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A luta de três irmãs para escapar de um clã religioso que pratica o incesto e a poligamia

por: Redação Hypeness

Jessica Kingston tinha apenas 14 anos quando foi selecionada por um de seus tios, na época com 42 anos, para ser sua terceira esposa. Ela nasceu e cresceu na região de Salt Lake City, no estado de Utah (EUA), em um clã de fundamentalistas religiosos que praticam a poligamia e o incesto – a atividade sexual entre familiares. No chamado Clã Kingston, mais de 200 pessoas vivem e se relacionam em uma complexa e severa hierarquia familiar em que o incesto é a única resposta para satisfazer a necessidade de manter a linhagem familiar pura e a ordem do clã organizada.

Antes de consumar o casamento, Jessica foi auxiliada por uma tia e, junto com Andrea, uma de suas 11 irmãs, filhas de mesma mãe e pai, conseguiu escapar. Após intensa batalha pela tutela das meninas, foi decidido que Daniel Kingston, líder do clã e pai das meninas e de pelo menos outros 130 filhos, não tinha direitos sobre a guarda delas. Enviadas para um orfanato, conseguiram superar o trauma de ter crescido em uma sociedade paralela, com práticas e tradições obscuras, e encontraram novos propósitos de vida.

No “mundo real”, Andrea e Jessica reencontraram Sharon, jovem que assumiu o risco e conseguiu concluir a fuga do mesmo clã após sofrer contínua agressão de seu esposo, primo com quem foi forçada a se casar ainda na adolescência. Juntas, as três se dedicam a ajudar familiares a esgueirar-se do poder patriarcal e das práticas incestas que ainda hoje permeiam o grupo, conhecido como “A Ordem”, e tentam mostrar a eles que há uma vida mais digna e possível fora das amarras dessa sociedade secreta e perversa.

Filhas da Poligamia, série da A&E

Sexo, dinheiro e poder ou fé?

Donos de fazendas, de minas de carvão, de diversos cassinos e de redes de lojas em todo os Estados Unidos, o Clã Kingston, movimenta milhões de dólares na economia e, optando por manter muito do que faz longe dos bancos e instituições estatais, já foi investigado diversas vezes por fraudes fiscais. Mesmo assim, devido a sua inegável força econômica, o grupo e a doutrinação poligâmica que defendem passam batidos pelas grossas vistas das autoridades e do Governo. Mas da mídia tem sido difícil escapar. As atrocidades praticadas pelos integrantes têm sido cada vez mais denunciadas e a secreta e bizarra forma de vida do clã têm despertado emoções que vão da incredulidade à raiva. Afinal, estamos em 2017!

Filhas da Poligamia, série da A&E

 

Desde o início do século XX, as relações poligâmicas foram proibidas e rechaçadas na comunidade Mórmon. Entretanto, alguns fundamentalistas não ficaram contentes com o rumo das práticas religiosas e decidiram voltar às supostas raízes da fé, dando origem a clãs como esse. Com a faceta religiosa ainda bastante evidente, o Clã Kingston e sua rígida hierarquia social e doutrinação seguem invictos pela contemporaneidade. Mas até que ponto crimes como a agressão física contra mulheres e crianças, práticas incestuosas, abusivas poligâmicas e fraudes fiscais podem ser escondidas? Apesar de ser ícone do desenvolvimento em tantas áreas, os Estados Unidos ainda abrigam realidades singulares e até mesmo repugnantes.

A verdade é que o Clã Kingston, um dos maiores clãs poligâmicos do mundo, pode estar com seus dias contados. A valentia de Andrea, Jessica e Sharon contra o poder coercitivo e doutrinação do grupo é uma batalha de coragem e determinação, mostrada em detalhes na impactante série documental Filhas da Poligamia, lançamento da A&E que estreia nesta terça-feira, 06 de junho, às 20h00, em toda a América Latina. Poderia ser ficção, mas é a mais atroz realidade.

Filhas da Poligamia, série da A&E

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