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Os doces veganos criativos e deliciosos do Festival do Chocolate Vegan

por: Brunella Nunes

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No primeiro domingo de agosto, São Paulo foi tomado por abelhas humanas em busca de boas opções açucaradas. Foi dia de Festival do Chocolate Vegan, que trouxe à tona aquela velha polêmica “mas o que vegano come além de alface?” e mostrou o quanto a criatividade e os avanços culinários conseguiram tornar os doces veganos ainda mais gostosos do que os convencionais. A gente mergulhou neste universo e encheu a pança, é claro.

No geral, o brasileiro está acostumado com altas doses de açúcar refinado circulando no sangue. Prova disso é que o brigadeiro, invenção brazuca, é uma das guloseimas mais consumidas por aqui, mesmo que seja extremamente doce. Com uma crescente busca pelo o que mais saudável, será que não está na hora de rever nossos conceitos e abrir a mente para novos sabores?

O cacau, que muita gente nunca nem provou na vida, está ganhando cada vez mais atenção e espaço nas prateleiras. Ele é (ou deveria ser) a matéria-prima dos chocolates, mas ao menos um em cada três chocolates de grandes marcas brasileiras não tem o percentual mínimo de cacau em suas composições, que deve ser de ao menos 35% segundo o Projeto de Lei do Senado (PLS) 93/2015.

Como alternativa, o cacau se faz presente em boa parte dos doces veganos artesanais deliciosos assim como o chocolate ao leite está por todas as partes do Brasil. Quem idealizou o festival foi o Edi Prates, do Veg Fest, focado em bandas, palestras e bazar para veganos e vegetarianos, junto com a cooperativa No More Pain, da Rosane Calegari, que é vegana há oito anos. Os custos do evento são divididos em porcentagem de vendas dos expositores, para garantir um sistema mais justo entre os produtores artesanais.

Perguntei ao o que ela atribui o crescimento de adeptos e interessados pela ideologia. Acho que as pessoas estão vendo que é possível. Agora conseguimos ter muito mais informação, não só da parte nutricional, mas de onde vem a carne, o processo do leite e de tudo de origem animal. O acesso às opções veganas em lojas, mercados, restaurantes, também facilita mais e as pessoas tendem a ter mais coragem de tentar”, disse.

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Na feira, haviam boas opções para provar e se dar conta de que é possível ser feliz e se manter totalmente apaixonado por sobremesas ao seguir a ideologia que se recusa a consumir quaisquer derivados de animais. Além disso, o festival surpreendeu pela variedade de sabores e qualidade. Vamos para a parte boa da comilança e conhecer alguns produtores:

A Lola & Lóri conseguiu fazer uma versão sem leite e mais natural do Bis e do norte americano Reese’s, que é como se fosse uma casquinha crocante de chocolate recheada de pasta de amendoim. Simplesmente dos deuses! Outro sucesso de vendas é o brigadeiro de biomassa de banana verde e um pocket cake com camadas, envolvido na mesma casquinha de chocolate. “Me incomodava o plástico em que os cupcakes eram envolvidos, então para também não gerar lixo, criei essa versão em que a base do bolinho também é comestível e vende muito”, explicou Bruna Gregolin, uma das sócias.

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Na mesa da Choco Vegan haviam brigadeiros, brownies sem glúten, trufas de chocolate belga vegano e barrinhas de chocolate de todos os tipos, incluindo branco com limão e cacau com frutas vermelhas, que são alguns dos sabores mais vendidos. Levei alguns para casa por R$ 3 cada, preço que achei justo. Também provei os biscoitos “amanteigados” da Budapeste Bakery. Provei ainda o Café Caramello, um creme de café sem glúten, sem lactose, sem sódio e sem conservantes. Dá pra misturar no leite vegetal, comer de colher, usar em receitas e etc. E sim, eu comi muito MESMO nesse festival.

A FreeMiga tinha bombons recheados e palhas italianas, enquanto o pessoal da Lasquinhas levou suas lascas de cacau com castanhas, frutas secas e temperinhos mágicos. Já A Doceria Vegana levou torta de cacau e brownie.  As meninas da Bem Te Vegan capricharam e montaram uma mesa de encher os olhos. Ali haviam cupcakes, trufas e o pão de melado, que seria uma versão de pão de mel, também não consumido por veganos. Uma receita parecida estava presente na mesa da Yby Sabor Saudável, um cupcake de melado, junto com bolo de cenoura.

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A sobremesa mais adocicada que provei foi uma cocada de cacau da Viver Integral, que leva massa de cacau orgânico, coco ralado fresco e açúcar mascavo orgânico. Tinha também uma rapadura enérgica de cacau com café, ideal para quem ainda não tem o paladar menos açucarado.

Outra coisa que foi surpresa pra mim eram os churros, que, vamos combinar, é simplesmente uma das melhores invenções humanas. Sem ingredientes de origem animal, leva algumas substituições, como por exemplo o óleo vegetal no lugar da manteiga. O resultado do Veggie Churros da Li é igualmente bom e como recheio tinham opções de geléia de morango e ganache de chocolate belga.

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Na mesa da Salad Days/No More Pain Cooperativa tinham algumas salgadas, como coxinhas de carne de soja e de jaca, além de hambúrgueres de grão de bico e de soja. Mas eu queria mesmo era mergulhar nos bolos e tortas maravilhosas. Floresta Negra, Paçoca com chocolate, limão com chocolate e cheesecake vegan, feito com tofu, que foi a minha escolha. É incrível como ficou parecido com o cheesecake convencional mesmo sem cream cheese, que é a base para o doce.

Fora a comilança, quem também deu as caras foi a artista Silvana Mello, que faz uma arte linda com nanquim e linha de costura, e cedeu um de seus desenhos para estampar camisetas gratuitamente durante o evento. As marcas Veggie Life, Veggie Mug, Catland e Múmia Medusa também estavam por lá com seus produtos livres de crueldade animal.

O saldo disso tudo, além da minha barriga positiva, foi ver o quanto estas pessoas batalham pelo o que acreditam e lutam por um mundo com direitos iguais. Com o consumo de carne, couro e outros itens de origem animal ficando cada vez mais insustentáveis para o planeta, vale a pena conhecer novos sabores e novas causas. A maioria destes produtores aceita encomendas, então fica a dica para aquele próximo evento familiar e aproveita pra ir na 4ª Feira Motivação Vegana.

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Todas as fotos © Brunella Nunes

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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