Roteiro Hypeness

Fomos a Cusco na semana mais festiva da cidade conferir um desafio de vídeo mapping

por: Clara Caldeira


A cidade de Cusco é uma aventura em todos os sentidos. Começando pela aterrizagem do avião, que faz manobras inacreditáveis e dignas de montanha russa, para descer no Vale sagrado dos Incas.

Já em terra firme, o desafio é a altitude ou soroche (como é chamado por lá esse tipo de mal estar), que não perdoa nem o mais precavido dos visitantes. Mas basta olhar em volta, ali mesmo no pequenino Aeroporto Internacional Alejandro Velazco Astete, para perceber que o esforço valeu a pena. Afinal, você está em pleno “umbigo do mundo” (significado de Cusco na língua quéchua) e, no nosso caso, durante a semana mais especial do ano.

O segundo decanato do mês de junho reúne as festas mais importantes da cidade de Cusco como o aniversário da cidade, o Inti Raymi (celebração ancestral que todos os anos homenageia ao Deus Sol Inca) e o solstício de inverno. Dá pra imaginar a efervescência que estava no ar quando a gente chegou por lá dia 19.

Ruas tomadas por bonecos gigantes, multidões vestindo trajes típicos e muita música. Uma coincidência interessante é que chegamos lá no dia 18 (Dia da Parada Gay em SP e também mês do orgulho gay) e a cidade estava repleta de bandeirinhas de arco íris. Nós super achando que Cusco era lindamente gay friendly, quando descobrimos que na verdade aquelas é a bandeira de Cusco. Como os Incas não tinham bandeiras, essa foi a escolhida para representá-los. Uma simpática coincidência.

Depois de passarmos o dia acompanhando desfiles, danças e apresentações musicais e de dar uma voltinhas pelo centro histórico, chegou o grande momento, o que nos abalou para o outro lado do continente para um bate-volta de tirar o fôlego (literalmente). O Mapping Challenge da Epson, que vai selecionar artistas do mundo todo para projetar seus trabalhos em prédios históricos da América Latina e não poderia ter o seu kick off em outro lugar senão no “umbigo do mundo”.

A noite estava gelada e a Plaza de Armas lotada de gente até onde a vista alcançava. Era impressionante ver como aquela cidadezinha bucólica escondia uma multidão ávida por conferir o show que a noite prometia. O esquenta ficou por conta das atrações locais e alguns shows de música, que agitaram a massa cusquenha, formada por pessoas de todas as idades.

A projeção aconteceu na Igreja da Companhia de Jesus, que começou a ser erguida em 1654, e foi precedida por uma contagem regressiva emocionante. Quando o show começou, cores, formas e desenhos em movimento tomaram conta da construção histórica. Foram minutos eternos de contemplação e emoção. Dava pra sentir a energia da cidade e daquelas pessoas ali reunidas pra assistir o encontro da história com a tecnologia.

As inscrições para o Mapping Challenge já estão abertas (até 29 de julho) e podem participar artistas do mundo todo. A ficha de inscrição, as datas, os temas e o regulamento estão disponíveis no site do projeto e os selecionados vão projetar seus trabalhos em uma das oito cidades latino americanas participantes da ação.

As projeções vão acontecer durante 2017 e 2018 na Cidade do México (Paróquia São João Batista), Santiago do Chile (Museu Nacional de Belas Artes), Guayaquil no Equador (Igreja São Francisco “Nossa Senhora dos Anjos), São José na Costa Rica (Escola Buenaventura Corrales Bermúdez), Rio de Janeiro (Copacabana Palace), Cartagena na Colômbia (Centro de Convenções de Cartagena de Indias), novamente em Cusco no Peru (mas desta vez nas Ruínas Qoricancha) e por fim em Buenos Aires (Faculdade de Direito).

Não dá pra ficar de fora dessa. seja você artista ou morador de uma destas cidades, fique de olho na programação para conferir de perto esse emocionante encontro da tecnologia com a arte e a história.

Imagens: Clara Caldeira e Divulgação

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Clara Caldeira
Quatro anos e meio à frente do conteúdo do Hypeness, após atuar por seis anos como editora no Catraca Livre, Clara Caldeira é jornalista com 15 anos de experiência em cultura, comportamento, cidadania, tendências e pesquisadora em comunicação, gênero, corpo e meio ambiente. Já participou de projetos de reportagens, documentários, branded content e formações diversas com ONGs, assessorias culturais e publicações digitais variadas.


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