Inovação

Livraria usa técnica do clickbait para levar as pessoas a ler os clássicos

por: Redação Hypeness

O nome pode ser estranho, mas a tática é conhecida por qualquer um que já tenha passado mais de dez minutos na internet: para atrair o leitor a clicar em um link, cria-se uma chamada sensacionalista para uma matéria – que muitas vezes sublinha somente o aspecto mais atraente da história, transformando quase qualquer post em uma notícia de aparência urgente e extraordinária.

Em inglês, essa tática foi batizada como “clickbait” (isca de clique, em tradução livre). Pois a livraria The Wild Detectives, em Dallas, nos EUA, criou o “litbait”, a versão literária dessa isca de cliques, como artimanha para levar as pessoas a lerem clássicos.

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“Homem inglês morre após selfie dar errado” é O Retrato de Dorian Grey, de Oscar Wilde 

A tática é basicamente a mesma – a diferença é o destino. Posts com chamadas alarmantes no Facebook, um tanto vagas e sedutoras foram criados como se revelassem típicas reportagens de internet. As manchetes, no entanto, sugerem (sempre em tom simplório e sensacionalista, como são essas chamadas) a trama e o enredo de livros clássicos e, ao clicar em um desses links, você é direcionado para uma página do blog da livraria, que inclui o texto do livro em questão – na íntegra.

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“Quando é OK humilhar mães solteiras” é A Letra Escarlate, de Nathaniel Hawthorne

Você não pode imaginar o que aconteceu com essa jovem do Kansas depois que um tornado destruiu sua casa”, diz uma das chamadas, sublinhada pelo texto do post em si, que diz “Costumava não haver lugar como o lar”. O livro? O Mágico de Oz, de L. Frank Baum.

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Homem inglês morre após selfie dar errado”, diz a manchete para O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. “Romeno descobre fato chocante sobre o alho que lhe dará pesadelos”, diz o post que o leva até Dracula, de Bram Stoker. A campanha foi criada para o Dia da Leitura, e todos os livros envolvidos na campeão já se tornaram domínio público, o que faz com que sua propagação na internet na íntegra não viole nenhum direito autoral.

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Drácula, de Bram Stoker

E assim sucessivamente. “Médico alemão se torna a primeira pessoa a realizar transplante total de corpo” é Frankenstein, de Mary Shelley – e o campeão de likes, não por acaso, é O Principe, de Maquiavel, anunciado pela página como “Esse político italiano faz Trump parecer um santo”.

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Frankestein, de Mary Shelley

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O Príncipe, de Maquiavel

Segundo o pessoal da livraria, a campanha fez aumentar o acesso ao blog em 14.ooo%, e 150% do engajamento no Facebook. Trata-se, portanto, da melhor trollada possível na internet: melhor ser direcionado às sábias e afiadas palavras de Oscar Wilde do que a uma matéria de veracidade duvidosa, afinal.

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“Mochileiro tem a pior viagem de sua vida quando tribo de ilha o ataca com cocô” é As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift

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“Nova droga sintética está transformando londrinos em maníacos violentos” é O Médico e o Monstro, de Robert L. Stevenson

Todas as imagens © Facebook

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