Inspiração

Alunos de São Carlos enfrentam preconceito e incluem casais LGBT e poliamor na quadrilha de festa junina

por: Vicente Carvalho

Os jovens dessa geração, os primeiros nascidos já na era digital e com possibilidade de busca de informação na palma da mão, não são os mesmos alunos que nós fomos um dia e estão bem longe de serem os alunos que nossos pais foram. E a pergunta que sempre me vem à mente é: “e por que o modelo escolar continua exatamente o mesmo há décadas?”

Mas, independente do modelo de educação estar passando por várias transformações (mesmo que lentas), o que me deixa extremamente otimista é que estes adolescentes (e muitas crianças) têm questionado muitas das coisas que antes eram impostas sem chance de diálogo (relembre essa, por exemplo).

Esses dias um amigo me disse que muitos deles (os jovens e crianças de agora) estão vindo com um chip de consciência expandida já acoplado na cabeça, pois enquanto ainda estamos discutindo diversidade de gênero, eles já nem veem a diferença entre as pessoas, querem mais é saber da pessoa, do ser humano e pouco se importam com quem você se relaciona afetivamente.

Pois bem, o motivo de eu estar falando tudo isso é para contar sobre uma iniciativa que estudantes do terceiro ano de uma escola em São Carlos, interior de São Paulo, tiveram para deixar a tradicional festa junina mais inclusiva, juntando à celebração casais de gays, lésbicas e até seguidores do poliamor.

Em um vídeo publicado pelo canal Põe Na Roda, os alunos contam que já vinham tentando fazer a quadrilha inclusiva há quatro anos (ou seja, quando tinham 13, 12 anos), mas sempre tiveram “burocracias” que acabavam impedindo de acontecer.

Eles então perceberam que a homofobia estava mais presente na escola do que eles imaginavam, e resolveram se manifestar e mostrar a indignação diante deste contexto, fazendo cartazes apoiando a causa LGBT.

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Foi aí que decidiram recolher assinaturas de pessoas que apoiavam a festa junina inclusiva, e ficaram bastante felizes com o resultado. Uma das alunas disse: “Eu sou heterossexual, e não vejo qual justificativa de uma pessoa que é homossexual, bissexual, não estar representada se isto não vai me afetar em nada, não vai tirar minha participação, nem nada disso”. Uma outra estudante completou:Somos jovens, a gente tem o poder de fazer mudança na sociedade“.

Além dos colegas de classe, eles também tiveram que convencer os professores e a direção da escola a respeito da ideia. Os pais dos alunos envolvidos foram praticamente unânimes na aprovação, mas eles tiveram que ouvir de alguns outros pais que “as crianças não estariam preparadas para ver isso” ou que os idosos também não estariam preparados pra ver. Confesso que quando ouço isso só lembro desse vídeo da reação de uma criança ao conhecer um casal gay.

Mas eles deixaram muito claro a todo momento que a finalidade não foi provocar nem chocar ninguém, mas sim distribuir a igualdade e trazer à tona uma discussão tão essencial nos dias de hoje. Confira abaixo o vídeo da reportagem completa e inspire-se:

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Todas as imagens: Reprodução do YouTube e Instagram

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Vicente Carvalho
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