Sustentabilidade

A baleia mais solitária do mundo não tem família, não pertence a um grupo, nunca teve um parceiro

por: Vitor Paiva

Aos emotivos de plantão, há um enorme coração vagando só pelo pacífico norte. Não, não se trata de um navegador abandonado, mas sim de uma pobre baleia – a baleia mais solitária do mundo. Segundo cientistas, ela não tem família nem grupo, nem jamais teve um parceiro sequer. E segue vagando, desde 1989 ao menos (quando foi descoberta), chamando pela companhia que jamais chega.

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Sua existência foi descoberta pela marinha americana, monitorando potenciais inimigos. A razão de sua solidão é na mesma medida especial e melancólica: enquanto as outras baleias emitem seu canto em uma frequência entre 12hz e 25hz, ela canta em um grave inaudível para suas semelhantes, à baixíssima altura de 52hz – mais grave que a mais grave nota de uma tuba. Assim, as baleias simplesmente não são capazes de escutar seu clamor.

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O som é de fato quase inaudível, e a história é tão comovente que um documentário está sendo produzido sobre a baleia solitária.

Especulou-se se esta seria uma baleia surda, ou se teria algum tipo de malformação, mas o próprio fato dela permanecer viva, mesmo que sozinha, em um ambiente tão duro quanto o Pacífico norte faz os cientistas crerem que trata-se de uma baleia saudável, e que seu impressionante tom de voz provavelmente venha de uma inesperada mistura genética. O que se tem certeza é que seu gigante coração segue clamando por companhia, tão regular quanto um metrônomo, ainda que ninguém responda.

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© fotos: divulgação

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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