Arte

Documento raro escrito à mão revela os 50 melhores discos de todos os tempos para Kurt Cobain

Vitor Paiva - 09/02/2017 às 09:02 | Atualizada em 28/02/2022 às 21:53

Quem pesquisa a fundo a trajetória e a memória do Nirvana sabe que o ouro dessa história, em se tratando de documentos, registros e relatos, está nos cadernos, desenhos, bilhetes, rabiscos e anotações à mão feitas por Kurt Cobain. Da procura pelo nome definitivo da banda, passando por ideias para camisetas, letras de músicas, roteiros para clipes e comentários sobre a luta e o dia a dia de uma banda em início de carreira, tudo está registrado nos cadernos que o guitarrista e vocalista do Nirvana preencheu ao longo da vida. E um dos documentos que melhor revelam como o som da banda foi forjado é a lista dos 50 melhores discos de todos os tempos “segundo o Nirvana”.

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A seleção manuscrita por Cobain apresenta desde referências mais obscuras – com bandas que fizeram parte da formação da cena de Seattle sem alcançar (ou mesmo querer alcançar) o interesse da mídia e o grande sucesso – até clássicos do rock. A lista não é numerada, portanto não é claro se há hierarquia na ordem dos discos citados, mas é digno de nota que o primeiro disco anotado seja o clássico Raw Power, de Iggy Pop e os Stooges, uma evidente e importante influência para o som do Nirvana.

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A lista, na ordem em que os discos aparecem:

1. Iggy and the Stooges, “Raw Power”
2. Pixies, “Surfer Rosa”
3. The Breeders, “Pod”
4. The Vaselines, “Pink EP”
5. The Shaggs, “Philosophy of the World”
6. Fang, “Landshark”
7. MDC, “Millions of Dead Cops”
8. Scratch Acid, “Scratch Acid EP”
9. Saccharine Trust, “Paganicons”
10. Butthole Surfers, “Pee Pee the Sailor” aka “Brown Reason to Live”
11. Black Flag, “My War”
12. Bad Brains, “Rock for Light”
13. Gang of Four, “Entertainment!”
14. Sex Pistols, “Never Mind the Bollocks”
15. The Frogs, “It’s Only Right and Natural”
16. PJ Harvey, “Dry”
17. Sonic Youth, “Daydream Nation”
18. The Knack, “Get the Knack”
19. The Saints, “Know Your Product”
20. anything by Kleenex
21. The Raincoats, “The Raincoats”
22. Young Marble Giants, “Colossal Youth”
23. Aerosmith, “Rocks”
24. Various Artists, “What Is It”
25. R.E.M., “Green”
26. Shonen Knife, “Burning Farm”
27. The Slits, “Typical Girls”
28. The Clash, “Combat Rock”
29. The Faith/Void, “Split EP”
30. Rites of Spring, “Rites of Spring”
31. Beat Happening, “Jamboree”
32. Tales of Terror, “Tales of Terror”
33. Leadbelly, “Leadbelly’s Last Sessions Vol. 1″
34. Mudhoney, “Superfuzz Bigmuff”
35. Daniel Johnston, “Yip/Jump Music”
36. Flipper, “Generic Flipper”
37. The Beatles, “Meet the Beatles”
38. Half Japanese, “We Are They Who Ache With Amorous Love”
39. Butthole Surfers, “Locust Abortion Technician”
40. Black Flag, “Damaged”
41. Fear, “The Record”
42. PiL, “Flowers of Romance”
43. Public Enemy, “It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back”
44. Marine Girls, “Beach Party”
45. David Bowie, “The Man Who Sold the World”
46. Wipers, “Is This Real?”
47. Wipers, “Youth of America”
48. Wipers, “Over the Edge”
49. Mazzy Star, “She Hangs Brightly”
50. Swans, “Young God”

De certa forma, é possível misturar os artistas de sonoridade mais pop presentes na lista (como Beatles, REM e David Bowie) com as bandas mais sujas e barulhentas do “Top 50” de Kurt Cobain (como Black Flag, Bad Brains, Flipper e Sex Pistols) para começar a compreender a mistura que viria a ser o som do Nirvana – agressivo, distorcido, alto e gritado e, ao mesmo tempo, doce, melódico e agradável.

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Seja como for, trata-se de uma bela lista, um excelente guia para quem quer entender o caldeirão de influências que forjou os anos 1990, bem como o gosto musical de Cobain. A seleção é também um ótimo ponto de partida para mergulhar no rock, punk, pós-punk, grunge e até mesmo no rap, e conhecer parte da melhor música produzida ao longo da segunda metade do século XX, principalmente nos EUA e na Inglaterra.

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MTV Live and Loud: Nirvana Performs Live - December 1993

© fotos: divulgação

Recentemente o Hypeness mostrou como está hoje a casa em que viveu (e morreu) Kurt Cobain. Relembre.

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Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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