Fotografia

O nu feminino capturado pelas lentes de Maíra Morais vai te hipnotizar

por: Brunella Nunes

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A nudez ainda é tabu, mas com ajuda da fotografia, o assunto se torna mais aceitável e até alvo de admiração. Tendo a figura feminina como combustível para belas séries de fotos, a brasiliense Maíra Morais consegue capturar imagens que fazem parte de um universo onírico, fantasioso e poético feito de mulheres não apenas nuas, mas livres.

Em 2011, Maíra abordou meninas na rua para fotografá-las com um mesmo vestido para a série “O vestido de 10 reais”, que acabou lhe trazendo confiança para convencer anônimas e amigas a se despir para fotos cheias de personalidade e elementos que remetem às suas inspirações, vindas de filmes e lugares. Sou bem ruim no quesito localização. Me perco muito no dia a dia. Várias dessas viagens que eu teoricamente teria desperdiçado já me renderam ideias por conta de lugares que achei… Matagais, casas abandonadas, etc”, contou ao Hypeness.

Ela acrescenta que, às vezes, ao bater os olhos em uma mulher já tem uma foto pronta na cabeça. “A partir daquela determinada cena, monto o restante da série. As últimas ideias vieram de cores e texturas. Um dos ensaios mais recentes se formou por conta de uma folha que achei no quintal da minha casa. E assim, com essa simplicidade e foco nas grandes pequenas coisas da vida, consegue se refletir num trabalho sensível e ao mesmo poderoso.

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Depois de começar a fotografar durante a faculdade e trabalhar num jornal de Brasília, onde mora, criou gosto pelo ofício atrás das câmeras e viu que a direção fotográfica a atraía mais do que o fotojornalismo. O interesse pelo nu feminino veio naturalmente, afinal, o corpo da mulher é fascínio de muita gente. “Acho incrível como nosso corpo é versátil. Delicado e, ao mesmo tempo, tão forte. A ideia da nudez, pra mim, é a possibilidade de criar um personagem com mais de uma faceta. Acho que tem muito a ver com o que a fotografia significa pra mim hoje, a capacidade de fazer um recorte na realidade e criar uma narrativa nova. O nu feminino tem N possibilidades de narrativas num mesmo recorte”.

Para Maíra, a mulher é um ser muito poderoso, que pode ser o que quiser não só no sentido óbvio, profissional, mas de ser o que se quer ver. Assim, acredita que o nu não necessariamente deve ser sensual e aponta os erros ainda cometidos por revistas masculinas. A nudez de revistas masculinas é meio triste por ser uma espécie de cabresto. Poderia ser muito mais se não objetificasse tanto nosso corpo. Claro, a gente pode sim querer estar lá vestida com a fantasia de coelhinha ou sei lá o que, mas, sério, só isso? O tempo todo? A nudez, e não só a feminina, no meu mundo ideal, seria para desconstruir esses papéis que a gente está careca de ver e ajudar a mostrar os tantos outros possíveis”, argumentou.

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A mulher não tem que ser o objeto, assim como o homem não tem que ser o provedor que quer comer todo mundo o tempo todo. O nu se reinventa a cada mulher que eu fotografo, com cada personalidade que encontro. Minhas fotos são um pouco auto retratos e, um pouco, gente que eu queria ser, que admiro. O importante pra mim é que a modelo não seja só um objeto, mas o sujeito, coautora no ensaio. “, continuou.

Otimista com o cenário atual, acredita que os ensaios estão mesmo se reinventando e alcançando outros patamares. Com a ajuda de trabalhos como o dela, pode ficar mais fácil encontrar inspiração e atravessar as barreiras entre o nu machista e o nu conceitual que valoriza a figura feminina. Afinal, é se perdendo que a gente se encontra.

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Todas as fotos © Maíra Morais

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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