Inspiração

Projeto Risologistas leva alegria e olhar humano a hospitais

por: Tuka Pereira

Quando se está internado em um hospital, tudo o que a pessoa mais deseja na vida é sair de lá o quanto antes. Mas entre o processo de cura e a vontade de continuar a vida longe daquele ambiente geralmente tão triste, as pessoas não têm escolha, a não ser esperar. E assim, para levar um pouco de alegria e leveza a este ambiente, entra em ação o projeto Risologistas.

Foto Bruna Marchioro (5)

Composto por Alan Soares, Alfredo Cruz, Roberto Ventura, Jhonatan Cruz, Tayssa Mazetto e Marcelo Kutianski, o Risologistas tem a missão de alegrar a vida de pacientes através da arte. Inspirados no trabalho do médico americano Patch Adams – pioneiro na metodologia de tratar seus pacientes com risadas – os artistas brasileiros iniciaram a ‘palhaçaria’ em 2007 nos hospitais das cidades de Cascavel e Curitiba (ambas no Paraná).

Foto Bruna Marchioro (1)

Nós queremos quebrar a rotina. O ambiente hospitalar é muito triste e muito frio e existem razões para isso como o medo da morte, medo do processo de cura e o medo de descobrir que se está doente. Quando o Palhaço entra no Hospital, ele leva junto sua energia e seu universo, sempre de forma respeitosa e entendendo os limites de cada um. O palhaço entrega amor através do riso, explica Alfredo, diretor artístico do grupo.

Foto - Sandra Zama

Além de hospitais, o grupo se apresenta também em orfanatos, asilos, Unidades Básicas de Saúde, APAEs e em escolas de bairros periféricos de várias cidades brasileiras. Este trabalho carinhoso é feito de forma voluntária, sem nenhum tipo de custo para quem assiste as apresentações e nem para as instituições. Como todos os integrantes do elenco vivem de arte (clown ou música), quando não estão atuando como voluntários, desenvolvem projetos de espetáculos de palco em empresas privadas e oficinas.

Foto Bruna Marchioro (4)

De acordo com sua metodologia de trabalho nos hospitais, os Risologistas consideram a importância de analisar o tratamento como um todo. A música e a alegria proporcionam uma dose a mais de esperança ao paciente. Com muito respeito à realidade em que cada um está inserido, cada palhaço transforma o paciente no ator principal. Entregamos a responsabilidade de seu bem-estar à sua autoconfiança e a seu estado motivacional, conta o artista.

Foto Bruna Marchioro (12)

Em um hospital, o palhaço tem a capacidade de abrir um novo mundo e até mesmo de desconstruir hierarquias. Com nossa presença, o médico e a zeladora se encontram dentro do mesmo universo, do mesmo ambiente… É este o ambiente que oferecemos ao paciente, junto a uma nova maneira de compreender seu tratamento”.

Foto Bruna Marchioro (15)

Apesar de quase só haver receptividade ao trabalho do grupo dentro de hospitais, vez ou outra acontecem histórias de pessoas relutantes. Uma delas fez com que Alfredo decidisse se tornar palhaço pelo resto de sua vida:

Certa vez bati à porta de um paciente que sofria com um câncer no estômago e perguntei se podia entrar. Fui recebido comum sonoro não seguido da frase: ‘odeio palhaços’. Ao invés de partir para o próximo quarto, insisti e disse que poderia realizar qualquer sonho que ele tivesse. Para minha surpresa ouvi de pronto com uma voz cheia de dor: ‘Quero morrer”. Sai do quarto, me encostei na parede, tirei meu nariz vermelho, chorei uns dois minutos e voltei: ‘Tudo bem então, a gente vai fazer o seu velório’. Chamei o resto do grupo, enfermeiras, zeladoras e montamos uma cena, tipo novela mexicana, de sua morte. As gargalhadas do paciente começaram a ecoar pelos corredores e me senti perfeitamente bem. Achei que era meio egoísta eu me sentir bem sabendo que aquele paciente não viveria muito tempo, contudo, ao ouvir suas risadas, meu palhaço interior me disse: ‘Ouça essas risadas, agora ele está vivo’. Depois daquele dia decidi que seroa um palhaço de hospital por toda a vida. Pois o Palhaço não é apenas a alegria, também é a denúncia que comprova que necessitamos de mais humanidade e mais amor dentro destas instituições”, concluiu.

Foto Bruna Marchioro (2)

Foto Bruna Marchioro (3)

Foto Bruna Marchioro (9)

Foto Bruna Marchioro (14)

Foto Bruna Marchioro (16)

www.risologistas.com.br

Todas as fotos © Sandra Zama/Bruna Marchioro/Fabinho

Publicidade


Tuka Pereira
Jornalista há mais de uma década e 'escrevinhadora' há muito mais tempo, Tuka Pereira aborda feminismo a gatinhos fofos com a mesma empolgação. Se existe algo que gosta mais do que escrever é carimbar o passaporte. Já esteve em boa parte do mundo e todo dinheiro que ganha gasta em viagens.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
‘Não foi só viagem’: Lucas Maciel fala sobre imersão cannábica no Uruguai em novo doc