Debate

Campanha para a Paralimpíada aposta em celebridades modificadas ao invés de pessoas com deficiência

por: Brunella Nunes

Existem alguns assuntos que exigem uma sensibilidade gigante, um bom senso que vai além do que muitos costumam ter. Depois dos Jogos Olímpicos, será dada a largada da Paralimpíada, entre os dias 7 e 18 de setembro de 2016. Eis que para divulgar o evento, tão importante e representativo para pessoas com deficiência, a campanha Somos Todos Paralímpicos é estampada por Cléo Pires e Paulo Vilhena, dois atores que foram modificados no Photoshop para terem braço e perna amputados. E agora?

Veja bem, a culpa não é bem dos modelos, que provavelmente fizeram isso na melhor das intenções e com o objetivo de apoiar, dar visibilidade pra essa galera. Mas dessa forma o projeto não faz sentido algum. Como que os Jogos Paralímpicos, cheios de atletas que fazem maravilhas para praticar seus esportes, está de alguma forma ligado a duas pessoas que sequer possuem algum tipo de deficiência física? Como que o atleta paralímpico está incluso ou representado numa campanha dessas?

Assinada pela agência África, a ação já está causando polêmica. Veiculada em primeira mão pela revista Vogue, que foi parar nos trending topics do Twitter e fez um ensaio de moda com o tema, o anúncio quis colocar Cléo no lugar de Bruna Alexandre, paratleta do tênis de mesa, e Paulo fazendo referência a Renato Leite, que pratica vôlei sentado. Só que, até onde sabemos, Bruna e Paulo são duas pessoas, reais, que são atletas, estarão na Paralimpíada, e simplesmente não aparecem na própria campanha, apenas as partes amputadas de seus corpos. E estavam presentes no dia das fotos e ambos são medalhistas em suas modalidades.

Novamente, vale ressaltar que Bruna e Renato também participaram da ação provavelmente com o intuito de colocar no lugar deles qualquer pessoa que esteja dentro dos padrões. O problema é que o anúncio acabou virando um insulto, um desrespeito com as pessoas com deficiência, que já passam por inúmeras situações nada inclusivas, e acabam ficando novamente excluídas pela falta de sensibilidade da equipe de criação. Inclusão é sair do padrão e não colaborar com ele. Modificar dois atores no Photoshop não é o melhor dos caminhos para a representatividade e acaba estampando o preconceito que levou a campanha a não optar por modelos com deficiência ou atletas paralímpicos. Nonsense define. O que ficou no final das contas foi uma grande interrogação: somos todos Paralímpicos?

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Todas as fotos: © André Passos/Divulgação

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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