Debate

Bono Vox, ‘foco nas mulheres’ e o necessário protagonismo feminino

por: Tuka Pereira

Há algum tempo me meti na maior confusão pelo Facebook com um amigo bastante querido. Ele organizou uma roda de debate para discutir sobre a importância do feminismo na sociedade e, divulgou, orgulhoso, as fotos do evento. Ao bater o olho na imagem, mal pude acreditar no que estava vendo: não havia NENHUMA mulher ali.

Quando tentei explicar o quanto aquela situação era irônica, inadmissível e um retrato fiel de como as mulheres são tratadas, um grupo de homens prontamente me atacou. Segundo eles, eu estava dizendo que homens não poderiam falar sobre feminismo, mas eu jamais disse isso. O que eu queria que eles entendessem na verdade era algo muito simples: o movimento feminista tem como protagonistas as mulheres; os homens são mais do que bem-vindos sempre, mas sua participação é no papel de apoiadores.

Pois bem, nesta semana tivemos dois fatos um pouco parecidos com a situação que descrevi aí em cima. O primeiro deles é uma matéria sobre uma nova empresa, a StyleHaul Brasil, focada em conteúdo e entretenimento digital para o lifestyle feminino. A foto (abaixo) de destaque mostra sete homens (sim, SETE HOMENS). A princípio pensei ser mais uma pegadinha do Sensacionalista, mas não era. O título escolhido para a matéria também pareceu brincadeira, mas não era: “Foco nas mulheres”.

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Embora a matéria cite as mulheres que fazem parte da equipe, nenhuma delas teve seu ponto de vista ouvido a respeito de um assunto que elas vivenciam. Falaram vice-presidente, sócios e CEO – todos homens – perpetuando a triste cultura de que as mulheres não devem protagonizar ou ter voz nem mesmo quando e onde deveriam ser o foco.

Já o segundo fato controverso envolvendo protagonismo feminino colocou Bono Vox, líder do U2, no meio da confusão. O cantor se tornou o primeiro homem a ser indicado à lista de Mulheres do Ano da revista norte-americana Glamour. A notícia repercutiu negativamente que a editora-executiva da publicação, Cindi Leive, precisou explicar o motivo da escolha.

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A possibilidade de incluir um homem na premiação de Mulheres do Ano sempre esteve presente, mas havia sido posta de lado – homens ganham muitos prêmios, podemos deixá-los de fora dessa. Porém, essa mentalidade começou a ficar defasada. Existem tantos homens fazendo coisas maravilhosas pelas mulheres hoje em dia”.

Em 2015, a organização One, do Bono Vox, criou a campanha “Pobreza é Sexista”, que visa ajudar mulheres de baixa renda que não acesso à educação ao redor do mundo.

Embora os esforços do artista sejam dignos de aplausos, esta indicação seria mesmo coerente? Os comentários nas redes sociais deixaram clara esta resposta:

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“A Glamour sabe que dar indicar Bono a “Mulher do Ano” para tentar desfazer o patriarcado enfraquece toda o objetivo do prêmio?”

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“Glamour nomeando Bono como “Mulher do Ano”é apenas mais um exemplo de como um homem consegue um emprego apesar de haver mulheres mais qualificadas”.

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Para refletir: Vivemos em uma sociedade patriarcal onde homens ganham mais do que as mulheres, são maioria em cargos de liderança e o feminicídio é uma triste realidade, portanto, permitir que as mulheres tenham poder de destaque e decisão sobre suas próprias lutas é apenas o mínimo, não acham?

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Tuka Pereira
Jornalista há mais de uma década e 'escrevinhadora' há muito mais tempo, Tuka Pereira aborda feminismo a gatinhos fofos com a mesma empolgação. Se existe algo que gosta mais do que escrever é carimbar o passaporte. Já esteve em boa parte do mundo e todo dinheiro que ganha gasta em viagens.

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