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Descobrimos a força e a dimensão dos eSports na incrível final do campeonato de Counter-Strike

por: Joao Rabay

Faltava pouco para os jogos começarem. Do lado de fora do ginásio, torcedores se espremiam contra as grades que os separavam do corredor por onde passariam os jogadores, todos na esperança de conseguir um autógrafo ou uma foto com os ídolos. Não era a final de um campeonato de futebol, mas de uma liga mundial de Counter-Strike: Global Offensive.

Os esportes eletrônicos, ou eSports, não são mais exatamente uma novidade, mas ainda há quem se surpreenda, como eu mesmo e Flávio, um dos seguranças que trabalhava no evento. Impressionado com a fila que se formava para pegar autógrafos, brincou comigo: “Vou avisar pra minha mãe que ela estava errada. Me mandou parar de jogar videogame para estudar, agora olha aí”.

Selfies e mais selfies com os jogadores (Foto: João Rabay)

Selfies e mais selfies com os jogadores (Foto: João Rabay)

Não é à toa: as finais da quarta temporada da ESL CS:GO Pro League foram realizadas no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, entre sexta-feira e domingo, de 28 a 30 de setembro. Os três dias tiveram ingressos esgotados, com mais de 6 mil fãs acompanhando os duelos a cada sessão. Impressionante? Pois as transmissões online atingiram 16 milhões de visualizações, com pico de 400 mil espectadores simultâneos.

Recepção no Ginásio (Foto: H.Kristiansson/ESL)

Recepção no Ginásio (Foto: H.Kristiansson/ESL)

O tamanho do campeonato também pode ser comprovado ao olhar as premiações: foram 600 mil dólares divididos entre as 12 equipes finalistas. Os brasileiros da SK levaram 90 mil graças ao vice-campeonato, enquanto os campeões, os norte-americanos da Cloud9, faturaram nada menos que US$ 200 mil. É, por essa a mãe do Flávio não esperava…

Ao lado daquela por autógrafos, outra fila se formava: dezenas de pessoas, a maioria adolescentes, esperavam por sua vez de comprar algum produto na loja oficial. Muitos bonés e camisetas estavam expostos, especialmente os relacionados à equipe brasileira da SK Gaming, que viria a ser a vice-campeã.

Coldzera, da SK Gaming, na sessão de autógrafos (Foto: H.Kristiansson/ESL)

Coldzera, da SK Gaming, na sessão de autógrafos (Foto: H.Kristiansson/ESL)

Gabriel Toledo, ou FalleN, foi o jogador mais concorrido ao chegar ao ginásio, com a torcida entoando músicas com seu nome. Ele mostraria por que é um astro do Counter-Strike e seria escolhido o melhor jogador da competição dois dias depois.

FalleN, da SK Gaming, comemorando (Foto: H.Kristiansson/ESL)

FalleN, da SK Gaming, comemorando (Foto: H.Kristiansson/ESL)

O pensamento de que “esse negócio é sério mesmo” continuava surgindo em minha cabeça. Quando atravessei a porta do ginásio para assistir à primeira partida da tarde, fiquei impressionado com a estrutura do campeonato. Telões enormes reproduziam a partida para que o público acompanhasse, com o som das partidas no talo e luzes coloridas para deixar o ambiente mais empolgante.

Tinha até um narrador e comentaristas empolgadíssimos com cada round jogado. Eu, que nunca fui muito bom no Counter-Strike (o famoso ‘Noob’), logo comecei a entender um pouco mais sobre as estratégias que os times seguiam graças a eles, e percebi que o jogo é bem mais complexo do que parece à primeira vista (ou quando você tem 12 anos e só quer sair pelos mapas atirando em tudo que aparecer pela frente).

Torcida empolgada (Foto: H.Kristiansson/ESL)

Torcida empolgada (Foto: H.Kristiansson/ESL)

E, se do lado de fora a torcida já era uma atração à parte, dentro do ginásio ela deu show. A equipe da SK Gaming foi recebida com muito barulho, que continuou a cada round vencido por eles. Algumas das mortes no jogo eram comemoradas como gol em final de campeonato, e foi impossível não me contagiar e celebrar nos rounds mais emocionantes.

Eu não fui o único a me impressionar com a torcida. Os brasileiros da SK agradeceram muito pelo apoio, e os estrangeiros se disseram impressionados com o barulho, que estava alto mesmo com o som do jogo em seus fones de ouvido.

Saí do ginásio pensando na dimensão de tudo aquilo, em minha mãe e na do Flávio: será que ainda dá tempo de mudar de carreira e virar jogador profissional?

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Joao Rabay
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