Debate

Em decisão polêmica, ela decidiu procurar seu estuprador e escrever um livro com ele

por: Tuka Pereira

Após anos sem se ver, um casal se reencontra e decide escrever um livro junto para contar a história que viveram quando eram adolescentes. Romântico, não é mesmo? Nem um pouco! Em 1996, a islandesa Thordis Elva tinha 16 anos quando foi violentada pelo australiano Tom Stranger, que tinha 18 anos na época.

Passados tantos anos da agressão, os dois se reuniram para escrever um livro sobre o estupro – intitulado South of Forgiveness – e também passaram a compartilhar suas experiências relativas ao ocorrido em palestras onde contam sobre como foram impactados pelo acontecimento.

Na época, o jovem casal namorava há cerca de um mês quando Thordis decidiu experimentar rum pela primeira vez em uma festa de Natal na escola onde o casal estudava na Islândia. Ela se embriagou e ele se aproveitou da situação para violentá-la.

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O casal terminou dias depois e Tom voltou para a Austrália. Thordis demorou a entender e aceitar que havia sido estuprada.

Nove anos mais tarde, ela decidiu entrar em contato com Stranger, escrevendo uma carta. Para sua surpresa, o australiano respondeu com uma confissão e uma oferta de fazer “o que fosse necessário”. No entanto, pela legislação islandesa o crime já tinha prescrito, então os dois resolveram escrever um livro juntos para relatar o ocorrido.

A obra chamou a atenção dos organizadores das conferências TED – uma rede de eventos sobre tecnologia, entretenimento e design ao redor do mundo – e o vídeo da dupla publicado em outubro de 2016 ultrapassou mais de 2,8 milhão de visualizações. Desde então os dois participam de eventos ao redor do mundo debatendo o assunto.

Entretanto muitas vítimas de estupro têm alegado que a aparição da dupla poderia despertar traumas em vítimas de estupro e encorajar a normalização da violência sexual em vez de discutir responsabilidades e causas.

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Outras pessoas ainda tem acusado Stranger de estar utilizando um crime para se beneficiar financeiramente. Ele, no entanto, prometeu repassar todo dinheiro recebido a ONGs de vítimas de violência sexual.

* Imagens: Reprodução

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Tuka Pereira
Jornalista há mais de uma década e 'escrevinhadora' há muito mais tempo, Tuka Pereira aborda feminismo a gatinhos fofos com a mesma empolgação. Se existe algo que gosta mais do que escrever é carimbar o passaporte. Já esteve em boa parte do mundo e todo dinheiro que ganha gasta em viagens.

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