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Amar e resistir: manifestação LGBT ocupa CCBB carioca em repúdio a episódio de lesbofobia

por: Gabo Vieira

Assim que o relógio bateu a marca das seis da tarde no Rio de Janeiro, uma chuva de balões roxos tomou conta do átrio da filial carioca do Centro Cultural Banco do Brasil. Presos a eles, bilhetes com informações sobre a luta LGBT no Brasil. Era o início da ocupação que “lesbianizou” o prédio centenário, uma reação ao episódio de lesbofobia ocorrido ali no último dia 30.

O local era o mesmo, mas a cena em nada lembrava a imagem que rodou o Brasil às vésperas do réveillon. Ao invés de um casal de namoradas sofrendo com mais um episódio de intolerância, dezenas de homossexuais circulavam livremente entre abraços, carinhos e mãos dadas. Perto do painel onde o agressor havia escrito “fora, lésbica”, diversos cartazes coloridos manifestavam o anseio por respeito.

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O que está ao nosso alcance é gritar. Falar do que a gente precisa, do que a gente quer. Tentar mostrar às pessoas que não são LGBT a importância do nosso movimento. Você não precisa ser gay, lésbica, bi ou travesti para apoiar a nossa causa. A gente precisa de apoio para tentar causar alguma mudança, para que episódios como esse não sejam tolerados, disse Clara Cotta, que saiu da Tijuca com um amigo após saber do evento pelo Facebook.

Como o ato não tinha lideranças definidas, Marília Macedo, da secretaria LGBT do PSTU, decidiu tomar a palavra. Ao lado de Carlos Alves, membro do Artgay, e de uma bandeira com as cores do arco-íris, ela subiu em um palanque improvisado e iniciou um discurso pungente. “A gente vive uma situação muito grave no Brasil. Os LGBTs têm uma vida muito dura. Salários ruins, menos emprego, muitas vezes expulsos de casa. Eu sei bem o que é ser humilhada, esculachada por ser lésbica, por ser bissexual. É muito importante todos nós estarmos aqui para mostrar que existe uma resistência. Esse é o primeiro passo de um ano que promete muita luta, afirmou, sob intensos aplausos.

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Garantindo estar em total comunhão com as pautas da manifestação e do movimento LGBT em geral, a equipe do CCBB se fez presente com adesivos anti-homofobia. Em conversa com o Hypeness, Fábio Cunha, diretor do CCBB Rio, reiterou o repúdio a todas as formas de preconceito e definiu a agressão como um “fato isolado”.

“Como nós também temos o objetivo de combater a intolerância, de discutir igualdade de gênero, a única coisa que poderíamos fazer era aderir ao evento. Nossa programação para 2017, assim como em anos anteriores, já previa a inclusão de temas ligados ao movimento LGBT, seja através de debates, teatro ou artes plásticas. Sabemos da importância desta pauta para a sociedade e seguiremos discutindo o assunto porque esta também é uma causa do CCBB, garantiu.

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O melhor momento da noite ficou para o final, quando uma grande roda ocupou o primeiro andar do CCBB. De forma espontânea, manifestantes se revezavam ao centro para expressar o que desse na telha. Teve beijo lésbico, palavras de ordem, performance de dança, declaração de amor, poesia. E, principalmente, relatos potentes sobre a experiência de ser LGBT em um país homofóbico como o Brasil.

Ao fim de cada história de dor, luta e superação, uma rajada de aplausos abraçava os autores dos depoimentos. Era como uma sessão de descarrego contra os demônios da intolerância. Enquanto os sorrisos se multiplicavam, uma onda de energia positiva parecia tomar conta do centro do Rio de Janeiro. Em algum outro ponto da cidade, o agressor de dias antes era minúsculo como nunca.

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Todas as fotos © Gataria

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