Roteiro Hypeness

Primeiro açougue vegano de São Paulo vende mais de mil produtos em 1 hora

por: Brunella Nunes

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Na semana passada bombou a notícia de que seria inaugurado o No Bones – The Vegan Butcher Shop, o primeiro açougue vegano de São Paulo. Enquanto muitos podem ter pensado “o que diabos vai vender numa casa de carnes sem carne?”, outros se animaram tanto com a ideia que resolveram até fazer fila na porta. E o Hypeness estava lá, ou quase isso. #roteirohypenessfail

A questão é a seguinte: por mais que existam os carnistas e os carnívoros nesse mundo, a indústria de carne é altamente insustentável e está chegando ao seu ápice de impacto ambiental. Seu consumo e produção excessivas envolve ao menos quatro grandes problemas: desmatamento (por conta das pastagens, chega a ter ao menos 10 mil metros desmatados para produzir apenas 1 kg de carne), emissões de gases superiores a todos os meios de transporte (é, os gados têm flatulências terríveis), alto consumo de água (15 mil litros para 1 kg de carne) e energia. Estes dados são de um relatório recente da da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Além disso, tem a exploração animal e o fato de que a carne processada, como salsichas, hambúrgueres e bacon, aumenta o risco de câncer. Independente das escolhas e ideologias pessoais de cada um, tudo isso indica que algo tem de ser feito e precisa sim mudar urgentemente. Acho que os dados também justificam a ascensão do vegetarianismo e do veganismo, e consequentemente o aumento de ofertas no mercado.

Beleza então, fatos colocados à mesa, vamos a minha missão do dia. Recebi a pauta sobre a inauguração do tal açougue no dia 7 de dezembro, às 15h37. Respondi o e-mail no mesmo dia, às 16h33, topando a tarefa. Dei uma lida no assunto e no dia seguinte, pela manhã, entrei em contato com a chef Marcella Izzo, que comanda o local ao lado de Brunno Barbosa, avisando que iria até lá no dia da abertura, 10 de dezembro e ela me respondeu na mesma data, animada com a ideia.

Acontece que eu também estava animada com a ideia. Aliás, o veganismo me aguça a curiosidade demais, porque eu acho que bons ingredientes na mão de mentes brilhantes, como a de muitos brasileiros, são capazes de fazer verdadeiros milagres. Depois que eu já provei um mundo de pratos veganos, bons e ruins, posso dizer que a maioria das experiências foi positiva e surpreendente ao invés de decepcionante.

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Para se ter uma ideia, o açougue conta apenas com itens artesanais, todos feitos pela Marcella sem conservantes, sem produtos de origem animal e com pouco uso de soja, como hambúrgueres premium, salsichas, linguiças, nuggets, cortes especiais, com preços que variam entre R$ 6,90 a R$ 7,90 a unidade, além de espetinhos e produtos para churrasco. Para consumo no local as opções são: coxinhas de jaca, espinafre, milho, proteína de soja, kibe, empadas de jaca, shimeji, berinjela e fatias bolo de laranja. Na seção bebidas, terá água de coco, refrigerantes, sucos e chás, além de dezenas de rótulos de cervejas artesanais.

Arquiteta por formação, se tornou chef porque ama cozinhar e quando se converteu ao vegetarianismo, sentia muita falta de carne, o que é comum para muitas pessoas nessa transição. “Eu queria o visual da carne, mas não queria o produto. Então fui elaborando algo que me saciava e me deixasse bem”, me contou. No veganismo há seis meses, Marcella acredita que uma das grandes vantagens de um estabelecimento como o dela é não só suprir uma falta no mercado, mas também inserir o vegano socialmente. “Tem muito vegano ou vegetariano que deixa de confraternizar, que deixa de participar de um churrasco, por exemplo, porque não tem opção. Isso aqui é justamente para mostrar que açougue vegano não é hortifruti. Ela me diz também que o próximo passo é desenvolver queijos veganos para vender na loja.

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Quando chegou o sábado, o fatídico dia de abrir as portas do açougue sem carne, eu acordei às 08h para chegar na yoga às 09h30. É, eu fui me espreguiçar em grande estilo, como eu chamo a yoga, para o longo dia que teria pela frente. Atividade feita, almoço com a amiga e lá vou eu para a Vila Pompeia, a 4 km de onde eu estava. Só que eu sou a pior pessoa do mundo com mapas ou qualquer coisa que envolva números, distâncias e etc, e numa distração tosca, fiz um caminho totalmente nada a ver e longo pra chegar ao endereço.

A temperatura máxima prevista era de 30ºC, mas eu estava me sentindo pelo menos no Saara. Pedi um Uber, ele não me encontrou. Mais um ponto pra mim! Segunda tentativa, entro no carro e o cara sequer fez o favor de ligar o ar condicionado. Haviam ruas fechadas por conta de um show, então tivemos que fazer alguns desvios de percurso e a minha paciência já não estava mais na vibe “namastê-gratidão” daquela bela manhã.

Mil anos depois, cheguei ao No Bones, vi umas pessoas conversando na porta e entrei. Eu fui com tanta convicção pra dentro da loja, que não mirei a vitrine de carnes, comecei pelas bordas. Olhei as prateleiras, dei uma analisada nos temperos que estavam à venda e fui caminhando tranquilamente pensando “ufa, enfim cheguei!”. Eu estava ali para falar com a Marcella e tirar umas fotos. E ah, eu ia comprar alguma carne também.

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Quando mirei a vitrine, o que encontrei foi um vazio que só não era maior do que o do meu peito. É, meus caros e caras, esse drama todo é só para ilustrar que não havia mais nem vestígio dos produtos. Pensei em duas hipóteses: estávamos ameaçados por um ataque zumbi ou o apocalipse estava próximo e tinha gente estocando comida. O fato é que venderam absolutamente todo o estoque e o que estava exposto, em torno de mil itens, após 1h30 de inauguração. Eram 14h10 da tarde em um ensolarado sábado quando ouvi um sonoro “então, acabou tudo” e isso explica muita coisa.

No bones and no meat for you, baby.

acougue-vegan-sp Foto: Brunella Nunes – sim, essa imagem é real.

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No Bones – The Vegan Butcher Shop
Rua Caraíbas, 1243 – Perdizes – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3862.9576

Horários: de terça-feira a sábado das 10 às 19 horas

Todas as fotos © No Bones

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Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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