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Seleção Hypeness: relembre a história de 7 mulheres entre as muitas injustiçadas pela história

por: Redação Hypeness

A desigualdade com que se tratam os esforços e as conquistas realizadas por mulheres é tão evidente e generalizada quando comparadas à maneira com que são comemorados os feitos masculinos que – especialmente diante da importância da força e do trabalho da mulher de forma geral – fica difícil encontrar uma mulher que não mereça constar nessa seleção. A terrível soma de sexismo, ganância, preconceito e misoginia fez com que o valor do trabalho e da vida das mulheres fosse simplesmente considerado inferior ao longo da história.

São infinitos os exemplos de mulheres – célebres ou não – que simplesmente não tiveram seu talento, suas descobertas, sua dedicação e conquistas reconhecidas somente por serem mulheres. Muitas não são sequer lembradas, outras foram caluniadas, difamadas e transformadas em vilãs por simplesmente se destacaram e exigirem que fossem tratadas com respeito e igualdade.

Como levantar uma seleção realmente proporcional à quantidade de mulheres injustiçadas seria uma tarefa sem fim, essa seleção reuniu aqui sete mulheres que também simbolizam a luta diária por igualdade e reconhecimento que as mulheres de forma geral enfrentam em sua vida. São mulheres fortes e de destaque em áreas diversas, que acabaram ofuscadas ou difamadas pelo preconceito, a mentira, a ignorância – ou simplesmente pela desigualdade de gênero.

Rosalind Franklin

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A biofísica britânica Rosalind Franklin é hoje considerada a “mãe do DNA”, por ter descoberto o formato heliocoidal da molécula do DNA, além de ter levantado, em suas pesquisas, informações fundamentais para que o DNA pudesse ser desvendado. As fotos que Rosalind tirou de tais moléculas utilizando raio-x mudaram a história da biologia – mas seu chefe, Maurice Wilkins, simplesmente não a aceitou como autora da descoberta, e realizou uma campanha de difamação contra ela, basicamente por ela ser mulher. Wilkins viria a receber o Nobel, quatro anos após a morte de Rosalind. A injustiça contra mulheres e o não reconhecimento das contribuições femininas na ciência é tão constante que possui até um nome: o efeito Matilda.

Sister Rosetta Tharpe

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O debate em torna da invenção do rock n’ roll é intenso, reunindo personagens como Elvis Presley, Chuck Berry, Fats Domino, Little Richard e tantos outros… Homens. Uma mulher negra, no entanto, já tinha a atitude, o ritmo, o talento, a técnica, o estilo de cantar, de tocar, os solos e até mesmo a guitarra perfeita para ser considerada, no mínimo, uma das principais inventoras do ritmo mais importante do século 20: Sister Rosetta Tharpe – que afirmava toda a força do rock ainda nos anos 1940, mais de uma década antes do surgimento dos reconhecidos “inventores”. O fato é um só: apontar uma só pessoa como responsável pela invenção do rock é realmente impossível; mas não considerar o pioneirismo radical de Sister Rosetta Tharpe nesse processo é uma injustiça evidente.

Katherine Johnson

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Alan Shepard foi o primeiro americano a ir ao espaço, em 1961. A corrida espacial vinha sendo vencida vertiginosamente pelos russos, e a viagem de Shepard foi uma conquista fundamental para que os americanos continuassem no páreo – e ela só pôde acontecer graças à mente brilhante de Katherine Johnson. Matemática genial desde criança, foi ela quem calculou a trajetória da viagem de Shepard, em um ofício então conhecido como computer – Katherine calculava como um computador antes dos computadores. Não só mulher como negra, Katherine teve participação determinante nas principais viagens da NASA na época – incluindo a ida à lua. Sua história, assim como a de suas colegas Dorothy Vaughan e Mary Jackson (todas mulheres negras importantíssimas na história da NASA e da conquista do espaço) foi contado no filme Estrelas além do tempo. Antes do filme, porém, a grande maioria de nós jamais tinha sequer ouvido falar nesses nomes.

Yoko Ono

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Uma das mulheres mais famosas do século 20, o sucesso global da artista japonesa Yoko Ono se deu em cima de uma premissa vulgar e falsa: a de que a banda mais importante de todos os tempos teria se separado por sua causa. Ainda que John Lennon e Paul McCartney tenham desde sempre negado qualquer participação de Yoko no término dos Beatles – com Lennon inclusive admitindo que o próprio machismo não permitiria que uma mulher ocupasse esse papel -, a verdade é que o mundo simplesmente jamais admitiu que um artista amado como Lennon tivesse se apaixonado por uma mulher japonesa com tanta personalidade e força. Yoko permanece até hoje injustamente célebre como o motivo do fim da banda, enquanto deveria ser reconhecida somente pelo que de fato é: uma grande artista.

Dandara dos Palmares

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Se o mito ao redor de Zumbi dos Palmares é tão grande quanto a história da luta contra a escravidão e o racismo no Brasil, a injustiça ao redor da memória de sua mulher é do mesmo tamanho. Dandara foi uma guerreira tão importante quanto Zumbi na liderança do quilombo dos Palmares – o maior da América Latina, localizado em uma região hoje no estado de Alagoas, onde até 11 mil homens e mulheres negras se refugiaram após fugirem da escravidão. Como Zumbi, Dandara – que era uma exímia lutadora de capoeira – lutou com armas contra os diversos ataques que o quilombo sofreu, na resistência em nome da liberdade, e jamais aceitou nada menos que a libertação total. Em 06 de fevereiro de 1694 foi presa, e se atirou à morte de uma pedreira em um abismo para não retornar à escravidão.

Camille Claudel

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Uma das maiores escultoras de todos os tempos, Camille Claudel viveu e morreu na obscuridade, à sombra dos gênios do escultor Auguste Rodin, de quem foi assistente e amante, e do poeta Paul Claudel, seu irmão. A história conta que Claudel desenvolveu distúrbios mentais e paranoia, que a levaram a destruir grande parte de sua obra – somente 90 estátuas sobreviveram. Mas é impossível não enxergar o efeito devastador sobre sua saúde de sua diminuição como artista – diziam que suas obras eram feitas por Rodin, e ele próprio não admitia a genialidade que via nela -, por como a sociedade da época a recriminou (Rodin, afinal, era célebre e casado) e pelo pouco reconhecimento que teve em vida – hoje é clara a enorme influência de Camille sobre o trabalho de Rodin. Ela faleceu confinada em um asilo para doentes mentais por iniciativa de seu irmão, onde passou os últimos 30 anos de sua vida.

Anna Nzinga

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Anna Nzinga tornou-se rainha de Ndong – reino onde hoje é Angola – em 1623, mas preferia que se referissem a ela como “rei”, para que fosse ainda mais (ou ao menos em igualdade) respeitada. Por 40 anos Anna liderou forças militares em regiões de Angola e de outros países contra as investidas invasoras de Portugal e de outros países europeus, tendo lutado até sua morte, em 1663, contra o tráfico de escravos na região. Durante sua vida, ela tentou por diversas vezes unir as nações africanas que sofriam com as invasões contra as investidas europeias de dominação no continente. Anna foi uma das grandes rainhas africanas da história, dona de uma consciência política e de uma força que impressionam – e que simboliza o quanto a história africana de modo geral – e, ainda mais, a história da mulher africana – costuma ser ignorada.

© fotos/imagens: reprodução

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