Desafio Hypeness

O que aconteceu quando decidi praticar exercícios físicos todos os dias durante um mês

por: Mari Dutra

Essa seria uma história inspiradora de como eu adotei um novo hábito saudável que mudou a minha vida. Mas não foi exatamente isso o que aconteceu durante este mês.

Com a chegada de 2017, comecei a pensar que era hora de cuidar melhor do meu corpo de moça balzaquiana. Vocês devem imaginar a rotina da pessoa trabalhando em casa: da cama pra mesa do computador e de lá pro sofá ver Netflix. É uma delícia, eu sei, mas o corpo começa a reclamar em algum momento. Então lá fui eu decidir que ia praticar atividades físicas durante um mês inteiro!

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Foto acima e destaque © Diego Lock Farina

Uma das primeiras coisas nesse sentido foi decidir quais atividades físicas eu faria. Como moro a menos de duas quadras de distância do Parque Moinhos de Vento (Parcão), em Porto Alegre, resolvi que iria caminhar na maior parte dos dias e participar de vez em quando das aulas abertas que acontecem no mesmo parque graças ao Coletivo Namaskar. Fiquei pensando no que aconteceria se chovesse durante um dia inteiro e me contentei com a ideia meio absurda de que, nesse caso, eu iria caminhar no shopping, com direito a roupa de ginástica e tudo. Por sorte, o clima colaborou e não foi preciso recorrer a esse artifício.

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Sinceramente? Fui MA-RA-VI-LHO-SA no cumprimento do desafio. Teve dias que acordei toda descabelada e fui animada para o parque caminhar, noutros eu quase segui as instruções do grupo de yoga para não tomar café da manhã antes da prática – mas não consigo me mexer com fome!

Na primeira semana, foi tudo perfeito. Meu corpo estava colaborando lindão e pedindo por mais atividades físicas. Intercalei caminhadas de três ou quatro quilômetros por dia com aulas de yoga e me senti uma verdadeira diva da saúde. Enquanto eu caminhava já ficava me imaginando contando pros amigos (e pra vocês aqui!) como aqueles exercícios estavam fazendo bem para o meu corpo e tudo o mais. E era verdade: eu estava mais disposta, minha pele tinha ficado mais bonita e meu mau humor matinal era combatido com passos e mais passos. Algumas coisas nas caminhadas estavam me fazendo bem demais e eu acabei abandonando as aulas de yoga para me dedicar exclusivamente às pernadas. Eu estava amando aquilo! ♥

Parece que tô dançando, mas é só um boomerang da minha caminhada. :D
Parece que tô dançando, mas é só um boomerang da minha caminhada. 😀

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Continuei arrasando com minhas atividades físicas e cheguei até mesmo a identificar o pessoal que frequenta o parque. Entre eles estavam os guardadores de carro, os grupos de treinamento funcional, umas duas ou três pessoas que caminhavam sempre nos mesmos horários que eu, mas no sentido inverso (será que eu devia cumprimentar eles? Fiquei em dúvida!), os tutores de cachorros e até um senhor cadeirante bem velhinho que passeava no parque contemplativo para pegar um ar acompanhado de uma moça mais jovem. Tinha também uns moços que ficavam escondidinhos nas áreas mais arborizadas (e menos iluminadas), provavelmente buscando clientes para alguma atividade ilícita.  

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Fotos: Mariana Dutra

No meio da segunda semana tive que viajar para São Paulo para fazer um curso, mas continuei firme e forte nos exercícios. Acho que foi a primeira vez que levei um tênis em uma viagem curta, mas talvez tenha sido a primeira vez que levei um tênis em uma viagem de qualquer tipo mesmo.

Mesmo nos dias em que acabei caminhando um pouco menos, percebi ao final do dia que tinha percorrido uma distância até maior do que nos dias em que estava caminhando no parque. Para marcar isso eu uso o app S Health e, em alguns dias, também uso o Strava (que deixo conectado no Mova Mais para ganhar milhas! :P).

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Imagem: Reprodução

Então, se eu fiz tudo como mandava o protocolo, caminhei até gastar a sola, o que deu errado? Depois de caminhar 28 dias consecutivos, pelo menos meia hora por dia (geralmente mais), meu pé começou a inchar e me incomodar um pouco. E então eu tive que parar os exercícios dois dias antes do combinado. 

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Imagem: Giphy

A verdade é que as minhas articulações nunca foram as mais legais do mundo e eu já gastei mais tempo em fisioterapia do que em academia (nos últimos dois anos, foram três idas e vindas aos fisioterapeutas por diferentes problemas). Esse foi inclusive um dos motivos que me levou ao desafio: me tornar uma pessoa mais ativa e saudável. De certa forma, posso dizer que funcionou. Mas é como aquele clichê de que remédio e veneno são apenas uma questão de dosagem – e posso ter errado um pouco a dose nesse sentido.

Apesar disso, fazendo atividades físicas todos os dias eu criei um hábito e meu corpo começou a responder muito melhor aos exercícios. O lado ruim foi que eu fiz alguma coisa errada no caminho e acabei forçando demais o pé. Pode ter sido o exercício repetido todos os dias, os tênis inadequados (comprei o primeiro que encontrei e uso o mesmo há anos), a falta de fortalecimento muscular, ou todas as alternativas anteriores!

Até a OMS (Organização Mundial de Saúde) recomenda a prática de pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana, mas sugere que os benefícios podem ser ainda maiores com a prática de 300 minutos semanais. Se as atividades forem intensas, o que não era o meu caso, os benefícios podem ser sentidos na metade desse tempo.

Como eu estava fazendo atividades durante cerca de 40 minutos diários (exceto nos dias de yoga, em que praticava por 1 hora e meia), tudo estava lindamente conforme recomendado. Mas eu esqueci uma parte bem importante nessa história: a mesma OMS recomenda a realização de atividades de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana. Não sou especialista no assunto para dizer se foi esse o problema e nem fiz milhões de exames para comprovar essa teoria, mas posso apostar que sim.

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Hora de trocar de tênis? Sim ou com certeza?

O que importa é que a dor e o inchaço no pé já desapareceram e eu decidi voltar a fazer atividades físicas com um pouco mais de moderação. Passei a fazer treinamento funcional com um personal trainer que me espera no mesmo parque duas vezes por semana (e aguenta todas as minhas perguntas sobre as atividades). No resto dos dias, posso voltar a caminhar como estava fazendo durante o desafio, sempre encontrando espaço para descansar pelo menos um ou dois dias por semana com os pés para cima. 🙂

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 Foto © Diego Lock Farina

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Mari Dutra
Especialista em conteúdos digitais, Mariana vive na Espanha, de onde destila textos sobre turismo, sustentabilidade e outros mistérios da vida. Além de contribuir para o Hypeness desde 2014, também compartilha roteiros e reflexões mundo afora no blog e no Instagram do Quase Nômade.

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