Desafio Hypeness

Desafio Hypeness: o que aconteceu quando passei duas semanas acordando às 5 horas da manhã

por: Gabriela Alberti

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No meio de um Skype com a equipe, começaram a surgir ideias para novos Desafios Hypeness. Entre eles, um em especial me chamou a atenção: e se alguém ficasse uma semana acordando às 5 da manhã? Pensei comigo, véi, quem seria louco? Poderia fazer o desafio de ficar sem açúcar, sem internet, sem ingerir álcool, qualquer um do mundo, mas esse, sinceramente, não era comigo.

Pra mim, sempre foi uma dificuldade imensa sair da cama. Desde sempre. Quando criança, minha mãe conta que colocava meu uniforme e penteava meu cabelo comigo dormindo mesmo, porque não tinha santo que me despertasse.

Então o ônibus da escola passava para me buscar e, obviamente, eu ia dormindo durante todo o trajeto. Você deve estar pensando que quando chegava a noite eu ficava elétrica, por ter dormido tanto pela manhã, certo? Errado. Dormia cedo e como uma pedra.

Como eu disse, dormir nunca foi uma dificuldade para mim. Sou dessas que precisam (ou gostam, como preferir) dormir pelo menos 9 horas por noite.

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Mas esse desafio ficou na minha cabeça. Pensava, como essas pessoas conseguem? E por que elas fazem isso? Claro, eu sei que existem milhares de pessoas no mundo todo acordando nesse horário e talvez até mais cedo, mas por necessidade, porque não têm escolha. Eu mesma, durante o terceirão, passei um ano sob essa tortura.

E aí, como um sinal do destino, apareceu na minha timeline um artigo me dando 7 motivos para acordar, adivinhem, justamente às 5h. Cliquei no link e comecei a ler imediatamente. Então eu descobri que existe um negócio chamado Clube das 5 da manhã (ou ‘5am club‘), e que muitas pessoas acordam neste horário não por necessidade, mas por escolha. Por livre e espontânea vontade.

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Essas pessoas são conhecidas como “high achievers”. E entre eles estão grandes líderes e empresários bem sucedidos, como o Tim Cook, da Apple, Richard Branson, da Virgin, Robert Iger, da Disney, e Howard Schultz, da Starbucks, são alguns dos adeptos.

Pesquisei mais sobre o assunto, e descobri que existem inúmeras pesquisas que defendem os benefícios físicos e mentais de se acordar tão cedo assim. Uma delas, conduzida pela Universidade Roehampton, de Londres, diz até que quem acorda cedo é mais magro e feliz!

Ok, internet, você venceu. Pensei comigo, só uma semana, acho que vou tentar!

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No domingo que antecedeu o início do desafio, o objetivo era dormir cedo, pelo menos às 22h deveria estar na cama. Coloquei meu despertador para às 5 horas, e comecei a ler um livro.

Quem disse que o sono apareceu? Decidi ver uma série. Nada. Desliguei tudo, apaguei a luz, e apenas esperei pelo maldito, que me acompanhou a vida inteira e só poderia estar de sacanagem comigo naquela noite. Fui dormir depois da meia-noite, mas ainda sim estava firme, acordaria cedo no dia seguinte, custe o que custar.

O despertador tocou, e parecia que tinha se passado 5 minutos desde que tinha fechado os olhos. Não vou mentir, coloquei no soneca, mas na segunda tentativa ele conseguiu me tirar da cama. Decidi ir direto para o exercício do dia, assim já matava o item da lista, além do combo banho/lavar cabelo/secador que já seria eliminado também.

Me troquei, tomei café, passei um corretivo básico nas olheiras porque né, acordar às 5h não é com elas. Quando passei pelo estacionamento, estava tudo tão escuro que fiquei até com um pouco de medo (sim, sou dessas, me julguem). No caminho até a academia, nenhum trânsito. Pouquíssimas almas vivas pela rua, um ônibus e talvez uns 4 carros passaram por mim. Geralmente, levo 8 minutos para chegar até o local. Nesse dia levei 3.

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Café, meu melhor amigo durante o desafio

Estacionei, e vi que estava fechado. Pensei em voltar correndo pra casa, e me jogar debaixo das cobertas, mas não o fiz. 6h05, e nada do professor chegar. 06h10. 06h15. 06h20 dois carros desistiram e foram embora. Falei pra mim mesma, você já acordou, já saiu de casa, aguenta firme que ele deve estar chegando. 06h30 o professor deu as caras. Pediu desculpas, contando que o pneu havia furado. Começando o primeiro dia super bem, sqn.

Durante a aula, para minha surpresa, eu estava com pique e bem desperta! Rendi muito mais do que esperava, e voltei pra casa feliz da vida.

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Aquela selfie no elevador para provar que fui fitness

Tomei meu banho, me arrumei com calma (geralmente tenho 5-10 minutos pra isso, já que sempre durmo até o último minuto possível), e ainda faltava mais de 1 hora para o trabalho. Vi um pouco de jornal mas logo resolvi sair, assim teria tempo de sobra para deixar meu cachorro no pet care, e encontrar uma vaga boa na frente da agência.

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Esse é o Chico preguiçoso, que não gostou muito da ideia de acordar cedo

Cheguei pilhada, com a maior energia. Eu estava realmente surpresa com isso, pois quando acordo mais tarde, no meu horário habitual, minhas manhãs costumam ser arrastadas e sonolentas.

O dia rendeu muito, e voltei pra casa feliz da vida, apaixonada pelo meu novo hábito e pensando como realmente era positivo e possível acordar cedo.

Claro que essa alegria duraria pouco. No segundo dia não foi difícil levantar, e minha rotina foi a mesma do dia anterior. Exercício/banho/trabalho. Pela manhã, rendi bastante novamente. Foi após o almoço que o bicho começou a pegar. Não sentia exatamente sono, mas sim uma sensação parecida com a de ressaca. Boca seca, dor de cabeça, aquela dificuldade de concentração. Tudo que queria era que o relógio desse 19h logo para poder ir para casa dormir. Cheguei tão cansada que nem quis jantar. Dormi até o dia seguinte.

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E o despertador tocou de novo. 05h00. Não conseguia nem me mexer para apertar o soneca, quem diria sair da cama. A sensação era de dor no corpo todo, parecia que estava gripada, mas não estava. Resolvi não levantar, e dormir até às 08h, meu horário “normal”.

Fui para o trabalho e, como na tarde do dia anterior, a experiência foi horrível. Parecia de verdade que um caminhão tinha passado por cima de mim. Sentia dores físicas e não conseguia ter foco em nada que fazia. Mesmo caprichando no café, estava difícil me manter acordada. O dia pareceu ter o dobro de horas, mas finalmente fui para casa descansar. Pensei em desistir um milhão de vezes, mas tinha algo lá no fundo que falava pra eu insistir. Deveria ser uma reação do meu corpo, uma espécia de “detox” que logo passaria e tudo ficaria bem, como no primeiro dia.

Quinta-feira, quarto dia do desafio. Não desisti. Levantei no horário e fui para a academia. Na dúvida, tomei um energético. Tudo parecia estar voltando ao normal, e aquela sensação de prazer que vivenciei no primeiro dia do desafio estava dando as caras de novo.

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Zero, claro. Porque quem acorda cedo é mais magro e feliz, já dizia a Universidade Roehampton

Com o tempinho livre que tive entre o exercício e trabalho, resolvi voltar a ler um livro que há tempos estava esquecido na minha cabeceira. Era “O Poder do Hábito”, que parecia cair como uma luva para o momento que estava passando.

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No trabalho, estava com energia e concentração novamente. Entreguei todos os meus jobs, tudo com calma e dentro do prazo. Aquela sensação de dever cumprido não tinha preço!

No quinto dia foi quando conclui que uma semana seria pouco. Aumentei minha meta, e agora passaria duas semanas acordando às 5h. Estava começando a gostar da brincadeira, confesso.

O único “problema” que estava enfrentando era que o sono batia cedo. Então era sexta-feira à noite e eu estava de pijama em casa louca para ir para minha cama dormir e só sair de lá na segunda-feira. Mas tudo bem, mais uma vez pensei, deve ser uma questão de costume do corpo, logo consigo controlar isso.

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Chegou o fim de semana, e decidi que não precisava acordar às 5 horas. Só se eu quisesse inaugurar a feira ou pegar o primeiro voo da ponte aérea, o que não era o caso. Mesmo assim, resolvi sair da cama mais cedo, e 07h30 estava de pé. Para quem costuma levantar 10h30, 11h no sábado e domingo, estava ótimo. Resolvi dar uma geral na casa, e às 09h já estava na feira tomando café da manhã.

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No domingo foi mais difícil. Parece que a cama cria braços e te segura, é sério! Mas consegui. Era dia de churrasco em família, e precisava comprar algumas coisas, então 08h00 já estava na rua. Passei no Mercado Municipal, e logo em seguida no mercado aqui do lado de casa. Voltei pra casa, preparei a sobremesa, adiantei uns posts e fomos para o almoço. Chegamos em casa umas quatro da tarde, e aquela preguiça de domingo bateu forte. Tirei um cochilo de uma hora mais ou menos, sem nenhum peso na consciência!

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Acordar cedo para ir ao Mercado Municipal chega até a ser prazeroso!

Era hora de começar a segunda semana do desafio, e as coisas seriam um pouco diferente, já que estaria fazendo home office. Semana passada estava num freela, então batia ponto das 09h às 19h, e agora a rotina voltava a ser mais flexível.

Segunda-feira, oitavo dia acordando cedo. Mesma coisa de sempre: acorda, toma café, troca de roupa, vai para a academia. Volta, toma banho, lava o cabelo, seca o cabelo. Pronto, agora o dia pode começar.

Sentei na frente do computador e comecei a organizar umas coisas pessoais. Olhei no relógio, e ele ainda marcava oito horas da manhã. Geralmente estou acordando nesse horário, e já tinha feito tanta coisa nessas 3 horas! O dia continuou rendendo como nunca. Fiz tudo que precisava e ainda tinha sobrado tempo. Isso não era algo comum na minha rotina, vivia reclamando que faltavam horas no meu dia, que não dava conta de tudo, e blábláblá.

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Feliz da vida por dar conta de tudo

Na terça-feira, acabei me machucando durante um exercício. Novamente, pensei em desistir do desafio. O que iria fazer levantando às cinco da manhã? Como trabalho na grande maioria com pautas diárias, não consigo adiantar nada tão cedo assim, visto que as pautas são distribuídas pelos nossos editores durante o dia. Mas botei a cachola para funcionar, e resolvi inventar coisas para me ocupar. Porque acordar tão cedo para ficar vendo televisão de nada adianta, né?

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Depois do café, o corretivo foi meu segundo melhor amigo nessa fase

Na quarta-feira, décimo dia do desafio, fui fazer uns exames de sangue que estava adiando há tempo. Chegando lá, fui atendida super rápido. Fica a dica então, porque ninguém merece enfrentar fila para isso! Na volta, como ainda estava cedo, resolvi fazer um bolo. Batido à mão, claro. Não queria acordar o prédio inteiro! Durante o dia, não tive problemas com o sono de novo, mas fiquei um pouco enjoada. Acho que exagerei no café em jejum.

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Quinta-feira, desafio na reta final! Como estava vetada da academia ainda, levantei e fui comprar uns produtos de limpeza que estavam faltando aqui em casa. Dei de cara com a porta! O mercado só abriria às 08h. Bom, estava na rua, lembrei que tem uma farmácia 24h perto de casa e fui até lá comprar umas coisas que estava precisando. Eu não sei vocês, mas eu AMO farmácia. Posso ficar horas passeando pelos corredores, lendo rótulo de shampoo e de cremes para o rosto, experimentando maquiagens, comparando os mais variados tipos de band-aid, enfim, pra mim aquilo é o paraíso (eu sei, me julguem de novo…)!

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É muito band-aid, Brasil!

Quando saí de lá o mercado estava quase abrindo. Cheguei em casa umas 8h30 e já tinha riscado dois itens da minha lista de to do do dia. Agora era foco no trabalho e pronto.

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Sexta chegou! Na teoria, seria o último dia levantando às 5h, pois no fim de semana me dava o luxo de dormir mais umas duas horinhas. Como hoje eu teria um aniversário e não queria dormir no meio da festa, resolvi levantar às 06h. Coloquei roupa para lavar, coloquei roupa para secar, tirei o lixo, passei uma vassourinha pela casa, tomei banho e, de novo, nem eram 8 da manhã.

É realmente mágico como seu dia rende quando você acorda cedo. Trabalhei o dia todo, me arrumei e fui para o aniversário. Repetia mentalmente não vou ter sono, não vou ter sono, não vou ter sono, quase como um mantra. Tudo ocorria bem, até que lá pelas 22h30 mais ou menos, ele chegou. Sim, o maldito soninho. Mas decidi que não deixaria ele ficar, então fui até o banheiro, joguei uma água na cara e lutei contra ele. Placar final: Gabriela 1 x 0 Sono. Cheguei em casa às 03h me sentindo jovem como nunca!

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Nem sinal de sono ou cansaço! Muito menos de foco na câmera…

Mas logo veio o peso na consciência, e falei: ferrou! Como vou acordar amanhã? Realmente, eu estava ferrada. Mas consegui. Levantei bela e formosa às 08h, e parti tomar café numa padoca aqui do lado de casa. Levei meu computador e aproveitei para matar os posts de segunda-feira.

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Favor não reparar no pão mordido 😡

Voltei pra casa perto das 11h, me arrumei e saí para almoçar. Na volta, na tentativa de ver um filme, dormi. E dormi bastante. Umas 3 horas, eu acho. O cansaço estava começando a se acumular, e voltava a dar o ar da graça. À noite só dei uma volta e parei para comer algo, mas voltei pra casa rapidinho. Só pensava na minha cama!

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Domingo, último dia. Nem acreditava! Mesmo cansada, pulei da cama e fui até um parque perto de casa, já que estava me sentindo melhor para fazer exercícios. Dei uma corrida, peguei uns pokémons (me julguem mais uma vez!), e voltei para casa.

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Tomei banho, tomei café, me arrumei e parti rumo à feirinha do Largo da Ordem, tradicional aqui em Curitiba. Depois de almoçar por ali mesmo, fui até o shopping resolver umas coisas, e voltei pra casa. Como não poderia ser diferente, dorminguei o resto da tarde, colocando umas séries que estavam atrasadas em dia.

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Feirinha do Largo <3

Resumo da ópera

Realmente, as pesquisas e todos os membros do Clube das 5 da manhã estavam certos. Acordar junto com os passarinhos aumentou minha produtividade, fez meu dia render, melhorou minha concentração e me deixou mais disposta e feliz (só não emagreci, Universidade de Roehampton). Mas, sinceramente, estava com saudades daquele tempinho a mais debaixo das cobertas.

Não sei se foi um cansaço acumulado, ou se faz parte do processo do corpo acostumar com a nova rotina mesmo, mas na segunda-feira pós-desafio tudo que pensava era em dormir até mais tarde, por mais que tenha gostado da experiência de madrugar.

E como já falei acima, não faz diferença para mim acordar mais cedo por conta do trabalho (motivo pelo qual os high achievers acordam), pois é algo que não consigo adiantar na minha rotina. Mas cumprir algumas tarefas diárias antes das oito, além de dar um certo orgulhinho, já ajuda e muito o andamento do dia.

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Eu no fim do desafio: misto de alegria e cansaço

De qualquer maneira, decidi que vou levar isso adiante, e quero começar a acordar mais cedo do que o habitual. Não precisa ser às 5h, mas talvez uma hora mais cedo, pelo menos. Mesmo porque, ao contrário do que eu sempre achei, dormindo menos, meu corpo sente menos sono e cansaço durante o dia.

E você, topa entrar pra esse time? Use as hashtags #1semanaacordandoàs5h, #clubedas5hypeness e #desafiohypeness para podermos acompanhar o processo. Quem sabe sua foto não aparece por aqui?

Boa sorte, e não esquece de renovar o estoque de café!

Imagens © Gabriela Alberti/Giphy

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Gabriela Alberti
Aquariana, curitibana, canhota e (só um pouco) teimosa. Curiosa desde o berço, tô sempre em busca de novidades, da senha do wi-fi, de novas séries para virar o fim de semana e de passagens promocionais para, quem sabe um dia, dar a volta ao mundo.

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