Seleção Hypeness

10 grandes músicas que foram redescobertas através do cinema

por: Vitor Paiva

Uma música realmente boa sempre será boa, não importa quanto passou desde seu lançamento, ou se aquele estilo permanece popular ou não. Tornam-se clássicos, a serem redescobertos e revisitados por todas as gerações por vir.

Muitas vezes, porém, mudanças culturais, políticas, sociais ou mesmo transformações dentro da indústria fonográfica ou na maneira como consumimos músicas – ou simplesmente pelas variações no gosto dos ouvintes – fazem com que uma grande canção adormeça fria ou esquecida por anos, muitas vezes décadas, longe do lugar que merece, nos corações e ouvidos do mundo.

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Não foram poucas as vezes em que o cinema trouxe de volta algumas dessas clássicas canções e, se valendo do casamento perfeito que é capaz de propor entre imagem e música, as reposicionou em seu merecido lugar de destaque. São diversos os exemplos de grandes músicas do passado que, seja em regravações, seja simplesmente utilizando a versão original, voltaram a serem ouvidas como merecem (algumas voltaram inclusive para as paradas de sucesso) depois de aparecerem feito joias da trilha sonora de uma cena clássica ou mesmo de um filme inteiro.

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Essa lista, portanto, levanta alguns exemplos de músicas que foram ganharam nova vida, ou muitas vezes foram de fato ressuscitadas pelo cinema – feita para ouvir, lembrar, se emocionar, e notar a força que uma grande canção pode ter, para além de sua idade, sua origem ou seu estilo.

1. Twist and Shout (Top Notes/Isley Brothers/ Regravação dos Beatles), no filme Curtindo a vida adoidado

A canção, composta por Bert Russell e lançada primeiramente em 1961 pelos The Top Notes, já havia sido sucesso com os Isley Brothers em 1962. No ano seguinte foi regravada pelos Beatles, e se tornou não só número fundamental dos primeiros shows da banda, como passou a ser bastante identificada com os Beatles. Em Curtindo a vida adoidado, de 1986, ela faz trilha para talvez a mais icônica cena do filme, quando Ferris Bueller participa de um desfile na avenida, dublando a canção – que oferece a energia fundamental para tornar a cena inesquecível e, em troca, voltou a habitar o imaginário popular.

2. Oh! Pretty Woman (Roy Orbison), no filme Uma linda mulher

Em 1964 a clássica canção do gênio Roy Orbison passou três semanas estacionada no topo das paradas americanas, vendendo 7 milhões de cópias e se tornando o auge comercial da carreira de Orbison. 26 anos depois, passado pouco mais de um ano depois da morte do cantor, o tema, a letra e seu inesquecível riff não só inspiraram o título do filme Uma Linda Mulher, de 1990, como a gravação desenhou o próprio espírito da personagem de Julia Roberts, que se tornaria igualmente imortal.

3. Bohemian Raphsody (Queen), no filme Quanto mais idiota melhor

A mais importante canção da carreira da banda inglesa Queen, Bohemian Raphsody, de 1975, é uma obra imortal e, portanto, não sei justo dizer que ela estava esquecida. Sua inserção, no entanto, na cena em que Wayne e Garth ouvem a canção balançando seus cabelo enquanto passeiam de carro no filme Quanto Mais Idiota Melhor, de 1992, retomou um sentido de diversão, qualidade e a própria força épica que a obra-prima de Freddie Mercury possui para toda uma nova juventude, reforçando assim justamente a imortalidade dessa maravilhosa rapsódia boêmia.

4. I Will Always Love You (Dolly Parton/ regravação de Whitney Houston), no filme O Guarda-costas

A identificação automática e direta entre a cantora Whitney Houston e a canção I Will Always Love You hoje em dia é tamanha, que poucos sabem que a canção foi, na realidade, composta e lançada pela cantora Dolly Parton em 1974 (numa versão singela e doce). A gravação de Parton alcançou o topo das paradas country americanas, mas foi a regravação de Whitney para o filme O Guarda-costas, de 1992, a trouxe de volta aos holofotes com estrondo: 14 semanas no topo das paradas, tornando-se um dos maiores sucessos de todos os tempos, e o compacto mais vendido por uma mulher na história da música.

5. My Girl (The Temptations), no filme Meu primeiro amor

Escrita por Smokey Robison e lançada em 1965 pelos Temptations, My Girl é uma dessas canções imortais que significam como poucas a suprema qualidade da música negra dos anos 1960 nos EUA – e em todos os tempos. Sua sobrevida veio em 1991, quando deu o título em inglês ao filme Meu Primeiro Amor, uma doce e dramática história de amor juvenil estrelada por Macaulay Culkin. O filme tornou-se parte do imaginário amoroso daquela geração, e junto a canção, renovada e novamente eterna.

6. Unchained Melody (Righteous Brothers), no filme Ghost: do outro lado da vida

Lançada em 1955, Unchained Melody, de Alex North e Hy Zaret viria a se tornar uma das mais gravadas e executadas canções do século XX – a própria encarnação do que pensamos como um clássico. A versão que viria a ser redescoberta no filme Ghost: do outro lado da vida, de 1990, foi gravada pelos Righteous Brothers em 1965. O relançamento, por conta do filme, levou a canção de novo às paradas de sucesso, e expôs para novas gerações e pra antiga e saudosa geração a força de um dos grandes temas de amor de todos os tempos.

7. Preciso me encontrar (Cartola), no filme Cidade de Deus

Composta por Candeia, a canção Preciso Me Encontrar ficou conhecida na voz de Cartola, em gravação de 1976, num dos mais belos registros da música brasileira. Ainda que tenha sido gravada também por Marisa Monte em seu disco de estreia, em 1989, a utilização da canção numa das mais fortes cenas do filme Cidade de Deus, de 2002, trouxe à tona o poder poético, a força emocional e o efeito rascante da voz de Cartola defendendo os versos de Candeia.

8. Girl You’ll Be a Woman Soon (Neil Diamond/Regravação por Urge Overkill), no filme Pulp Fiction

Na sua primeira “encarnação”, a canção Girl You’ll Be a Woman Soon, composta e lançada por Neil Diamond em 1967, alcançou o 10º lugar nas paradas americanas, tornando-se importante número na carreira do cantor. Foi, no entanto, através da sobrevida que o filme Pulp Fiction, de 1994, trouxe à canção (em regravação pela banda americana) que a canção alcançou absoluto status icônico, tornando-se de certa forma a primeira grande peça que confirma o talento do diretor Quentin Tarantino em desencavar pérolas para as trilhas de seus filmes.

9 Super Freak (Rick James), no filme Pequena Miss Sunshine

Dona de uma das linhas de baixo mais emblemáticas da música popular, Super Freak foi lançada por Rick James (que também a escreveu junto com Alonzo Miller) em 1981, tornando-se grande sucesso. Nove anos depois, em 1990, o rapper MC Hammer a samplearia como base para seu grande sucesso “U Can’t Touch This”. A versão original, porém, voltaria a balançar os quadris pelas pistas a fora depois de servir de trilha para a hilária cena de dança do filme Pequena Miss Sunshine, de 2006, na qual a amada personagem Olive solta sua fera interior ao som do clássico de Rick James.

10. She (Charles Aznavour/Regravação de Elvis Costello), no filme Um Lugar Chamado Notting Hill

Ciente do potencial de sua mais nova canção, o grande compositor francês Charles Aznavour decidiu gravar She (escrita por Aznavour e Herbert Kretzmer) não somente em francês, mas também em inglês, alemão, espanhol e italiano. E ele tinha razão: lançada em 1974, a canção alcançou enorme sucesso em toda parte, chegando ao topo das paradas inglesas de então. 25 anos depois, em 1999, o cantor inglês Elvis Costello regravou She para o filme Um Lugar Chamado Notting Hill, alcançando também enorme sucesso mundo a fora – e confirmando que, com a ajudinha de Julia Roberts, uma grande canção sempre será uma grande canção.

© fotos: divulgação

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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