars Lagerbäck, técnico sueco que já comandou seu país natal em duas Copas do Mundo. Ele assumiu a Islândia em 2011 e quase conseguiu a vaga para a Copa disputada no Brasil. Há três anos Lagerbäck divide sua função com o islandês Heimir Hallgrímsson, que entre uma partida e outra segue normalmente a sua carreira como dentista.

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6. Invasão nórdica

A classificação para a Euro veio em uma histórica campanha nas eliminatórias, com direito a duas vitórias sobre a poderosa Holanda. A euforia tomou conta do país e as passagens para assistir a competição venderam como água. Ou como aquecedores. Estima-se que 10 mil islandeses estejam nas arquibancadas a cada partida – ou seja, 3% da população. Alguns jornalistas chegam a afirmar que 10% da Islândia esteja curtindo o verão épico na França. O exagerado defensor Kari Arnason declarou que “reconhece uns 50% dos rostos da torcida”.

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7. Cântico Viking

Não basta comparecer, tem que dar show. A torcida da Islândia tem se notabilizado pela festa marcante nos estádios, em especial pelo “cântico viking”. O grito de guerra ritmado dá a impressão de que uma horda nórdica está prestes a atacar, fazendo lembrar o Haka da seleção de rúgbi da Nova Zelândia. Mas não se assuste. A sequência de urros intimidadores vai crescendo até se transformar em uma linda explosão de alegria.

8. Irritando CR7

A vibração de jogadores e torcedores da Islândia após as partidas não agrada a todos. O português Cristiano Ronaldo deu chilique após o tropeço de sua equipa na primeira rodada. “Eles (os islandeses) comemoraram como se tivessem vencido a Eurocopa, alguma coisa assim. Isso é mentalidade pequena. Por isso eles nunca serão nada”, vaticinou. Calma aí, ó gajo.

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9. O narrador maluco

O mundo inteiro já sabe que as previsões de CR7 foram por água abaixo. A Islândia cresceu na competição e conquistou duas vitórias heroicas. Primeiro ao bater a Áustria no último minuto e garantir a vaga na segunda fase. Depois veio a virada sobre a Inglaterra, resultado imediatamente gravado na eternidade. O bastante para levar um homem à loucura. As narrações febris do islandês Gudmundur Benediktsson após os resultados recentes conquistaram o mundo.

10. Final de novela

Os islandeses que não foram à França estão igualmente envolvidos. Os índices de audiência das partidas da seleção na Euro são surreais: durante o jogo contra os ingleses, 99,8% dos televisores ligados na ilha estavam sintonizados no jogo. Um número que superou os já assustadores 98,5% da vitória sobre a Áustria. Não há Roque Santeiro ou Avenida Brasil que se aproxime.

Icelandic soccer fans celebrate as they watch the Euro 2016 round of 16 match between Iceland and England shown on a screen in Reykjavik, Iceland, Monday June 27, 2016. Iceland pulled off the shock of the European Championship by beating England 2-1 in the round of 16 on Monday, continuing the improbable run of the smallest nation at the tournament. (AP Photo/Brynjar Gunnarsson)

O próximo capítulo da saga é diante da anfitriã França, no domingo, pelas quartas de final. Alguém ainda se atreve a duvidar da Islândia?

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Todas as fotos © AP

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