Debate

Empresa gera polêmica com robô sexual com função ligada a estupro

por: Redação Hypeness

A True Companion, empresa que diz ter lançado Roxxxy, o primeiro robô sexual do mundo em 2010, está no centro de uma polêmica: uma função do produto que promete ser “frígida” e “não apreciar os avanços ao ser tocada nas áreas privadas” foi interpretada como uma versão de violência sexual.

Como se a desumanização do sexo, interpretando a parceira como uma provedora de prazer que pode ser trocada por um robô, não fosse suficiente, parece que as mentes por trás da companhia acharam que seria uma boa ideia reproduzir no androide a aversão a avanços sexuais não correspondidos – mas, para eles, isso não tem nada a ver com estupro.

Após Laura Bates publicar um artigo no New York Times sobre a questão, a True Companion divulgou uma carta aberta concordando com a ideia que “estupro não é uma forma de paixão sexual” e dizendo que a relação entre a função Frigid Farrah (“Farrah Frígida”) e estupro é “pura conjectura da parte de outras pessoas”.

Ainda de acordo com a empresa, Roxxxy alterna entre suas personalidades (que incluem “Wild Wendy”, ou “Wendy Selvagem”, e “S & M Susan”, ou “Susan sadomasoquista”). Assim, ela reclama se a pessoa com quem ela está “saindo” tenta ir rápido demais e “poderia ajudar a entender como ter contatos íntimos com parceiros”.

A ideia de que reproduzir esse tipo de interação com um robô pode fazer do mundo um lugar menos violento para as mulheres, seja por supostamente educar os parceiros, seja porque isso ajudaria possíveis estupradores a aliviar seus desejos, não foi bem aceita.

Douglas Hines, o criador de Roxxxy, posa ao lado de sua invenção

Sian Norris escreveu sobre o assunto para o New Statesman, e a brasileira Fernanda Aguiar traduziu o texto para português. “A ideia de que permitir que os homens “estuprem” robôs façam que as taxa de violência sexual diminuam é falha. Configurações como essa em robôs do sexo erotizam a falta de consentimento e normalizam estupros. Isso envia uma mensagem ao usuário que é sexualmente normal não aceitar a negativa de uma mulher para o sexo”, diz Sian.

“É importante lembrar que o estupro não é um produto do desejo sexual. O estupro é sobre o poder e a dominação – sobre o violação do corpo de uma mulher e o seu senso de si mesmo”, segue o texto, num ponto central para entender o estupro. “Em vez de encolher os ombros com essa sexualização da violência masculina, deveríamos tomar medidas para acabar com uma crença de que os homens têm direito aos corpos das mulheres”, conclui a escritora.

Você pode conferir a versão em português do texto no Medium.

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Fotos: Reprodução


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