Empreendedorismo

Consertos e manutenções são ferramentas de empoderamento para as Maridas de Aluguel

Brunella Nunes - 05/12/2016 às 08:44

Mana, alguma coisa precisa de conserto na sua casa? Esqueça aquela imagem de encanador gostosão ou daquele pânico de ter um completo estranho batendo à sua porta, porque agora é a vez delas. Sim, estou falando das maridas de aluguel, mulheres que colocam suas “mãos delicadas” para fazer serviços que são – ainda – diretamente relacionados à força masculina.

A ideia do serviço, oferecido pelo Celeiro dos Erins, partiu da publicitária Catarina Erin e da artista Camila Strongren, de São Paulo. Acreditando que as mulheres são capazes de fazer qualquer coisa e ainda pensando em um mundo mais sustentável e conectado, elas resolveram incluir manutenções e instalações na sua rotina de trabalho. “Veio como uma oportunidade de fazer algo que gostamos, que podemos pagar as contas e que nos permita fazer as outras zilhões de coisas que gostamos de fazer para ir construindo o nosso projeto de forma divertida e sem pressão”, contaram ao Hypeness.

O aprendizado veio do método “mão na massa” mesmo. Quando foram morar juntas, fizeram uma grande reforma na casa e à medida em que iam fazendo, iam aprendendo. Com a empolgação, tutoriais postados no Youtube acabaram empolgando ainda mais a ideia de fazer serviços de manutenção. Inicialmente eram oferecidos para conhecidos, pra ir pegando prática, mas agora já estão disponíveis para qualquer chamado. Mas, apenas para o público feminino. “A ideia de atender somente mulheres vem por uma questão de conforto e segurança. Tanto para quem atendemos quanto para nós”, explicam.

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O motivo? Se ainda restam dúvidas, digo que sim, é por causa do machismo, que não é neura, é tipo uma praga da qual ainda não nos livramos totalmente. “Num trabalho de manutenção, cliente e prestador de serviços ficam sozinhos, no espaço pessoal de quem pediu o trabalho. Devido ao machismo, essa situação pode ser bem desconfortante, rolar cantadas e coisas do tipo. Além disso, sabemos que alguns caras subestimam as mulheres e cobram valores absurdos para esses serviços, se aproveitando de que elas não têm conhecimento sobre manutenção.”

Segundo elas (e espero que um dia toda a nação pense assim), o machismo cegou as mulheres do seu próprio potencial e autonomia. É ensinando que se dá autonomia para alguém, para que ela possa fazer por si mesma e dessa forma se livrar desse preconceito que percorre os séculos. E isso também é uma ferramenta de empoderamento. “A gente vê que acontece das pessoas ficarem admiradas com a gente fazendo os serviços. Às vezes percebemos que as pessoas se perguntam se a gente vai dar conta porque somos baixinhas (haha). Mas é bacana quando dá certo e as mulheres veem que é possível, que mais do que força e habilidade, para fazer esses serviços é mesmo uma questão de ter coragem de se propor a fazer e fim. E isso pode valer pra qualquer coisa, de verdade”.

A cultura D.I.Y (Do It Yourself) e a colaboração entre as pessoas é a ideia que pulsa o negócio. “Adoramos serviços manuais, artesanatos e muitas coisas. Tudo o que a gente aprende pra fazer pra gente, podemos oferecer para as pessoas. A Camila pinta, e resolveu colocar isso nos artesanatos pra que isso se some a renda, mas principalmente para mostrar para as pessoas”, contou Catarina. Os aprendizados são sempre colocados dentro do Celeiro, que é tão aleatório e está tão em construção quanto as criadoras. Quem quiser contratá-las, aqui vão os preços e o contato. Juntas somos mais fortes!

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Todas as fotos: divulgação/Celeiro dos Erins

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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