Inspiração

Ela foi uma das pioneiras do empoderamento feminino, mas acabou morta na guilhotina

por: Vitor Paiva

Se hoje é possível defender a emancipação feminina, que uma mulher se divorcie ou lutar contra qualquer tipo de escravidão, deve se agradecer também a uma pouco conhecida autora de teatro francesa do século XVIII. Olympe de Gouges, à frente de uma companhia de teatro, utilizava suas peças, panfletos e até cartazes que mandava espalhar pela cidade para debater tais tópicos. Ainda hoje, esses temas acendem debates inflamados e intermináveis – imagine a dificuldade de levanta-los e defende-los no final do século XVIII.

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“Ó mulheres! Mulheres, quando deixareis vós de ser cegas?”, escreveu Olympe em seu mais famoso panfleto, a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. Tal conclamação vinha como resposta direta ao documento símbolo da revolução francesa, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, que praticamente nada dizia sobre as desigualdades e os direitos do sexo feminino. A autora, portanto, não se limitou a criticar o antigo regime ao longo da revolução, mas também expôs e atacou os excessos e as injustiças do novo regime – inclusive contra os líderes dos Jacobinos, Jean-Paul Marat e Maximilian de Robespierre, que governaram com mão de ferro a França entre 1792 e 1794.

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O lema de Liberdade, Igualdade e Fraternidade que moveu o processo revolucionário não incluiu, contudo, Olympe. Robespierre não perdoou sua ousadia, e condenou a autora à morte, sem direito à defesa ou sequer um advogado, por questionar os valores republicanos. Olympe foi levada à guilhotina somente 18 dias depois da antiga rainha Maria Antonieta, em 3 de novembro de 1793.

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Antes de ser morta, no entanto, Olympe ainda mostrou uma última vez sua coragem inquebrantável, bradando uma frase de seus panfletos: “Se a mulher tem o direito de subir ao cadafalso, ela deve ter igualmente o direito de subir à tribuna”. Após emitir tal afirmação, Olympe foi decapitada pela guilhotina – para, mais de dois séculos depois, tornar-se um símbolo da luta feminista, tendo ganhado um busto – uma rara homenagem a uma mulher, entre tantos homens – como personagem histórica na Assembleia Nacional francesa, em Paris.

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© fotos: divulgação

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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